Em um país onde a carga tributária sobre o trabalho molda não apenas balanços contábeis, mas destinos de trabalhadores, uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria revela que 56% dos empresários brasileiros enxergam na reforma tributária o caminho mais direto para reativar o crescimento econômico. O debate, que ganha força no horizonte pós-eleitoral, toca numa ferida antiga: impostos elevados sobre a folha de pagamento empurram empresas para a 'pejotização', esvaziando direitos trabalhistas e alimentando um ciclo de precarização. A questão não é apenas fiscal — é sobre que tipo de socie
Reforma tributária emerge como prioridade pós-eleitoral, aponta pesquisa da CNI
Impostos elevados funcionam como freio no motor da economia
Por que exatamente a reforma tributária ganhou tanta importância agora? Não é um tema que sempre esteve na pauta?
Sempre esteve, mas a urgência mudou. As empresas estão numa situação de aperto financeiro real. Quando 56% dos empresários apontam a mesma solução, não é ideologia — é sobrevivência.
E essa "pejotização" que você mencionou — é realmente tão generalizada quanto parece?
Virou prática comum. Empresas que gostariam de manter contratações formais não conseguem suportar o peso dos impostos sobre folha. É uma escolha forçada, não uma preferência.
Mas quem perde com isso?
O trabalhador. Ele perde direitos, proteção legal, estabilidade. Formalmente é um "prestador de serviço", mas na prática é um funcionário sem os direitos de um funcionário.
E o crédito — por que 29% dos empresários têm dificuldade para acessá-lo?
Porque o sistema financeiro está cauteloso. Economia instável, empresas com fluxo de caixa apertado — os bancos veem risco alto. Sem crédito, a empresa não consegue se expandir, não contrata, não move a economia.
Então a reforma tributária sozinha não resolve?
Não. É necessária, mas é apenas uma peça. Você precisa também de acesso a crédito, de estabilidade macroeconômica. Tudo junto.
Le Pouls
- Mais da metade dos empresários brasileiros aponta a reforma tributária como prioridade urgente, sinalizando que o tema dominará a agenda econômica nos próximos meses.
- A pressão dos impostos sobre a folha de pagamento já transformou a 'pejotização' de exceção em rotina, retirando de milhões de trabalhadores férias, décimo terceiro e proteção previdenciária.
- Quase um terço dos empresários enfrenta dificuldades de acesso ao crédito, travando investimentos, expansões e a geração de novos empregos formais.
- O ciclo se retroalimenta: menos contratações formais reduzem a arrecadação, enfraquecem o consumo das famílias e aprofundam a instabilidade econômica.
- O setor produtivo pressiona por um pacote amplo — reforma tributária aliada à facilitação do crédito — como condição mínima para retomar o crescimento sustentável.
Em um país onde a carga tributária sobre o trabalho molda não apenas balanços contábeis, mas destinos de trabalhadores, uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria revela que 56% dos empresários brasileiros enxergam na reforma tributária o caminho mais direto para reativar o crescimento econômico. O debate, que ganha força no horizonte pós-eleitoral, toca numa ferida antiga: impostos elevados sobre a folha de pagamento empurram empresas para a 'pejotização', esvaziando direitos trabalhistas e alimentando um ciclo de precarização. A questão não é apenas fiscal — é sobre que tipo de sociedade o Brasil quer construir quando o próximo governo assumir.
Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria trouxe à superfície o que muitos empresários já sentiam na prática: a reforma tributária será o tema central da agenda econômica brasileira nos próximos anos. Mais da metade dos consultados — 56% — aponta a revisão do sistema de impostos como o caminho mais direto para reativar o crescimento do país.
O ponto mais sensível dessa reforma recai sobre os tributos que incidem sobre a folha de pagamento. Segundo o advogado e professor Fellipe Alencar, essa pressão fiscal tem empurrado empresas para a 'pejotização' — a contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas. O que antes era exceção tornou-se estratégia de sobrevivência: ao transformar funcionários em prestadores de serviço, as empresas reduzem custos, mas transferem ao trabalhador o ônus da informalidade. Sem carteira assinada, desaparecem férias, décimo terceiro, seguro-desemprego e proteção previdenciária. É precarização disfarçada de flexibilidade.
Alencar descreve os altos tributos sobre folha como um freio no motor da economia: quanto maior a carga, menos recursos sobram para investimento, expansão e novas contratações — um ciclo que se retroalimenta e enfraquece o consumo das famílias.
A pesquisa identificou ainda outro gargalo: 29% dos empresários relatam dificuldades para acessar crédito, o que os impede de quitar dívidas, expandir operações ou investir em tecnologia. O diagnóstico que emerge é claro — a economia brasileira demanda não uma, mas várias medidas simultâneas. A reforma tributária é prioridade, mas precisará vir acompanhada de crédito mais acessível para que o setor produtivo consiga, enfim, voltar a crescer.
Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria revelou o que muitos empresários já suspeitavam: a reforma tributária emergirá como tema central na agenda econômica do país nos próximos anos. Mais da metade dos empresários consultados — 56% deles — apontam a revisão do sistema de impostos como o caminho mais direto para reativar o crescimento econômico brasileiro.
O foco dessa reforma, segundo análise de especialistas, recai sobre um ponto específico e doloroso: os tributos que incidem sobre a folha de pagamento. Fellipe Alencar, advogado empresarial e professor de Direito Financeiro e Tributário, observa que essa pressão fiscal tem gerado uma consequência cada vez mais visível nas relações de trabalho do país. Empresas enfrentam dificuldades financeiras crescentes e, diante delas, recorrem a uma prática que vem se tornando rotina: a contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas, o que se conhece por "pejotização". O que antes era exceção — um profissional abrindo sua própria empresa para prestar serviços — tornou-se estratégia de sobrevivência para muitas organizações.
O custo dessa transformação recai sobre quem trabalha. Quando um funcionário deixa de ter carteira assinada e passa a ser contratado como prestador de serviço autônomo ou microempresário, perde a proteção que a legislação trabalhista oferece. Não há férias garantidas, décimo terceiro, seguro-desemprego ou acesso facilitado a benefícios previdenciários. Para o trabalhador, é precarização disfarçada de flexibilidade. Para a empresa, é uma forma de reduzir custos num ambiente onde os impostos sobre folha de pagamento consomem parcela significativa do orçamento.
Alencar aponta que esses tributos elevados funcionam como um freio no motor da economia. Quanto maior a carga sobre a folha, menos recursos as empresas têm para investir em expansão, em novas contratações ou em melhorias operacionais. É um ciclo que se retroalimenta: dificuldades financeiras levam a menos contratações formais, o que reduz a arrecadação de impostos e enfraquece o consumo das famílias.
Mas a questão não se resume apenas aos impostos sobre folha. A pesquisa da CNI também identificou outro gargalo crítico: o acesso ao crédito. Quase um terço dos empresários consultados — 29% — relatam enfrentar dificuldades para obter financiamento. Esse dinheiro, quando disponível, seria destinado a pagar dívidas acumuladas, expandir operações ou investir em equipamentos e tecnologia. Tudo isso geraria mais empregos e movimentaria a economia. Sem crédito acessível, as empresas ficam presas a um presente imóvel, incapazes de crescer.
O cenário que emerge é o de uma economia instável que demanda não apenas uma, mas várias medidas de incentivo simultâneas. A reforma tributária não é uma solução isolada, mas parte de um pacote maior que precisaria incluir também facilitação do acesso ao crédito e, possivelmente, outras medidas de estímulo. O que a pesquisa da CNI deixa claro é que o setor produtivo vê nessa reforma uma prioridade urgente — e que, nos próximos meses, esse tema ocupará lugar central nas discussões sobre o futuro econômico do país.
Citations marquantes
Assinar uma carteira de trabalho e fornecer todos os direitos legais de um emprego ao trabalhador tem se tornado uma prática cada vez mais difícil de ser mantida— Fellipe Alencar, advogado empresarial e professor de Direito Financeiro e Tributário
Temos uma economia instável que requer constantes incentivos— Fellipe Alencar