Nas bordas da metrópole paulistana, onde o asfalto encontra o cotidiano apressado de milhões, máquinas dotadas de visão artificial passaram a observar o que o olho humano frequentemente ignora: o cinto desafivelhado, o celular empunhado ao volante. Em apenas um mês, entre os quilômetros 17 e 18 da Raposo Tavares, esse olhar silencioso resultou em 2.316 multas — um retrato estatístico dos riscos que a rotina normaliza. A experiência levanta uma questão que transcende o tráfego: até onde a vigilância algorítmica, ainda que supervisionada por humanos, redefine o contrato entre o Estado e o cidadã