Ratinho Junior conseguiu atrair MDB, Republicanos, PP, União Brasil e PSDB para coligação de Sandro Alex contra Moro, que lidera intenção de voto. Moro se alinha com PL, Novo e família Francischini, arrancados da base governista, enquanto Requião Filho (PDT) aparece em segundo lugar com apoio do PT.
Ratinho Junior monta frente contra Moro com centrão; senador atrai bolsonaristas
Silêncio também é posição e toda posição tem prazo
Por que Ratinho Junior precisou montar uma coligação tão ampla se Moro estava liderando as pesquisas?
Porque liderança em pesquisa não é garantia de vitória. Moro tinha números, mas Ratinho Junior tinha aprovação de 80% junto ao eleitorado. A estratégia era usar essa força para construir uma barreira contra o rival, atraindo siglas que poderiam estar indecisos ou até próximas a Moro.
E por que a família Francischini saiu da base de Ratinho Junior?
Eles queriam estar em um projeto de direita mais explícito. Quando Moro se filiou ao PL, ofereceu exatamente isso — uma plataforma bolsonarista clara, anti-PT. Para a família, que tinha uma trajetória de confronto ideológico, fazia mais sentido estar ali.
Cristina Graeml parece ser a escolha mais controversa. Por quê?
Porque dois anos antes ela havia enfrentado o candidato que Ratinho Junior apoiava na prefeitura de Curitiba. Agora ela estava na chapa dele. A justificativa era atrair bolsonaristas, mas o custo político foi alto — inviabilizou Alvaro Dias, que estava em primeiro lugar nas pesquisas.
Qual era o risco de deixar Alvaro Dias de fora?
Dias representava uma ponte com o eleitorado tradicional. Ao preterê-lo, Ratinho Junior sinalizava que a prioridade era conquistar o voto bolsonarista através de Graeml. Mas isso alienou correligionários como Guto Silva, que esperava ser o sucessor natural.
Como Moro tentava se diferenciar sem atacar Ratinho Junior diretamente?
Evitava críticas ao governador, que tinha aprovação altíssima, mas enumerava problemas locais. E usava símbolos — aquela camiseta "Curitiba prendeu. Brasília soltou" — para manter viva a narrativa anti-PT e pró-Bolsonaro entre seus apoiadores.
A estratégia de Alex de evitar confronto ideológico tinha chance de funcionar?
Dependia de como o eleitorado reagisse. Se o voto fosse sobre gestão e resultados, sim. Mas se a campanha se polarizasse em torno de ideologia, a tentativa de ficar acima da briga poderia parecer fraca ou até evasiva.
El Pulso
- Ratinho Junior atraiu MDB, Republicanos, PP, União Brasil e PSDB para coligação de Sandro Alex
- Sergio Moro lidera pesquisas com apoio de PL, Novo e família Francischini
- Requião Filho (PDT) aparece em segundo lugar com apoio do PT e coligação de esquerda
- Cristina Graeml recebeu vaga ao Senado, inviabilizando candidatura de Alvaro Dias
- Ratinho Junior possui aprovação de 80% junto ao eleitorado
Ratinho Junior conseguiu atrair MDB, Republicanos, PP, União Brasil e PSDB para coligação de Sandro Alex contra Moro, que lidera intenção de voto. Moro se alinha com PL, Novo e família Francischini, arrancados da base governista, enquanto Requião Filho (PDT) aparece em segundo lugar com apoio do PT.
Governador do Paraná articula ampla aliança com centrão em torno de Sandro Alex para enfrentar Sergio Moro, que lidera pesquisas com apoio de bolsonaristas e do Novo.
Quando as convenções partidárias chegaram ao fim em agosto, o governador do Paraná Ratinho Junior havia costurado uma coligação impressionante. Seu candidato à sucessão, o deputado federal Sandro Alex, carregaria consigo as principais siglas do centrão — MDB, Republicanos, PP, União Brasil, PSDB e outras — em uma frente explicitamente montada para enfrentar um rival que liderava as pesquisas de intenção de voto.
Esse rival era o senador Sergio Moro, que havia se filiado ao PL no final de março, trazendo consigo a segunda maior bancada da Assembleia Legislativa do Paraná. A mudança de Moro para o partido do ex-presidente Bolsonaro representou uma ruptura significativa com a base aliada que Ratinho Junior havia construído. Agora, Moro se apresentava como candidato de direita, apoiado pelo Novo de Deltan Dallagnol e pela família Francischini — ambos arrancados da coligação governista. Enquanto isso, o deputado estadual Requião Filho, do PDT, ocupava a segunda posição nas pesquisas, com o apoio de uma coligação de esquerda liderada pelo PT, que incluía também PV, PC do B, PSOL-Rede, PRD e Solidariedade.
A construção da chapa de Alex não foi simples. Ratinho Junior precisou negociar com cuidado para evitar que outros nomes fortes concorressem ao governo e fragmentassem a oposição a Moro. O deputado estadual Alexandre Curi, presidente da Assembleia, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca foram convencidos a sair da corrida ao Palácio Iguaçu. Curi aceitou uma vaga ao Senado, enquanto Greca concordou em ser vice-governador de Alex — uma posição que o colocava atrás do emedebista nas pesquisas mais recentes. A apresentadora e comentarista política Cristina Graeml foi trazida para o PSD e recebeu a segunda vaga ao Senado, uma escolha que inviabilizou a candidatura do ex-senador Alvaro Dias, que havia aparecido em primeiro lugar nas pesquisas quando estava na dobradinha com Greca.
A presença de Graeml na chapa gerou desconforto visível. Dois anos antes, ela havia disputado a Prefeitura de Curitiba contra Eduardo Pimentel, candidato apoiado por Ratinho Junior e Greca, em uma campanha acirrada onde Graeml, vinda da direita radical bolsonarista, levou a disputa para o segundo turno. Agora, o governador a descrevia como um talento da nova safra política paranaense, justificando a escolha por valores em comum como proteção da propriedade privada e liberdade econômica. A mudança de postura não passou despercebida. Alvaro Dias, ao sair da disputa, publicou um comunicado refletindo sobre como a política atual prevalecia arranjos e composições sobre vontades individuais. Guto Silva, ex-secretário das Cidades e braço direito de Ratinho Junior durante seus dois mandatos, que havia sido o nome mais cotado para a sucessão até o início do ano, mantinha-se agora distante do grupo. Ele escreveu nas redes sociais que silêncio também era posição, e toda posição tinha prazo.
A estratégia de campanha de Alex se concentrava em evitar o confronto ideológico. Em vídeos distribuídos em julho, Ratinho Junior enfatizava que o Paraná havia crescido porque não entrou em brigas ideológicas sem sentido. Alex repetia que a função do governador não era destruir, e que política não se fazia com discurso de ódio. O slogan do grupo era "Seguimos em frente unidos e em paz". Essa abordagem contrastava com a de Moro, que tentava entusiasmar a militância bolsonarista sem abandonar as pautas paranaenses. Durante a convenção do PL estadual, Moro usou uma camiseta com a frase "Curitiba prendeu. Brasília soltou", em referência aos processos de Lula na Operação Lava Jato, e defendeu a liberdade de Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.
A aliança de Moro incluía o Novo, o Podemos e a Democracia Cristã. Seus candidatos ao Senado eram o deputado federal Filipe Barros e Deltan Dallagnol, ambos defensores de pautas conservadoras e críticos ferrenhos do presidente Lula. A família Francischini, que havia migrado de Ratinho Junior para Moro, representava a bandeira anti-PT nessa coligação. Fernando Francischini, primeiro deputado cassado pelo TSE por espalhar fake news, se filiou ao PL e pretendia concorrer a deputado federal. Sua esposa, Flávia, deputada estadual, fez o mesmo movimento e buscava a reeleição com olhos na presidência da Assembleia em caso de vitória de Moro. O filho, Felipe Francischini, deputado federal, havia assumido o comando do Podemos e declarou à Folha que se filiou ao projeto porque queria estar em um projeto de direita estadual e nacional.
Além desses três nomes principais, o advogado Luiz França, pelo Missão, e o professor Samuel Mattos, do PSTU, também concorriam ao governo. A campanha eleitoral começaria em 16 de agosto, e as tensões internas na coligação de Ratinho Junior já sinalizavam que a composição da chapa, apesar de ampla, carregava conflitos que poderiam marcar a reta final.
Citas Notables
Aprendi que nenhuma candidatura se sustenta apenas na vontade de um homem ou da opinião pública. Na política atual, prevalecem os arranjos, as composições e a vontade dos políticos— Alvaro Dias, ao sair da disputa ao Senado
Fomos [na aliança] porque queremos estar num projeto de direita estadual e nacional. Sempre caminhei com a direita em todas as eleições— Felipe Francischini, deputado federal