Há histórias que só o tempo permite contar — e a de Raul Gazolla e Glória Perez é uma delas. Cerca de dez anos após o assassinato de Daniella Perez em 1992, a autora telefonou ao ator com palavras simples e carregadas de significado: estava pronta para trabalhar com ele. Aquele convite para O Clone, em 2001, não era apenas uma oportunidade profissional; era o gesto silencioso de duas pessoas que escolheram, juntas, transformar a dor em criação. Aos 70 anos, Gazolla segue em cena — no teatro, na televisão e na memória afetiva de quem acompanhou essa travessia.
Raul Gazolla emociona ao relembrar convite de Glória Perez uma década após morte de Daniella
Agora eu já estou pronta para trabalhar com você
Por que você acha que Glória Perez esperou uma década para fazer esse convite?
Acho que ela precisava daquele tempo. Perder uma filha não é algo que se supera rápido. Mas quando ela ligou, foi como se dissesse: "Agora consigo olhar para você sem ver só a dor."
E para Gazolla, o que mudou nele naquele momento?
Ele estava em suspenso, sabe? Depois de 1992, ele precisava de permissão para voltar a viver profissionalmente. Glória lhe deu isso. Não era só um papel em uma novela — era ela dizendo que ele ainda merecia estar ali.
As novelas que vieram depois, elas tratavam de temas pesados?
Algumas sim. O Clone falava de clonagem, de identidade. América era sobre imigração, sobre deixar coisas para trás. Glória tinha uma forma de escolher histórias que ecoavam o que ambos estavam processando.
Você acha que a audiência percebia essa camada emocional?
Provavelmente não conscientemente. Mas as pessoas sentem quando há verdade por baixo de uma cena. Gazolla não estava fingindo — ele estava vivendo aquelas histórias de reconstrução.
E agora, aos 70 anos, ele ainda está em cena?
Sim. Está em um musical, dividindo palco com gente muito mais jovem. É como se dissesse: "Eu não terminei. A vida não terminou." Isso é o que importa.
Qual é o legado disso tudo?
Que você pode transformar a pior coisa que acontece com você em algo que alimenta seu trabalho. Que relacionamentos profundos podem nascer da dor compartilhada. Que aos 70 anos você ainda pode estar em um palco, vivo.
Il Polso
- A morte de Daniella Perez, aos 22 anos, em dezembro de 1992, deixou Gazolla e Glória Perez unidos por uma ferida que demorou anos a permitir qualquer recomeço conjunto.
- O telefonema de Glória, cerca de uma década depois, rompeu o silêncio com uma frase que valia mais do que um convite: era um sinal de que o luto podia coexistir com a criação.
- A parceria em O Clone rendeu a Gazolla o prêmio de melhor ator coadjuvante em 2002 e inaugurou uma colaboração que atravessaria América, A Força do Querer e Travessia.
- A relação entre ator e autora ultrapassou os sets: Glória o incorporou à família, e Gazolla mantém o vínculo vivo em datas comemorativas e postagens que emocionam fãs.
- Aos 70 anos, Gazolla divide o palco em A Chorus Line no Rio de Janeiro, equilibrando memória e vitalidade enquanto planeja novos musicais e formatos independentes.
Há histórias que só o tempo permite contar — e a de Raul Gazolla e Glória Perez é uma delas. Cerca de dez anos após o assassinato de Daniella Perez em 1992, a autora telefonou ao ator com palavras simples e carregadas de significado: estava pronta para trabalhar com ele. Aquele convite para O Clone, em 2001, não era apenas uma oportunidade profissional; era o gesto silencioso de duas pessoas que escolheram, juntas, transformar a dor em criação. Aos 70 anos, Gazolla segue em cena — no teatro, na televisão e na memória afetiva de quem acompanhou essa travessia.
No programa Encontro da TV Globo, em 1º de dezembro de 2025, Raul Gazolla recordou uma ligação que mudou o rumo de sua vida. Cerca de dez anos após o assassinato de Daniella Perez — sua esposa, morta em dezembro de 1992 aos 22 anos —, Glória Perez o procurou por telefone com uma proposta direta: estava pronta para trabalhar com ele. O convite era para O Clone, novela que estrearia em 2001, e carregava um peso que ia muito além do elenco: representava a possibilidade de reconstrução compartilhada entre dois sobreviventes de uma mesma tragédia.
Gazolla aceitou com entusiasmo. A novela, exibida entre outubro de 2001 e junho de 2002, foi sucesso de audiência e rendeu ao ator o prêmio de melhor ator coadjuvante. Para ele, o retorno às telas tinha sabor de superação — e ele atribuiu à autora o papel essencial nesse processo. A parceria se estendeu por décadas: América, em 2005, A Força do Querer, em 2017, e Travessia, em 2022, onde viveu um personagem moldado, segundo ele próprio, com traços de seu otimismo real.
Mas o que une Gazolla e Glória Perez não cabe inteiramente nos créditos de uma novela. A autora o incorporou à família, e os dois mantêm contato frequente, especialmente em datas que evocam Daniella. Em postagens recentes, Gazolla republicou fotos antigas compartilhadas por Glória, num gesto que comoveu seguidores e revelou a profundidade de um vínculo construído sobre perda e resiliência.
Aos 70 anos, o ator segue ativo. Está em cartaz com A Chorus Line no Rio de Janeiro desde novembro de 2025, dividindo o palco com jovens talentos sob direção de Alonso Méndez. Casado com Fernanda Loureiro desde 2005, ele equilibra teatro, televisão e projetos independentes como podcasts sobre carreira. Gazolla divide a própria vida em "antes e depois de Dani", mas insiste que é o presente — e não apenas a memória — que lhe dá força para continuar.
Raul Gazolla, aos 70 anos, sentou-se diante das câmeras do programa Encontro na segunda-feira, 1º de dezembro de 2025, e trouxe à tona uma lembrança que o marcou profundamente. Cerca de uma década após a morte de Daniella Perez, sua esposa na época, Glória Perez — mãe de Daniella e renomada autora de novelas — o procurou por telefone com uma proposta que mudaria o rumo de sua carreira. "Agora eu já estou pronta para trabalhar com você", disse ela, convidando-o para integrar o elenco de O Clone, que estrearia em 2001. O momento ocorreu no Rio de Janeiro, onde ambos vivem, e representou muito mais que uma simples oportunidade profissional: era um sinal de que a ferida deixada pelo assassinato de Daniella, ocorrido em dezembro de 1992 quando ela tinha apenas 22 anos, começava a cicatrizar de forma que permitisse uma reconstrução conjunta.
O convite chegava após anos de luto compartilhado. Gazolla aceitou com entusiasmo, marcando o início de uma colaboração que se estenderia por décadas. A novela, que abordava temas como clonagem e choques culturais, exigiu atuações intensas e permitiu ao ator explorar nuances emocionais que ecoavam seu próprio momento pessoal. Exibida entre outubro de 2001 e junho de 2002, O Clone alcançou altos índices de audiência e consolidou a dupla. Gazolla interpretou um personagem que lhe permitiu demonstrar sua versatilidade, e o trabalho lhe rendeu o prêmio de melhor ator coadjuvante em 2002. Para ele, a novela representou o retorno às telas após pausas reflexivas, e ele creditou à autora o apoio essencial para superar as barreiras emocionais que ainda o cercavam.
A parceria não se limitou a um único projeto. América, lançada em 2005, ampliou o escopo da colaboração com foco em imigração e sonhos americanos. Gazolla assumiu um papel secundário mas impactante, destacando sua capacidade em cenas dramáticas. A novela das seis explorou contrastes entre Brasil e Estados Unidos, com roteiros que incorporavam pesquisas reais e elementos autobiográficos sutis. Gazolla mencionou em entrevistas posteriores que esses projetos o ajudaram a processar memórias coletivas, enquanto a química com o elenco, incluindo atores como Murilo Benício, fortalecia os bastidores. Doze anos depois, A Força do Querer, em 2017, trouxe Gazolla de volta ao horário nobre, onde viveu um militar em trama sobre identidades e superação, dirigida por Carlos Araújo.
Travessia, de 2022, apresentou um Gazolla mais leve, como dono de academia em Vila Isabel. A novela das nove misturava romance e dilemas digitais, alcançando média de 25 pontos no Ibope. Glória Perez adaptou o personagem para refletir traços do ator — seu otimismo e apoio comunitário — enquanto as gravações ocorriam durante a pandemia, com protocolos rigorosos no Rio de Janeiro. O elenco incluiu nomes como Chay Suede e Giovanna Antonelli, ampliando o alcance da trama. Gazolla elogiou a direção de Amora Mautner pela fluidez das cenas, e a produção reforçou a confiança mútua entre ator e autora, com improvisos que enriqueceram o texto original.
A relação entre Raul Gazolla e Glória Perez transcende o profissional há muito tempo. Após o casamento surpresa com Daniella em 1990, os laços se fortaleceram gradualmente. Glória integrou Gazolla à família, chamando-o de "da família" em relatos posteriores. Eles compartilham memórias de ensaios na casa da autora, onde o romance com Daniella começou. Hoje, conversas frequentes mantêm o vínculo, especialmente em datas comemorativas. Gazolla, em postagens recentes nas redes sociais, republicou fotos antigas compartilhadas por Glória, emocionando fãs e demonstrando a profundidade dessa conexão que inspira projetos futuros.
Aos 70 anos, Gazolla continua ativo. Ele estrela a nova montagem de A Chorus Line, musical que marcou sua estreia nos palcos nos anos 1980. As apresentações ocorrem no Rio de Janeiro com sessões semanais desde novembro de 2025, sob direção de Alonso Méndez. O espetáculo explora sonhos de bailarinos em audições, e Gazolla divide o palco com jovens talentos, transmitindo experiência acumulada. Fora dos holofotes, ele prioriza a família com Fernanda Loureiro, com quem é casado desde 2005, mantendo rotinas equilibradas entre viagens e exercícios. Recentemente, postou imagens de ensaios teatrais, destacando a vitalidade do grupo.
Sua trajetória inclui passagens por emissoras como Record e SBT, mas a Globo domina seu currículo com mais de 30 novelas. Glória Perez, com mais de 20 tramas de sucesso, influenciou gerações com temas sociais, suas obras totalizando bilhões de visualizações em reprises no Globoplay. O legado da dupla reside na resiliência demonstrada diante da tragédia. Gazolla divide a vida em "antes e depois de Dani", mas enfatiza o presente como fonte de força. Projetos independentes, como podcasts sobre carreira, mostram sua abertura a novos formatos. Ele planeja mais musicais, mantendo o foco em narrativas humanas — uma vida que equilibra passado e presente, raízes e renovação.
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Glória Perez convidou Gazolla para O Clone dizendo estar pronta para trabalhar com ele, marcando um recomeço profissional após o trauma familiar de 1992— Raul Gazolla, em entrevista ao programa Encontro