Reforma do Simples: empresas terão que escolher entre DAS e modelo híbrido

A Reforma mexe com a competitividade, não só com o imposto
Reflexão do CEO da e-Auditoria sobre como a escolha entre DAS e modelo híbrido vai além da carga tributária.
Mark

Por que essa decisão entre DAS e modelo híbrido não é só uma questão de alíquota?

Mimi

Porque o cliente do empresário pode exigir crédito integral dos novos tributos para continuar comprando. No DAS, o crédito que passa adiante é só a fração que foi recolhida na guia, muito menor que a alíquota real. Então uma empresa pode pagar menos imposto no DAS e perder competitividade mesmo assim.

Mark

E se a empresa muda para o modelo híbrido sem necessidade?

Mimi

Aí ela pode acabar pagando mais imposto sem ganho real. A decisão só faz sentido se a empresa conseguir reorganizar seus fornecedores para aproveitar créditos nas compras. Não é automático.

Mark

Como um contador consegue analisar isso para toda a carteira?

Mimi

Manualmente não consegue. Vira horas de planilhas paralelas e cruzamentos manuais. Por isso a ferramenta trabalha com os XMLs e o PGDAS que o escritório já tem, automatizando a análise de clientes, fornecedores e classificação fiscal.

Mark

Qual é o ponto que mais define a escolha?

Mimi

A cadeia de fornecedores. Se a empresa compra quase tudo de outros optantes pelo Simples, o crédito é baixo e o híbrido não faz sentido. Se consegue trocar fornecedores, o cenário muda bastante.

Mark

Então a ferramenta dá a resposta certa?

Mimi

Não. Ela dá cenários comparativos. A decisão final é do contador com o empresário, porque envolve relacionamento com clientes e estratégia comercial que não estão nos números.

  • Janelas de decisão em setembro de 2026 e março de 2027 para escolher entre DAS e modelo híbrido
  • Crédito no DAS é apenas a fração de IBS e CBS recolhida na guia, significativamente menor que a alíquota plena
  • Simulador projeta comparação entre 2027 e 2033, cobrindo a transição completa para o Simples
  • Análise de cadeia de fornecedores é o ponto que mais define a escolha do modelo

Empresas do Simples precisam escolher entre DAS tradicional ou modelo híbrido para IBS e CBS a partir de setembro de 2026, com janelas de decisão em setembro e março. A escolha não se resume a comparar alíquotas: depende de quem a empresa vende, de quem compra e se clientes precisam de crédito integral dos novos tributos para manter competitividade.

Com a entrada do IBS e CBS, empresas do Simples Nacional enfrentam decisão complexa entre manter recolhimento unificado ou migrar para modelo híbrido, dependendo de clientes, fornecedores e classificação fiscal de produtos.

A reforma tributária que traz o IBS e a CBS para o sistema de impostos brasileiro muda fundamentalmente como as empresas do Simples Nacional precisam pensar sobre seus negócios. Não é mais uma questão simples de comparar alíquotas. De repente, o empresário que vende para uma indústria começa a ouvir algo novo do seu cliente: preciso que você me forneça crédito dos novos tributos para eu continuar comprando de você. Ou então o concorrente ao lado oferece esse crédito e ganha a venda. O empresário sente o efeito na negociação, liga para o contador procurando respostas, e o contador se vê diante de uma decisão que até pouco tempo atrás não fazia parte da rotina do Simples.

Essa decisão é concreta e está chegando mais rápido do que a regulamentação completa. A partir de setembro de 2026, as empresas do Simples ganham uma escolha que antes não existia: podem continuar recolhendo o IBS e a CBS dentro do DAS, como fazem hoje, ou migrar para um modelo híbrido onde esses dois tributos saem do DAS e entram em um sistema de débito e crédito, enquanto o resto dos impostos do Simples fica na guia unificada. Quem optar em setembro tem até 30 de novembro para cancelar a escolha. Uma segunda janela abre em março de 2027 para o segundo semestre, dando uma segunda chance para quem deixou passar ou quer rever a decisão.

O problema é que essa escolha não se resolve apenas olhando para números de alíquota. Uma empresa pode pagar menos imposto permanecendo no DAS e ainda assim perder clientes, porque esses clientes precisam de crédito integral que o DAS não oferece. No regime unificado, o crédito que passa para o cliente é apenas a fração de IBS e CBS que foi realmente recolhida na guia, muito menor do que a alíquota completa. Por outro lado, uma empresa pode migrar para o híbrido sem necessidade real e acabar pagando mais. Em alguns casos, sair parcialmente do DAS só faz sentido se a empresa reorganizar toda a sua cadeia de fornecedores para aproveitar créditos nas compras. A decisão passa a depender de como a empresa vende, para quem vende, de quem compra e quais produtos estão envolvidos. Cada um desses pontos puxa uma análise diferente.

Fazer essa análise manualmente não funciona. Um escritório precisaria reunir todas as notas de entrada e saída, identificar clientes e fornecedores, revisar a classificação fiscal de cada mercadoria, projetar cenários de IBS e CBS ao longo da transição e organizar tudo de forma que o empresário entenda. Feito na mão, vira horas de planilhas paralelas, cruzamentos manuais e dependência de poucas pessoas que dominam o assunto. Em uma carteira com várias empresas do Simples, esse esforço se multiplica e não cabe no tempo que o cliente está disposto a esperar.

A e-Auditoria construiu uma ferramenta chamada Simulador da Reforma para Empresas do Simples Nacional que trabalha com dois documentos que o escritório já tem: os XMLs das notas de entrada e saída e o PGDAS em PDF. A partir deles, o sistema monta os dois cenários, dentro do DAS e no modelo híbrido, e projeta a comparação ano a ano entre 2027 e 2033, cobrindo a transição completa. Além da comparação tributária, a ferramenta organiza três leituras que tornam a conversa com o empresário mais objetiva. A análise da cadeia de clientes mostra quanto da receita depende de clientes que vão precisar de crédito de IBS e CBS e se existe risco concentrado em poucos compradores. A análise da classificação fiscal cruza os NCMs das mercadorias e os CFOPs das operações com as regras da Lei Complementar 214/2025, identificando reduções aplicáveis. A análise da cadeia de fornecedores mostra quanto de crédito a empresa conseguiria aproveitar no modelo híbrido e se os fornecedores atuais sustentam essa escolha.

Esse último ponto costuma ser o que define tudo. Quando a empresa compra quase tudo de outros optantes pelo Simples, o crédito nas entradas é baixo e o modelo híbrido tende a fazer menos sentido. Quando dá para trocar parte dos fornecedores, o cenário pode mudar bastante, e a ferramenta permite simular essas trocas antes de qualquer mudança real na operação. O simulador entrega gráficos, relatórios e cenários comparativos que podem ser salvos e exportados, e o relatório também pode passar por inteligência artificial que organiza os números em um laudo interpretativo para apoiar a reunião com o empresário.

A metodologia se apoia na Lei Complementar 123/2006, que rege o Simples, e na Lei Complementar 214/2025, que regulamenta a Reforma. A ferramenta entrega cenários comparativos, não um veredito automático sobre o melhor regime. A decisão final é do contador junto com o empresário, porque envolve fatores que não estão nos números, como o relacionamento com clientes e a estratégia comercial da empresa. Fred Amaral, CEO da e-Auditoria, resume o que está em jogo: o empresário do Simples vai descobrir que a Reforma mexe com a competitividade dele, não só com o imposto que ele paga. Quem chegar primeiro nessa conversa, com cenário estruturado e empresa por empresa, defende a carteira e abre espaço para um serviço consultivo que antes não existia no Simples.

O empresário do Simples vai descobrir que a Reforma mexe com a competitividade dele, não só com o imposto que ele paga. Quem chegar primeiro nessa conversa, com cenário estruturado e empresa por empresa, defende a carteira e abre espaço para um serviço consultivo que antes não existia no Simples.
— Fred Amaral, CEO da e-Auditoria
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