Os óculos que antes serviam apenas para ver melhor ou para completar um visual passam agora a captar imagens, reproduzir música e responder a comandos de voz, numa fusão de ótica e inteligência artificial. Foi a aliança entre a Meta e a EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban, que deu forma a este negócio, e é também essa aliança que hoje atrai rivais como a Google, a Samsung e fabricantes chineses. Como tantas tecnologias que nascem como novidade, a questão já não é apenas quem a inventa, mas quem consegue sustentá-la quando o encanto inicial passar.
Ray-Ban e os óculos com IA: o sucesso da Meta e da EssilorLuxottica atrai concorrentes e levanta dúvidas sobre margens
Mais tecnologia não garante, por si só, margens mais altas
Porque é que esta notícia importa além da Ray-Ban?
Porque mostra um produto de sucesso a atrair rivais de peso, como a Google e a Samsung, e a perder ritmo de crescimento ao mesmo tempo.
Que ritmo é esse?
Os dispositivos tecnológicos da EssilorLuxottica faturaram 486 milhões de euros no terceiro trimestre de 2026. O crescimento caiu para 20%, depois de quase 100% no trimestre anterior.
Convém lembrar que 20% continua a ser um crescimento forte. O abrandamento é um facto, mas o texto não diz que o negócio esteja em risco.
E as margens?
O Bank of America estima margens brutas de cerca de 40% nos óculos inteligentes, contra mais de 60% nos tradicionais.
Isso é uma estimativa de um banco, citada pela Reuters, não um número divulgado pela empresa. Não sabemos como foi calculada.
Então os óculos inteligentes são pior negócio?
Não necessariamente. A fonte diz apenas que tecnologia não garante, por si só, margens superiores.
E sobre a privacidade só sabemos que há escrutínio regulatório. Não há aqui medidas concretas nem decisões anunciadas.
Resta saber se a liderança se mantém.
Exatamente, quando a novidade passar.
Le Pouls
- As receitas da EssilorLuxottica subiram 9% no terceiro trimestre de 2026, chegando a 7,49 mil milhões de euros, mas o ritmo do negócio tecnológico travou.
- O crescimento dos dispositivos inteligentes caiu para 20%, depois de quase 100% no trimestre anterior, levantando dúvidas sobre a dinâmica do setor.
- Estimativas do Bank of America apontam margens brutas de cerca de 40%, muito abaixo dos mais de 60% dos óculos tradicionais.
- Entram novos concorrentes como a Google, a Samsung e fabricantes chineses, enquanto a privacidade das câmaras discretas começa a ser escrutinada por reguladores.
Os óculos que antes serviam apenas para ver melhor ou para completar um visual passam agora a captar imagens, reproduzir música e responder a comandos de voz, numa fusão de ótica e inteligência artificial. Foi a aliança entre a Meta e a EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban, que deu forma a este negócio, e é também essa aliança que hoje atrai rivais como a Google, a Samsung e fabricantes chineses. Como tantas tecnologias que nascem como novidade, a questão já não é apenas quem a inventa, mas quem consegue sustentá-la quando o encanto inicial passar.
Os óculos de sol e de ver deixaram de ser apenas acessórios. Com câmaras, microfones e inteligência artificial, os Ray-Ban Meta tiram fotografias, ouvem música e respondem a assistentes digitais sem que o telemóvel saia do bolso. Por trás deste produto está a parceria entre a Meta e a EssilorLuxottica, que transformou um nicho num negócio relevante.
Agora, segundo a Reuters Breakingviews, esse sucesso está a atrair concorrência. A Google, a Samsung e fabricantes chineses procuram espaço neste mercado, e a EssilorLuxottica terá de manter a vantagem numa categoria que muda depressa.
Os números mostram peso: no terceiro trimestre de 2026, as receitas somaram 7,49 mil milhões de euros, mais 9%. Os dispositivos tecnológicos chegaram aos 486 milhões de euros, mas o crescimento abrandou para 20%, depois de quase 100% no trimestre anterior.
A rentabilidade é outro ponto de atenção. O Bank of America estima margens brutas próximas de 40%, abaixo dos mais de 60% dos óculos tradicionais. Vender tecnologia não garante, por si só, margens mais altas. A privacidade também pesa, já que câmaras discretas levantam questões sobre consentimento e os limites do uso em espaços públicos e privados.
A marca e a rede de distribuição continuam a ser trunfos. Falta saber quem conseguirá transformar a inteligência artificial num negócio duradouro e se a Ray-Ban continuará à frente quando estes óculos deixarem de ser novidade.
Os óculos de sol e de ver já não servem só para ver melhor ou compor um visual. Com câmaras, microfones e inteligência artificial, os Ray-Ban Meta permitem tirar fotografias, ouvir música e falar com assistentes digitais sem que o telemóvel saia do bolso. É esta combinação de tecnologia e design que os tornou um dos produtos mais visíveis da categoria dos óculos inteligentes.
Por trás do produto está uma parceria: a Meta e a EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban, que fabrica os óculos em conjunto com a tecnológica. A aliança transformou um nicho num negócio de dimensão relevante. Agora, segundo a análise da Reuters Breakingviews, esse êxito está a atrair concorrência.
A Google e a Samsung estão entre as empresas que procuram conquistar espaço neste mercado, e há também fabricantes chineses a desenvolver soluções rivais. Para a EssilorLuxottica, o desafio passa por manter a vantagem numa categoria que se transforma depressa.
Os números mostram que o negócio tem peso. De acordo com a Reuters, a EssilorLuxottica registou no terceiro trimestre de 2026 receitas de 7,49 mil milhões de euros, mais 9% do que um ano antes. A área dos dispositivos tecnológicos, que inclui os óculos inteligentes, chegou aos 486 milhões de euros. Mas o ritmo mudou: o crescimento desta atividade abrandou para 20%, depois de quase 100% no trimestre anterior.
A rentabilidade é outro ponto de atenção. A Reuters cita estimativas do Bank of America segundo as quais as margens brutas dos óculos inteligentes poderão rondar os 40%, abaixo dos mais de 60% associados aos óculos tradicionais. A diferença não significa necessariamente que o novo negócio seja pouco interessante, mas mostra que vender um produto mais tecnológico não garante, por si só, margens mais altas.
Há ainda a privacidade. Estes dispositivos estão sob maior escrutínio regulatório, porque podem captar imagens e conversas de forma discreta. Uma câmara numa armação de aspeto normal levanta questões sobre o consentimento de quem é filmado e sobre os limites do uso destes equipamentos em espaços públicos e privados.
A EssilorLuxottica continua a beneficiar da força das suas marcas e da sua rede de distribuição. Com a chegada de novos concorrentes, porém, terá de competir não só no design, mas também nas funcionalidades e na experiência tecnológica.
A inteligência artificial abriu uma oportunidade nova à indústria da ótica. Falta saber quem a conseguirá converter num negócio duradouro e se a Ray-Ban continuará à frente quando os óculos inteligentes deixarem de ser novidade.
Citations marquantes
As margens brutas dos óculos inteligentes poderão rondar os 40%, abaixo dos mais de 60% dos óculos tradicionais.— Estimativas do Bank of America, citadas pela Reuters