Aos 27 anos reconheço que não deveria ter feito certas coisas
Há histórias de crescimento que só ganham sentido quando olhadas de longe. Raúl de Tomás, avançado espanhol de 27 anos, convocado pela primeira vez para a seleção de Espanha, revisita os anos que passou no Real Madrid com a serenidade de quem aprendeu mais com os tropeços do que com os triunfos. A sua única partida pela equipa principal dos merengues não é uma cicatriz, mas uma bússola — o sinal de que partir, por vezes, é a única forma de chegar.
- Convocado pela primeira vez para 'La Roja' aos 27 anos, de Tomás surge como um caso raro de reconhecimento tardio que chega no momento certo.
- A passagem pelo Real Madrid, onde disputou apenas um jogo pela equipa principal em mais de uma década, pesa como símbolo de uma juventude apressada e de expectativas mal calibradas.
- O jogador admite abertamente que acreditava ser algo que ainda não era, querendo chegar mais depressa do que o percurso permitia — uma armadilha comum aos talentos precoces.
- A saída do clube foi, na sua leitura, não uma derrota, mas uma necessidade: precisava de minutos, de errar em campo, de crescer longe da sombra do maior clube do mundo.
- A estreia iminente contra Grécia ou Suécia nos apuramentos para o Mundial 2022 representa o ponto de chegada de um caminho feito de desvios que, afinal, eram o próprio caminho.
Raúl de Tomás passou mais de uma década ligado ao Real Madrid e saiu com apenas uma partida pela equipa principal. Hoje, aos 27 anos e pela primeira vez convocado para a seleção espanhola, olha para esse período sem amargura, mas com honestidade.
Em entrevista ao jornal AS, o avançado descreveu a mentalidade que tinha aos 16, 17 e 18 anos: a crença de ser mais do que era, a pressa de chegar antes do tempo. Vendo agora jogadores jovens, reconhece-se neles — e reconhece o erro. «Grave seria continuar a fazê-las aos 27 anos», disse, distinguindo claramente o erro da juventude da teimosia da maturidade.
A saída do Real Madrid foi, na sua perspetiva, inevitável e necessária. Não havia minutos, não havia evolução possível. Partir foi a única forma de jogar — e jogar foi a única forma de aprender. Sem arrependimento, mas com consciência.
Numa nota mais ligeira, de Tomás revelou a origem do apelido RDT: foi um amigo, numa viagem de carro até ao Rayo Vallecano, quem sugeriu a abreviatura ao ouvir «R. De Tomás». O argumento foi simples — assim ninguém compraria a camisola. RDT soou bem e ficou.
Agora, convocado por Luis Enrique para substituir o lesionado Ansu Fati, de Tomás pode estrear-se por Espanha frente à Grécia ou à Suécia. É um reconhecimento que chega tarde, mas encontra um jogador que, finalmente, parece saber quem é.
Raúl de Tomás passou mais de dez anos ligado ao Real Madrid antes de se transferir definitivamente para o Benfica. Agora, aos 27 anos, o avançado espanhol olha para trás e reconhece que cometeu erros durante aquele período — erros que, em parte, explicam por que disputou apenas uma partida pela equipa principal dos merengues.
Em entrevista ao jornal AS, de Tomás refletiu sobre a juventude e as decisões que tomou nessa altura. «Quando somos jovens cometemos erros. Acreditamos em algo que não somos e queremos chegar mais rápido do que o necessário», disse, descrevendo uma mentalidade que reconhece ter tido aos 16, 17 e 18 anos. Vendo agora jogadores nessa faixa etária, questiona-se se também estava errado como eles estão. O que importa, sublinhou, é passar por essas experiências para aprender. «Aos 27 anos reconheço que não deveria ter feito certas coisas. Grave seria continuar a fazê-las aos 27 anos», afirmou.
Mas a reflexão não é sinónimo de arrependimento. De Tomás deixou claro que não se sente arrependido pelos caminhos que tomou. «Não me arrependo, mas aprendi com os erros que cometi. Esses erros não me ajudaram no Real Madrid», explicou. A saída do clube foi, na sua perspetiva, uma decisão necessária. Precisava de jogar, de ter minutos, de evoluir — algo que o Real Madrid não lhe estava a proporcionar naquele momento.
Uma curiosidade menor, mas reveladora do seu carácter, é a origem do apelido que usa na camisola: RDT. De Tomás contou que estava num carro com um amigo quando chegou ao Rayo Vallecano. O amigo perguntou-lhe qual seria o nome na camisola. Respondeu que seria «R. De Tomás». O amigo retrucou que com esse nome não compraria a camisola e sugeriu RDT. «Achei que soava bem e, desde então, uso RDT na minha camisola», esclareceu.
Esta reflexão surge num momento importante da carreira de de Tomás. Foi convocado pela primeira vez para a seleção espanhola por Luis Enrique, substituindo o lesionado Ansu Fati. Aos 27 anos, tem agora a oportunidade de estrear-se por «La Roja» nos próximos encontros de apuramento para o Mundial 2022, contra Grécia ou Suécia. É um reconhecimento tardio, talvez, mas que chega num momento em que o jogador parece ter encontrado estabilidade e clareza sobre o seu percurso.
Citações Notáveis
Quando somos jovens cometemos erros. Acreditamos em algo que não somos e queremos chegar mais rápido do que o necessário.— Raúl de Tomás
Não me arrependo, mas aprendi com os erros que cometi. Esses erros não me ajudaram no Real Madrid.— Raúl de Tomás
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Quando olha para trás, para o Real Madrid, sente que perdeu tempo?
Não é bem assim. Os erros foram parte do processo. Se não os tivesse cometido, talvez não fosse o jogador que sou hoje. O Real Madrid foi importante, mas precisava de sair para crescer.
Mas apenas uma partida pela equipa principal em dez anos — isso não é frustrante?
Claro que é. Mas a frustração ensinou-me mais do que qualquer sucesso teria ensinado. Aprendi que às vezes o sítio certo não é o melhor para ti naquele momento.
E agora, com a convocação para Espanha, sente que finalmente chegou?
Chegou, sim. Mas não é um fim. É um reconhecimento de que o trabalho vale a pena, de que a paciência e a persistência têm recompensa.
O apelido RDT — foi uma decisão casual que se tornou marca?
Exatamente. Um amigo fez uma sugestão no carro e ficou. Às vezes as melhores coisas são as mais simples, as que não planeamos.
Que conselho daria a um jovem de 16 anos no Real Madrid agora?
Que tenha paciência. Que não acredite que precisa de tudo já. E que os erros não são fracassos — são aulas.