Quatro candidatas trans concentram 83% dos ataques LGBTfóbicos no Instagram

Candidatas LGBTQIA+, particularmente mulheres trans e travestis, sofrem assédio coordenado e ataques sistemáticos em redes sociais durante período eleitoral.
Recursos públicos não deveriam financiar crimes
Diretor do Instituto Plena Cidadania questiona se campanhas financiadas publicamente estão pagando por ataques LGBTfóbicos.
Mark

Então 13 mil comentários ofensivos em uma rede social durante uma campanha — isso é muito ou é o esperado?

Mimi

Esperado não é a palavra certa. É sistemático. O que chama atenção não é só o volume, mas a concentração: quatro mulheres absorvem 83% disso tudo.

Luke

Mas a gente sabe quantos comentários positivos ou neutros essas candidatas recebem? Sem esse contexto, 13 mil pode ser uma gota ou uma enchente.

Mimi

Ótima pergunta. O relatório não oferece essa proporção. O que temos é o padrão: mais de 11 mil contas envolvidas, o que sugere que não é um grupo pequeno de trolls.

Mark

E esse episódio dos 63 perfis reproduzindo a mesma mensagem em três minutos — isso prova coordenação?

Mimi

Prova que há um padrão suspeito. Mas o Instituto diz que demanda investigação, não que já está comprovado. É um sinal de alerta.

Luke

Quem investigaria isso? Instagram? Polícia? Tribunal eleitoral? Porque se ninguém tem autoridade clara, fica sendo só um dado preocupante sem consequência.

Mimi

Essa é a lacuna real. O Instituto levantou a questão sobre financiamento público de crimes, mas não está claro quem tem poder para agir.

Mark

As quatro candidatas — todas são mulheres trans. Isso é coincidência ou há algo específico que as torna alvo?

Mimi

Não é coincidência. Mulheres trans em posição de poder político são uma ameaça simbólica para quem quer manter as estruturas como estão. Elas não são apenas candidatas; são símbolos.

Luke

Mas o relatório não oferece análise do conteúdo dos ataques, certo? Não sabemos se é LGBTfobia pura, misoginia, racismo, ou uma mistura.

Mimi

Exato. Sabemos que 92,7% dos ataques visam candidaturas femininas e 83,6% visam pessoas negras. Mas a intersecção entre esses fatores não está desagregada.

  • Mais de 11 mil contas diferentes dispararam 13 mil comentários ofensivos contra candidaturas LGBTQIA+ desde o início do período eleitoral — uma mobilização que vai muito além do ódio espontâneo.
  • Quatro candidatas trans e travestis a deputada federal concentram 83% de todos os ataques registrados, revelando que a violência política tem alvos precisos e identidades específicas.
  • Em um único episódio, 63 perfis reproduziram a mesma mensagem em menos de três minutos — um sinal de ação coordenada que exige investigação sobre quem organiza e financia esses ataques.
  • A intersecção entre gênero, identidade de gênero e raça define quem sofre: 92,7% dos ataques miram candidaturas femininas e 83,6% envolvem pessoas negras.
  • O Instituto Plena Cidadania alerta que, se recursos públicos de campanha estão sendo usados para financiar atos que configuram LGBTfobia — crime no Brasil —, a violação ultrapassa as redes sociais e contamina o próprio processo eleitoral.

Em cada ciclo eleitoral, a democracia é testada não apenas nas urnas, mas nos espaços onde a palavra circula livremente — ou deveria circular. No Brasil de 2026, uma plataforma de monitoramento chamada Sentinela documentou 13 mil comentários ofensivos contra candidatas e candidatos LGBTQIA+ no Instagram, com quatro mulheres trans e travestis concentrando a maior parte dos ataques. O que emerge não é apenas ódio disperso, mas um padrão que levanta perguntas sobre coordenação, financiamento público e os limites do que uma democracia pode tolerar em nome da liberdade de expressão.

Desde o início do período eleitoral, a plataforma Sentinela, mantida pelo Instituto Plena Cidadania, registrou 13 mil comentários ofensivos contra candidatas e candidatos LGBTQIA+ no Instagram. Mais de 11 mil contas diferentes estão por trás desses ataques — um volume que aponta tanto para uma mobilização ampla quanto para possível coordenação deliberada.

A concentração dos casos é reveladora: quatro mulheres trans e travestis que disputam vagas de deputada federal — Erika Hilton, Duda Salabert, Benny Briolly e Thabatta Pimenta — absorvem 83% de todos os registros. Candidaturas femininas são alvo de 92,7% dos ataques, e pessoas negras aparecem em 83,6% dos casos. A violência política, aqui, não é aleatória — ela segue as linhas da marginalização histórica.

Um episódio analisado pela plataforma ilustra a suspeita de coordenação: 63 perfis reproduziram exatamente a mesma mensagem em um intervalo de cerca de três minutos. Para o Instituto Plena Cidadania, a simultaneidade e a uniformidade não parecem acidentais e exigem investigação sobre quem organiza esses ataques e com qual objetivo.

Gui Mohallem, da direção executiva do instituto, foi além do diagnóstico do assédio digital. No Brasil, LGBTfobia é crime. O financiamento de campanha é público. Se esses recursos estão sendo usados para sustentar atividades criminosas, a violação toca a integridade do processo eleitoral como um todo — não apenas a segurança de quem está nas redes.

A Sentinela foi criada para mapear e combater a Violência Política de Gênero e Raça LGBTfóbica, combinando inteligência artificial com mobilização social. O que seus dados revelam neste ciclo eleitoral não é apenas uma estatística — é um padrão sistemático de silenciamento contra quem ousou ocupar espaços historicamente negados.

Desde o início do período eleitoral, uma plataforma de monitoramento chamada Sentinela, mantida pelo Instituto Plena Cidadania, documentou 13 mil comentários ofensivos dirigidos a candidatas e candidatos LGBTQIA+ no Instagram. Por trás desses ataques estão mais de 11 mil contas diferentes, um número que sugere uma mobilização ampla e dispersa — ou, em alguns casos, coordenada de forma deliberada.

O padrão dos ataques revela uma concentração notável. Quatro mulheres trans e travestis que concorrem a deputada federal — Erika Hilton pelo PSOL em São Paulo, Duda Salabert pelo PSOL em Minas Gerais, Benny Briolly pelo PT no Rio de Janeiro e Thabatta Pimenta pelo PV no Rio Grande do Norte — absorvem 83% de todos os casos registrados. Quando se olha para o universo mais amplo, candidaturas femininas são alvo de 92,7% dos ataques, enquanto pessoas negras aparecem em 83,6% dos registros. A intersecção entre gênero, identidade de gênero e raça marca profundamente quem sofre esse tipo de violência política.

Em um episódio específico analisado pela plataforma, 63 perfis diferentes reproduziram exatamente a mesma mensagem em um intervalo de cerca de três minutos. Esse padrão não parece acidental. Segundo o Instituto Plena Cidadania, a simultaneidade e a uniformidade sugerem uma ação coordenada, o que demanda investigação mais aprofundada sobre quem está organizando esses ataques e com que objetivo.

A questão ganha dimensão adicional quando se considera o financiamento das campanhas. Gui Mohallem, da direção executiva do Instituto Plena Cidadania, levantou uma preocupação que vai além do assédio nas redes: no Brasil, LGBTfobia é crime. O financiamento de campanha é público. Se recursos públicos estão sendo utilizados para financiar atividades que constituem crime, há uma violação que transcende o âmbito das redes sociais e toca a integridade do processo eleitoral.

A Sentinela foi criada especificamente para mapear, analisar e combater o que se chama de Violência Política de Gênero e Raça LGBTfóbica. A plataforma combina inteligência artificial com inteligência coletiva, dados com mobilização social, e proteção digital com redes humanas de cuidado. Seu trabalho durante este período eleitoral documenta não apenas números, mas um padrão sistemático de silenciamento direcionado a candidatas que ocupam posições historicamente marginalizadas na política brasileira.

No Brasil LGBTfobia é crime e o financiamento de campanha é público. Recursos públicos não deveriam ser usados para financiar crimes.
— Gui Mohallem, diretor executivo do Instituto Plena Cidadania
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