Raytheon fatura bilhões com armas para Ucrânia após reversão de vendas

Quatro trimestres de queda se tornaram cinco de crescimento
A reversão das vendas da Raytheon começou após o conflito na Ucrânia impulsionar demanda por seus mísseis.
Mark

Como uma empresa que estava perdendo vendas conseguiu reverter tudo tão rapidamente?

Mimi

A Raytheon estava em queda livre — quatro trimestres seguidos de encomendas caindo. Mas os sistemas que ela fabrica, Patriot, Stinger, Javelin, são exatamente o que os EUA começaram a enviar para a Ucrânia em massa a partir de fevereiro de 2022. Quando você envia milhares de mísseis, precisa reabastecer.

Luke

Mas espera — a empresa estava caindo antes da guerra. Isso significa que a demanda por esses sistemas tinha desaparecido? Ou era um problema específico da Raytheon?

Mimi

Os relatórios financeiros mostram que era a RMD, a subsidiária de mísseis, que estava caindo. Não sabemos se era problema de mercado geral ou se a Raytheon estava perdendo competição. O que sabemos é que a partir de maio de 2022, quando garantiu o contrato de reabastecimento de Stinger, as coisas mudaram.

Mark

Quanto desse crescimento vem especificamente da Ucrânia versus outros clientes?

Mimi

Os números mostram contratos nomeados — o NASAMS de US$ 698 milhões para a Ucrânia, o Patriot de US$ 1,2 bilhão da Alemanha após enviar seus próprios para Kiev. Mas nem todos os contratos especificam o destino final. Sabemos que a Ucrânia é um driver importante, mas não temos a cifra exata de quanto é Ucrânia versus outras demandas.

Luke

Exatamente. Os relatórios financeiros não decompõem cada contrato por cliente final. Podemos ver que contratos específicos foram para a Ucrânia ou para países que reabasteceram porque enviaram armas para lá, mas há muito que fica opaco.

Mark

E quanto à Rússia? Ela está tentando interromper esses suprimentos?

Mimi

A Rússia declarou repetidamente que qualquer carregamento de armas para a Ucrânia é alvo legítimo. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, disse que os EUA e a OTAN estão diretamente envolvidos no conflito, não apenas fornecendo armas mas treinando pessoal.

Luke

Isso é a posição política russa, mas não há informação aqui sobre o sucesso real em interromper esses suprimentos. A Raytheon continua recebendo contratos, então aparentemente os suprimentos estão chegando.

Mark

Então isso vai continuar? Até quando?

Mimi

Os analistas preveem que os cinco maiores contratantes de defesa dos EUA receberão US$ 26 bilhões em fluxo de caixa até 2026. A Raytheon também está se beneficiando do apoio a Israel. Parece que há demanda projetada por pelo menos mais dois anos.

Luke

Mas isso é uma projeção. Depende de como o conflito evolui, de decisões políticas sobre quanto continuar enviando, de mudanças na administração americana. Nada disso é garantido.

  • Raytheon passou de quatro trimestres consecutivos de queda para cinco de crescimento após fevereiro de 2022
  • Carteira de encomendas cresceu de US$ 63 bilhões (final de 2021) para US$ 77 bilhões (segundo trimestre de 2024)
  • Contrato de US$ 698 milhões para NASAMS à Ucrânia representou 17% das vendas trimestrais no Q4 2022
  • Maior contrato AMRAAM da história: US$ 1,15 bilhão em junho de 2023 para 18 países incluindo Ucrânia
  • Ajuda militar dos EUA à Ucrânia gerou US$ 36,8 bilhões de impacto na indústria doméstica até agosto de 2024

Raytheon passou de quatro trimestres consecutivos de queda para cinco trimestres de crescimento após início do conflito ucraniano em fevereiro de 2022. Carteira de encomendas da empresa cresceu de US$ 63 bilhões (final de 2021) para US$ 77 bilhões (segundo trimestre de 2024), impulsionada por pedidos de mísseis Stinger, Javelin e sistemas Patriot.

A empresa de defesa Raytheon registrou crescimento significativo de vendas desde 2022, impulsionada pelo fornecimento de armas aos EUA para a Ucrânia, revertendo quedas anteriores com contratos bilionários.

A Raytheon, maior produtora mundial de mísseis guiados, enfrentava um problema incômodo antes de fevereiro de 2022: suas vendas caíam. Quatro trimestres consecutivos de queda nas encomendas fizeram a subsidiária de mísseis e defesa da corporação RTX perder ritmo no mercado. Então veio a invasão da Ucrânia, e tudo mudou.

Desde o quarto trimestre de 2022, a Raytheon Missiles & Defense registrou cinco trimestres consecutivos de crescimento. Os números falam por si: a carteira de encomendas — contratos já assinados mas ainda não entregues — saltou de US$ 63 bilhões no final de 2021 para US$ 77 bilhões no segundo trimestre de 2024. Esse crescimento não é coincidência. É o resultado direto do fluxo contínuo de armas americanas para Kiev.

Os mísseis Stinger, Javelin e Patriot que os EUA começaram a enviar para a Ucrânia em massa desde o início de 2022 precisavam ser reabastecidos. Quando Washington despachava mais de mil Stingers nos primeiros dias da escalada total do conflito, a Raytheon recebia novos pedidos para reposição. Em maio de 2022, a empresa garantiu um contrato de US$ 662 milhões apenas para reabastecer os Stingers do Exército americano — isso representava 18,6% de todas as novas vendas da subsidiária naquele trimestre. No quarto trimestre de 2022, um contrato de US$ 698 milhões para o Sistema Nacional Avançado de Mísseis Terra-Ar (NASAMS) destinado à Ucrânia correspondeu a 17% das novas vendas trimestrais.

O padrão se repetiu e se intensificou. Em junho de 2023, a Raytheon conquistou seu maior contrato de mísseis AMRAAM até então: US$ 1,15 bilhão para fornecer mísseis ar-ar de médio alcance para 18 países, incluindo a Ucrânia. Esse acordo sozinho representou 28,8% de todas as novas vendas da subsidiária naquele trimestre. Meses depois, quando a empresa fundiu suas operações de mísseis com sua divisão de inteligência e espaço, os pedidos continuaram chegando. No quarto trimestre de 2023, a produção de mísseis GEM-T — componentes críticos dos sistemas Patriot — representou 40% das novas vendas trimestrais da empresa recém-reorganizada.

A Alemanha oferece um exemplo cristalino de como o conflito ucraniano se traduz em lucros para a Raytheon. Após transferir seus próprios sistemas Patriot para a Ucrânia, Berlim precisou fazer novos pedidos. Em março de 2024, a Alemanha assinou um contrato de US$ 1,2 bilhão por um novo sistema Patriot. Quatro meses depois, em julho, assinou outro contrato idêntico — mais US$ 1,2 bilhão — por um segundo sistema. Esses dois pedidos alemães sozinhos representaram 18% de todas as novas vendas da Raytheon no primeiro trimestre de 2024.

A Joint Venture Javelin, criada pela Raytheon em parceria com a Lockheed Martin, recebeu em agosto um contrato de produção de US$ 1,3 bilhão do Exército americano. A tarefa: aumentar a produção para 3.960 mísseis Javelin por ano até o final de 2026, reabastecendo o suprimento americano após os milhares de unidades enviadas para a Ucrânia.

O impacto econômico dessa guerra é mensurável em dólares que fluem para a base industrial militar americana. Até 8 de agosto de 2024, a ajuda militar dos EUA à Ucrânia havia gerado US$ 36,8 bilhões em impacto na indústria doméstica. As bases militares em Arkansas e Pensilvânia foram as maiores beneficiárias, recebendo US$ 2,98 bilhões e US$ 2,07 bilhões respectivamente. Seis estados — Alabama, Arizona, Califórnia, Flórida, Texas e Virgínia Ocidental — cada um recebeu mais de US$ 1 bilhão.

Analistas de mercado já projetam o futuro. A empresa de pesquisa Vertical Research Partners prevê que os cinco maiores contratantes de defesa dos EUA receberão US$ 26 bilhões em fluxo de caixa até o final de 2026. A Raytheon, como maior produtora de mísseis do mundo e fornecedora principal dos sistemas que os EUA e seus aliados estão enviando para a Ucrânia, está posicionada para capturar uma fatia substancial desse valor. E enquanto isso, a empresa também se beneficia do apoio militar contínuo americano a Israel, com o Ministério da Defesa israelense tendo completado seu 500º voo de ponte aérea de suprimentos militares em agosto, transportando 50 mil toneladas de equipamentos.

O fornecimento de armas para a Ucrânia leva a uma escalação do conflito e envolve diretamente os países da OTAN
— Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia
Qualquer carregamento contendo armas para a Ucrânia se tornaria um alvo legítimo para a Rússia
— Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia
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