Reino Unido abre investigação contra X por imagens sexualizadas geradas pelo Grok

Milhares de imagens sexualizadas não consensuais de mulheres e crianças foram criadas usando o Grok, configurando abuso sexual infantil e violação de privacidade.
Transforma um recurso ilegal em um serviço premium
Crítica do governo britânico à decisão da xAI de restringir a geração de imagens apenas a usuários pagantes.
Mark

Por que o Grok se tornou um problema tão rápido, quando outras ferramentas de IA têm salvaguardas há anos?

Mimi

Porque foi construído com menos restrições de segurança desde o início. Elon Musk e a xAI fizeram uma escolha deliberada de deixar o sistema mais aberto, menos filtrado. Isso atraiu usuários que queriam contornar as limitações de outras ferramentas.

Luke

Mas precisamos ser precisos: quantas imagens estamos falando? A reportagem diz "milhares" e "estimativas", mas não há um número confirmado. Sabemos que a Internet Watch Foundation encontrou algumas, mas não sabemos a escala exata.

Mimi

Verdade. O que sabemos é que foi o suficiente para que múltiplos governos — Reino Unido, França, Indonésia, Malásia — agissem simultaneamente. Isso não acontece por acaso.

Mark

E a resposta da xAI, restringir a usuários pagantes, realmente não resolve o problema?

Mimi

Não. Porque o recurso ainda existe no app independente do Grok, gratuito. É como fechar a porta da frente enquanto deixa a janela aberta.

Luke

E importante: não sabemos se a xAI sabia que isso aconteceria quando lançou o recurso, ou se foi surpreendida. A reportagem não deixa claro se havia avisos prévios que foram ignorados.

Mark

O que acontece agora?

Mimi

O Ofcom britânico está investigando formalmente. Se encontrar violação, pode multar ou restringir a X. A Comissão Europeia também está movimentando-se. Isso pode forçar mudanças reais.

Luke

Mas também há uma questão de jurisdição. A X é uma empresa americana. Como os reguladores britânicos e europeus podem realmente forçar uma proibição?

Mimi

Ameaçando bloquear a plataforma em seus territórios, como a Indonésia e a Malásia já fizeram. Para uma empresa que depende de usuários globais, isso é uma ameaça real.

Mark

E Musk? Ele se pronunciou?

Mimi

Publicou um aviso dizendo que quem usar o Grok para conteúdo ilegal enfrentará consequências. Mas é principalmente retórica até agora.

  • Ofcom abriu investigação formal contra a X por possível violação da Lei de Segurança Online britânica
  • Grok gerou milhares de imagens sexualizadas não consensuais de mulheres e crianças
  • Indonésia e Malásia bloquearam temporariamente o acesso à ferramenta; Reino Unido, França e Índia condenaram publicamente
  • xAI restringiu geração de imagens a usuários pagantes, mas recurso permanece gratuito no app independente

Ofcom iniciou apuração para determinar se X violou legislação britânica; Grok foi desenvolvido com menos restrições de segurança que ferramentas concorrentes. Reino Unido, França, Índia e Malásia criticam chatbot; Indonésia e Malásia bloquearam temporariamente acesso à ferramenta de IA.

Autoridades britânicas abriram investigação formal contra a X por violação da Lei de Segurança Online, após ferramenta Grok gerar milhares de imagens sexualizadas sem consentimento. Plataforma enfrenta possíveis multas ou restrições.

As autoridades britânicas acionaram formalmente seus poderes regulatórios nesta segunda-feira contra a X, a plataforma de Elon Musk, investigando se a empresa violou a Lei de Segurança Online do país. No centro da disputa está o Grok, um assistente de inteligência artificial desenvolvido pela xAI com proteções de segurança deliberadamente reduzidas em comparação com ferramentas concorrentes. A ferramenta ganhou notoriedade por sua capacidade de gerar imagens sexualizadas de pessoas reais sem seu consentimento — incluindo crianças — em escala que as autoridades descrevem como milhares de casos.

O Ofcom, órgão regulador de comunicações do Reino Unido, abriu a investigação para determinar se houve violação legal. As consequências potenciais incluem multas substanciais ou restrições ao serviço. A X recusou-se a comentar sobre a investigação, mas divulgou nos últimos dias que remove conteúdos ilegais e suspende permanentemente contas que publicam esse material. Ainda assim, o governo britânico rejeitou as medidas tomadas até agora como insuficientes. Geraint Ellis, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro Keir Starmer, afirmou que limitar a geração de imagens apenas a usuários pagantes "transforma um recurso ilegal em um serviço premium" e chamou a abordagem de "um insulto às vítimas de misoginia e violência sexual".

O Grok permite que usuários da X interajam diretamente com o chatbot marcando sua conta e solicitando respostas. Um recurso particularmente controverso oferecia a capacidade de "despir" pessoas em fotografias, colocando-as em roupas íntimas ou poses provocantes. Após uma enxurrada de solicitações para criar esse tipo de conteúdo, a xAI restringiu a geração de imagens a usuários pagantes da plataforma — mas o recurso permanece disponível gratuitamente no aplicativo independente do Grok, criando uma brecha que as autoridades consideram inadequada.

A reação internacional tem sido rápida e coordenada. Reino Unido, França, Índia e Malásia condenaram publicamente o chatbot. A Indonésia e a Malásia bloquearam temporariamente o acesso à ferramenta. A Internet Watch Foundation, entidade britânica responsável por identificar material de abuso infantil online, relatou ter encontrado imagens "criminosas" de crianças supostamente geradas pelo Grok circulando na internet. A Comissão Europeia ordenou que a X preserve documentos internos sobre o Grok até o final do ano, após condenar imagens explícitas de crianças na plataforma. O governo francês acusou o Grok de gerar conteúdo sexual "claramente ilegal" sem consentimento, potencialmente violando o Digital Services Act da União Europeia.

No Reino Unido, a lei é clara: é ilegal possuir, compartilhar ou divulgar imagens sexuais de crianças ou conteúdo íntimo de adultos sem consentimento, inclusive quando gerado por inteligência artificial. Peter Kyle, ministro de Negócios e Comércio, declarou à Times Radio que o governo "claro que" consideraria proibir a X, embora ressalvasse que a lei exige que os ministros permitam que o regulador atue de forma independente.

Musk respondeu com um aviso público: quem usar o Grok para criar conteúdo ilegal enfrentará as mesmas consequências de quem fizer upload de material ilícito. A empresa também reiterou seu compromisso de cooperar com governos e autoridades locais conforme necessário. Mas a lacuna entre a retórica e a ação permanece visível. A decisão de restringir a geração de imagens apenas a usuários pagantes — mantendo-a disponível no app independente — sugere que a xAI está tentando gerenciar a controvérsia sem eliminar completamente o recurso problemático. Os reguladores britânicos, franceses e europeus agora têm a tarefa de determinar se essas medidas satisfazem seus padrões legais ou se ações mais drásticas são necessárias.

Essa medida apenas transforma um recurso ilegal de criação de imagens em um serviço premium. Não é uma solução – é um insulto às vítimas de misoginia e violência sexual
— Geraint Ellis, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro britânico Keir Starmer
Agimos contra conteúdo ilegal na X, incluindo material de abuso sexual infantil, removendo-o, suspendendo permanentemente contas e cooperando com governos e autoridades locais conforme necessário
— Comunicado da X
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