Quem ganha e quem perde na B3 com a eleição de Lula ou Flávio Bolsonaro

A Bolsa negocia o futuro antes de ele acontecer.
Alerta final da análise sobre investidores que comemoram antes da apuração do segundo turno.
Mark

Por que essas quatro ações subiram tanto numa única semana?

Mimi

Segundo a análise, o mercado passou a enxergar a possibilidade de mudança na condução econômica. Magazine Luiza subiu 60,58%, Vamos 44,73%, MRV 38,9% e Localiza 31,41%.

Mark

E o que isso diz sobre o segundo turno?

Mimi

Que boa parte da expectativa já pode estar no preço. O autor lembra que a Bolsa negocia o futuro antes de ele acontecer.

Luke

Vale separar: os percentuais são fatos de mercado, mas a leitura de que a alta vem da aposta em mudança é interpretação do analista.

Mark

Então uma vitória de Flávio garante novas altas?

Mimi

Não. O texto diz que sinais fiscais consistentes sustentariam a tese, mas mesmo assim pode haver realização de lucros.

Luke

E o cenário com Lula é projeção. Ele diz que considera plausível uma reação inicial negativa, não que ela esteja confirmada.

Mark

Há empresas que podem ganhar com Lula?

Mimi

Cogna e Yduqs, pelo Fies, e MRV e Direcional, pelo Minha Casa, Minha Vida. Mas o autor pede cautela: programa público não vira lucro automático.

Luke

Nada no texto indica mudanças concretas nesses programas. São hipóteses de ampliação ou alteração, ainda sem anúncio citado.

  • Magazine Luiza, Vamos, MRV e Localiza dispararam em poucos dias, com altas que chegaram perto de 60%, e isso pegou muita gente de surpresa.
  • O Ibovespa subiu junto, e a comemoração antecipada ameaça virar realização de lucros mesmo se o resultado final agradar ao mercado.
  • Uma vitória de Lula pode pressionar dólar e juros futuros, com temor de continuidade da deterioração fiscal, enquanto empresas ligadas ao Fies e ao Minha Casa, Minha Vida buscam se proteger.
  • Flávio Bolsonaro, se vier com sinalizações fiscais consistentes, sustentaria a tese de novas altas, mas precisaria comprovar rapidamente o ajuste nas contas.
  • A palavra final do analista é de cautela: a Bolsa negocia o futuro antes de ele acontecer, e o preço de hoje já embute expectativas.

Numa semana em que a Bolsa brasileira subiu com força logo após o primeiro turno, a análise de Fabrizio Gueratto no Estadão lembra que o mercado costuma antecipar o que ainda não aconteceu. Ao examinar os dois desfechos possíveis do segundo turno, Flávio Bolsonaro ou Lula, o texto mostra que a eleição mexe menos com uma suposta divisão ideológica das carteiras e mais com juros, câmbio, crédito e políticas públicas que atingem empresas de forma desigual. Trata-se, em essência, de um lembrete de que o otimismo de hoje ainda depende de promessas e de contas que precisarão ser provadas.

Na primeira semana depois do primeiro turno, a Bolsa brasileira viveu uma disparada que poucos esperavam. Magazine Luiza subiu 60,58%, Vamos avançou 44,73%, MRV ganhou 38,9% e Localiza valorizou 31,41%. O movimento acompanhou a alta do Ibovespa e mostrou, mais uma vez, como o mercado reage quando enxerga a chance de mudança na condução econômica.

Fabrizio Gueratto, em análise publicada no Estadão, examina o que pode acontecer caso o segundo turno termine com Flávio Bolsonaro ou Lula. Para ele, a eleição é um teste de resistência tanto para o coração quanto para o bolso do investidor.

Uma vitória de Flávio, acompanhada de sinais fiscais consistentes, poderia sustentar novas altas, sobretudo em segmentos ligados ao crédito e ao consumo. Mas uma boa tese não garante dinheiro no bolso, e valorizações desse tamanho podem gerar realização de lucros mesmo com um resultado favorável.

Já a vitória de Lula é tratada com mais cautela. Gueratto vê possível reação inicial negativa, com pressão sobre o dólar e alta dos juros futuros, principalmente se a deterioração fiscal parecer continuar. Ainda assim, nem todas as ações cairiam, porque algumas empresas dependem de programas, subsídios e crédito direcionado.

Na educação, Cogna e Yduqs chamam atenção pelas possíveis mudanças no Fies. Na construção civil, MRV e Direcional têm exposição ao Minha Casa, Minha Vida. O analista lembra, porém, que programas públicos não se convertem automaticamente em lucro para acionistas.

A conclusão é que não existe uma carteira de direita e outra de esquerda, e sim empresas expostas a juros, câmbio, consumo e decisões públicas. Como lembra o alerta final, a Bolsa negocia o futuro antes de ele acontecer.

Na primeira semana depois do primeiro turno, quatro ações da B3 registraram altas que poucos investidores esperavam ver em tão pouco tempo: Magazine Luiza (MGLU3) subiu 60,58%, Vamos (VAMO3) avançou 44,73%, MRV (MRVE3) ganhou 38,9% e Localiza (RENT3) valorizou 31,41%. O movimento acompanhou a disparada do Ibovespa e deu o tom de uma disputa em que a Bolsa já mostrou como reage quando enxerga a chance de uma mudança na condução econômica.

É nesse cenário que o analista Fabrizio Gueratto, em texto de análise publicado no Estadão, examina o que pode acontecer com o mercado se o segundo turno terminar com a vitória de Flávio Bolsonaro ou de Lula. Ele descreve a eleição como um teste de resistência para o coração e o bolso do investidor brasileiro.

A festa, segundo a análise, não ficou restrita às ações de consumo e mobilidade. XP, BTG e a própria B3 estão ligadas, em graus diferentes, ao volume de investimentos, às operações financeiras e à disposição dos investidores de assumir riscos. Juros longos menores tornam a renda variável mais atraente, estimulam emissões e favorecem a atividade do mercado de capitais. As quatro empresas que mais subiram na semana têm sensibilidades distintas ao crédito, ao consumo e ao custo de capital.

Se Flávio vencer e vier acompanhado de sinalizações fiscais consistentes, a tese de novas altas se sustentaria, sobretudo nesses segmentos. O autor, porém, faz uma ressalva: uma boa tese não equivale a dinheiro garantido. Depois de valorizações dessa magnitude, mesmo um resultado considerado favorável pelo mercado corre o risco de provocar realização de lucros.

O cenário de vitória de Lula é tratado com mais cautela. Gueratto considera plausível uma reação inicial negativa da Bolsa, com pressão sobre o dólar e abertura dos juros futuros, principalmente se os investidores enxergarem continuidade da deterioração fiscal. Mas ele descarta a ideia de que todas as ações cairiam, porque há empresas cujo desempenho depende também de programas governamentais, subsídios e expansão do crédito direcionado.

Na educação, Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3) merecem atenção diante da possibilidade de mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e em outras políticas de financiamento estudantil. Na construção civil, MRV (MRVE3) e Direcional (DIRR3) têm exposição a segmentos habitacionais beneficiados pelo Minha Casa, Minha Vida. Uma ampliação do programa, de suas faixas de renda ou de seus mecanismos de financiamento abriria oportunidades específicas. O analista ressalta, no entanto, que programas públicos não se transformam automaticamente em lucro para os acionistas.

A conclusão do texto é que não existe uma carteira de ações de direita e outra de esquerda. O que existe são empresas expostas a juros, câmbio, consumo, crédito, decisões regulatórias e políticas públicas. Uma vitória de Flávio pode ser vista por parte do mercado como chance de ajuste fiscal e redução do prêmio de risco, mas exigiria comprovação rápida. Uma de Lula poria as contas públicas sob escrutínio, ao mesmo tempo em que abriria espaço para avaliar companhias favorecidas por medidas específicas.

O alerta final é o que muita gente esquece ao comemorar antes da apuração: a Bolsa negocia o futuro antes de ele acontecer.

Não existe uma carteira de ações de direita e outra de esquerda; existem empresas expostas a juros, câmbio, consumo, crédito e políticas públicas.
— Fabrizio Gueratto, analista, no Estadão
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