Ranking de Harvard aponta cidades do Norte como as mais desafiadoras para viver no Brasil

Milhões de brasileiros vivem em cidades com acesso inadequado a serviços básicos, nutrição, saúde e oportunidades econômicas equitativas.
Geografia da exclusão mapeada em números que não mentem
O estudo revela que dez das vinte cidades com piores condições de vida ficam concentradas na região Norte do Brasil.
Mark

Por que Harvard se importa com cidades pequenas no Pará e em Roraima?

Mimi

Porque desigualdade em escala local é um indicador de saúde nacional. Se você quer entender um país, não olha só para as capitais. Olha para os lugares que ninguém vê.

Mark

O que diferencia esse índice de Harvard de outros rankings que medem pobreza?

Mimi

Ele não usa dinheiro como medida. Usa 57 indicadores diferentes — nutrição, água potável, direitos pessoais, segurança. Uma cidade pode ter gente pobre mas com acesso a saúde. Outra pode ter um pouco mais de renda mas ninguém tem água limpa. O índice captura essa realidade complexa.

Mark

Uiramutã ficou com 37 pontos. O que isso significa na prática para quem vive lá?

Mimi

Significa que em quase todas as dimensões de bem-estar — saúde, educação, infraestrutura, oportunidades — há falha sistemática. Não é um problema. São vários problemas acontecendo ao mesmo tempo, sem solução à vista.

Mark

Por que o Pará aparece tantas vezes na lista?

Mimi

Porque é uma região de fronteira, historicamente negligenciada. Tem recursos naturais, mas o investimento público nunca chegou de forma integrada. Você tem extração de madeira, mineração, mas não tem escola decente, não tem hospital, não tem saneamento.

Mark

O que o governo deveria fazer com essas informações?

Mimi

Usar como mapa. Saber exatamente onde intervir e em quê. Mas intervenção real, integrada — não apenas dinheiro solto. Infraestrutura, educação, saúde, tudo junto. Caso contrário, o ranking vai ser igual daqui a dez anos.

  • Uiramutã registra apenas 37,63 pontos em 100 possíveis, sinalizando falha generalizada em quase todas as dimensões do bem-estar humano.
  • Dez das vinte cidades mais vulneráveis do Brasil estão no Norte, com o Pará concentrando o maior número de municípios na lista — um padrão que não é coincidência, mas herança estrutural.
  • O índice avalia 57 indicadores simultâneos — de nutrição e qualidade da água a direitos pessoais e oportunidades econômicas — tornando impossível atribuir o problema a uma única causa.
  • Pesquisadores alertam que sem políticas públicas integradas e intervenção governamental efetiva, o ciclo de abandono tende a se perpetuar nas regiões mais isoladas.
  • O estudo funciona como um alarme: milhões de brasileiros vivem em cidades onde acesso a serviços essenciais é privilégio, não direito garantido.

Em um país de dimensões continentais, um estudo de 2024 baseado no Índice de Progresso Social revelou o que mapas econômicos costumam esconder: há cidades brasileiras onde o básico — água, saúde, escola, segurança — simplesmente não chega. Uiramutã, em Roraima, ocupa o último lugar de um ranking que não mede riqueza, mas dignidade. A concentração das piores condições na região Norte não é acidente; é o rosto contemporâneo de uma desigualdade construída ao longo de séculos.

Em 2024, um mapeamento inédito revelou as cidades brasileiras onde a vida é mais difícil — não pela renda de seus habitantes, mas pela ausência do que deveria ser universal: água limpa, saúde, educação, segurança. A ferramenta utilizada foi o Índice de Progresso Social, desenvolvida pelo professor Michael Porter, de Harvard, e aplicada no Brasil pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia em parceria com outras organizações.

Uiramutã, pequena cidade de Roraima, ficou em último lugar com 37,63 pontos. O número não traduz apenas pobreza econômica — traduz a ausência brutal de infraestrutura e serviços essenciais em praticamente todas as dimensões medidas pelo índice, que contempla 57 indicadores, de nutrição e qualidade da água a inclusão social e oportunidades econômicas.

O padrão que emerge dos dados é revelador: metade das vinte cidades com piores condições de vida está na região Norte. O Pará concentra vários desses municípios — Trairão, Bannach, Jacareacanga, Cumaru do Norte, entre outros. Roraima aparece quatro vezes. Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Maranhão e Acre completam o quadro. Não se trata de coincidência geográfica, mas de uma exclusão historicamente construída.

Os pesquisadores são diretos: o Brasil enfrenta um problema de escala regional. Enquanto algumas cidades avançam, outras permanecem presas em ciclos de desinvestimento e abandono. A saída, apontam, exige mais do que recursos financeiros — demanda políticas públicas integradas que ataquem as raízes do problema. O ranking é um aviso que não pode ser ignorado.

Um estudo divulgado em 2024 mapeou as cidades brasileiras onde a vida é mais difícil — não pela renda das pessoas, mas pela falta de coisas que todo mundo deveria ter: água limpa, comida, médicos, escola, segurança. O trabalho usou uma ferramenta chamada Índice de Progresso Social, desenvolvida ao longo de uma década pelo professor Michael Porter, de Harvard, e aplicada aqui pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia em parceria com outras organizações. O resultado é um retrato que concentra a pobreza e o abandono em um lugar específico do país.

Uiramutã, uma pequena cidade em Roraima, ficou em último lugar. Com apenas 37,63 pontos em uma escala que mede bem-estar sem levar em conta quanto dinheiro as pessoas ganham, a cidade exemplifica um problema maior: a falta brutal de infraestrutura e serviços essenciais. Não é questão de economia fraca. É questão de não ter o básico.

O padrão que emerge dos dados é perturbador. Das vinte cidades com as piores condições de vida no Brasil, dez ficam no Norte — uma região que carrega séculos de desigualdade estrutural. O Pará sozinho concentra vários desses municípios: Trairão, Bannach, Jacareacanga, Cumaru do Norte, Pacajá, Uruará, Portel, Anapu. Roraima aparece quatro vezes. Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Maranhão e Acre completam a lista. Não é coincidência. É geografia da exclusão.

O Índice de Progresso Social mede 57 indicadores diferentes — nutrição, saúde, qualidade do ar e da água, direitos pessoais, inclusão social, oportunidades econômicas. Quando uma cidade fica com 37 ou 40 ou 43 pontos, significa que em quase todas essas dimensões há falha. As pessoas não têm acesso igualitário a nada. Não é um problema isolado. É um sistema que não funciona.

O que o estudo deixa claro é que o Brasil tem um problema de escala regional. Enquanto algumas cidades prosperam, outras ficam presas em um ciclo de falta de investimento, falta de infraestrutura, falta de oportunidades. Os pesquisadores apontam para a necessidade urgente de intervenção governamental — não apenas dinheiro, mas políticas públicas integradas que enfrentem a raiz do problema. Sem isso, milhões de brasileiros continuarão vivendo em cidades onde o acesso a serviços básicos é um privilégio, não um direito. O ranking é um aviso que não pode ser ignorado.

A falta de acesso a serviços básicos e de oportunidades econômicas sublinha a necessidade urgente de intervenções governamentais
— Estudo do Índice de Progresso Social 2024
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