Quase toda a Europa em confinamento para combater pandemia

As restrições causam impacto significativo na vida quotidiana, com encerramento de escolas, negócios e limitação de contactos sociais, gerando manifestações de protesto em vários países.
O desagravamento das medidas é agora possível por causa do comportamento responsável
O primeiro-ministro grego justifica a reabertura de comércio após dois meses de confinamento.

Em janeiro de 2021, a Europa vivia uma das suas horas mais uniformes e ao mesmo tempo mais fragmentadas: quase todos os países haviam regressado ao confinamento, cada um à sua maneira, enquanto líderes reuniam por videoconferência para tentar costurar uma resposta comum a uma pandemia que não reconhecia fronteiras. Era o momento em que a tensão entre a soberania nacional e a necessidade de coesão continental se tornava mais visível — e em que o peso das restrições sobre a vida quotidiana começava a transformar-se em resistência nas ruas.

  • Novas variantes do vírus aceleraram o endurecimento das medidas em quase toda a Europa, forçando governos a antecipar recolheres obrigatórios e a fechar setores inteiros da economia.
  • A falta de coordenação entre países ameaçava o mercado interno europeu e a vida de trabalhadores transfronteiriços, pressionando a UE a harmonizar regras numa cimeira de emergência.
  • Portugal, França, Reino Unido, Itália e Espanha impunham restrições severas, enquanto Grécia e Suécia nadavam contra a corrente e começavam a aliviar algumas medidas.
  • Em países como a Áustria, a fadiga das restrições transformou-se em protestos nas ruas, com manifestantes a exigir reabertura e até a demissão de governos.
  • A Europa procurava um equilíbrio cada vez mais instável entre conter o vírus, preservar os sistemas de saúde e evitar o colapso económico e social.

No dia 21 de janeiro de 2021, enquanto líderes europeus se reuniam por videoconferência para debater uma resposta coordenada à pandemia, o continente apresentava um panorama quase uniforme: o confinamento tinha voltado a ser a norma. De Lisboa a Riga, governos reforçavam restrições para conter o avanço do vírus e das suas novas variantes, mas as diferenças na execução ameaçavam o funcionamento do mercado interno e a mobilidade de quem cruzava fronteiras diariamente.

Em Portugal, o confinamento foi prolongado até meados de fevereiro, com escolas, comércio não-essencial, restaurantes e espaços de lazer encerrados. O uso de máscara cirúrgica tornou-se obrigatório nos transportes e estabelecimentos, e o teletrabalho foi recomendado até março. Na Bélgica, as regras variavam por região, com recolheres obrigatórios mais ou menos rígidos conforme a zona. A França antecipou o recolher para as seis da tarde e chegou a ponderar proibir voos do Reino Unido, África do Sul e América do Sul. No Reino Unido, o confinamento nacional em vigor desde 6 de janeiro fechava escolas e a maioria do comércio, com exceções apenas para necessidades essenciais.

Itália via algumas regiões, como a Lombardia e a Sicília, em confinamento total. Em Espanha, as comunidades autónomas multiplicavam medidas próprias, com alguns dirigentes a pedir ao governo central que fosse mais longe. Na Dinamarca, o semi-confinamento em vigor desde dezembro foi reforçado com a proibição de reuniões de mais de cinco pessoas, enquanto a Letónia mantinha estado de emergência e a Lituânia entrava em confinamento geral por pelo menos um mês.

Em contraciclo, a Grécia reabriu grande parte do comércio após mais de dois meses de restrições, com o primeiro-ministro a elogiar o comportamento responsável da população durante o Natal. A Suécia também começava a suavizar algumas recomendações. Mas noutros países, a fadiga das restrições já se traduzia em protestos: na Áustria, manifestantes sem máscara exigiam reabertura e a demissão do governo, levando o parlamento a reforçar os poderes das autoridades para multar infratores.

A tensão entre o controlo epidemiológico e o impacto económico e social era palpável em todo o continente, com a Europa a tentar encontrar um equilíbrio cada vez mais difícil de sustentar.

No dia 21 de janeiro de 2021, enquanto líderes europeus se preparavam para uma cimeira por videoconferência, o continente enfrentava uma realidade quase uniforme: o confinamento tinha voltado a ser a regra. De Lisboa a Riga, de Dublin a Atenas, governos reforçavam restrições para conter uma pandemia que se agravava com o surgimento de novas variantes do vírus. A discussão em Bruxelas teria um objetivo claro — tentar harmonizar respostas que, apesar de semelhantes na intenção, divergiam drasticamente na execução, ameaçando o funcionamento do mercado interno e a vida dos trabalhadores que cruzavam fronteiras diariamente.

Em Portugal, o confinamento foi prolongado até 14 de fevereiro, com escolas e jardins de infância fechados, assim como grande parte do comércio, bares, restaurantes, hotéis, ginásios, teatros e cinemas. O governo tornou obrigatório o uso de máscaras cirúrgicas nos transportes públicos e estabelecimentos comerciais, recomendando o teletrabalho até pelo menos 15 de março. Os contactos sociais foram severamente limitados — apenas moradores da mesma casa podiam reunir-se, com exceção de uma pessoa de fora. Testes obrigatórios foram exigidos para viajantes transfronteiriços. Na Bélgica, a situação variava conforme a região. Enquanto o país mantinha um recolher obrigatório entre a meia-noite e as cinco da manhã, Valónia e Bruxelas impunham regras mais duras, proibindo as pessoas de sair à rua entre as dez da noite e as seis da manhã. Restaurantes e cafés permaneciam fechados até 1 de março. O governo federal belga desaconselhava viagens ao estrangeiro e exigia testes negativos para quem regressava de zonas vermelhas.

A França tinha antecipado o recolher obrigatório das oito da noite para as seis da tarde, mantendo-o até às seis da manhã, pelo menos até 10 de fevereiro. O governo, então demissionário, pedia ao parlamento aprovação para estas medidas, descrevendo o país como estando "num momento crucial para a segurança de todos, para a saúde pública nacional". Além disso, pretendia proibir todos os voos procedentes do Reino Unido, África do Sul e da região da América do Sul durante um mês. Os elevadores das estações de esqui não abririam durante as férias escolares de fevereiro, afastando os franceses da prática de desportos de inverno. No Reino Unido, o confinamento nacional tinha entrado em vigor em 6 de janeiro, com exceções apenas para compras de bens essenciais, trabalho que não pudesse ser feito remotamente, assistência médica ou exercício. As escolas passaram a fazer ensino à distância, permanecendo abertas apenas para filhos de trabalhadores de serviços críticos ou crianças vulneráveis. A maioria do comércio e atividades de lazer estava fechada, embora fosse permitida a recolha de compras feitas pela internet e a venda de refeições para fora.

Em Itália, a maioria das regiões enfrentava restrições como encerramento de comércio e restaurantes, exceto para entregas ao domicílio até às dez da noite. As regiões da Lombardia, Bolzano e a ilha da Sicília estavam em confinamento total. Espanha, onde a saúde é descentralizada, via praticamente todas as comunidades autónomas anunciar novas medidas. Madrid, por exemplo, antecipou o recolher obrigatório da meia-noite para as onze da noite, exigindo que apenas membros do agregado familiar entrassem em casa. Restaurantes e similares fechavam às dez da noite durante pelo menos 14 dias. Alguns dirigentes temiam que estas medidas não fossem suficientes e apelavam ao governo central para considerar voltar a impor confinamento domiciliário.

Em contraciclo com quase toda a Europa, a Grécia reabriu, após mais de dois meses de confinamento, quase toda a atividade comercial a partir de segunda-feira, mediante certas restrições. O primeiro-ministro afirmou no parlamento que o desagravamento era possível devido ao comportamento responsável da população durante o Natal. O número de pessoas dentro das lojas seria limitado a uma por cada 25 metros quadrados, e quem quisesse sair para fazer compras teria de enviar uma mensagem de texto através de um serviço das autoridades, devendo regressar a casa no prazo de duas horas. Cabeleireiros e salões de beleza podiam funcionar apenas com marcações prévias, mas ginásios permaneciam fechados. A Suécia também começava a flexibilizar algumas restrições, com a primeira-ministra anunciando que a recomendação para evitar receber visitas em casa estava suspensa.

Na Dinamarca, o país estava em semi-confinamento desde meados de dezembro, com proibição de reuniões de mais de cinco pessoas a partir de 6 de janeiro, quer em casa quer na rua, aumentando a distância a respeitar entre pessoas de um para dois metros. O governo pediu à população para evitar contactos sociais a fim de preservar o sistema de saúde face à multiplicação de infeções da variante britânica, mas ainda não tinha determinado um recolher obrigatório, considerando-o "o último recurso". A Letónia estava em estado de emergência desde 10 de novembro, com fortes restrições à livre circulação e isolamento profilático de 14 dias para todos os viajantes. A Lituânia entrou em confinamento geral no dia 15 por pelo menos um mês, mantendo as escolas em funcionamento mas impondo recolher obrigatório com exceções para votação nas eleições presidenciais, compra de bens essenciais, trabalho e atividade física ao ar livre. O teletrabalho era obrigatório sempre que as funções o permitissem.

Em vários países, as restrições geravam protestos. Na Áustria, manifestantes, muitos sem máscara e sem cumprir distanciamento físico, exigiam a reabertura de bares, restaurantes e lojas, pedindo mesmo a demissão do governo. O agravamento da situação epidemiológica levou o parlamento a dar poderes ao governo para fechar estabelecimentos e multar quem não cumprisse as restrições. Na Suíça, o governo decidiu restringir ajuntamentos em ginásios ou centros comerciais, mas excluía, para já, a imposição de confinamento ou encerramento de estabelecimentos. A tensão entre controlo epidemiológico e impacto económico e social era palpável em todo o continente, com líderes europeus tentando encontrar um equilíbrio cada vez mais difícil de manter.

O país encontra-se num momento crucial para a segurança de todos, para a saúde pública nacional
— Primeiro-ministro francês, justificando recolher obrigatório prolongado
O desagravamento das medidas é agora possível por causa do comportamento responsável da generalidade da população durante o Natal
— Primeiro-ministro grego, explicando reabertura de comércio
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Porque é que a União Europeia sentia necessidade de coordenar estas medidas se cada país estava já a fazer confinamentos?

Model

Porque confinamentos desorganizados destroem o que a UE construiu — fronteiras abertas, mercados integrados, pessoas que trabalham noutro país. Se Portugal fecha e Espanha não, ou se a Bélgica tem regras diferentes da Holanda, o caos económico e logístico é imediato.

Inventor

Mas a Grécia e a Suécia estavam a fazer o oposto — a abrir.

Model

Exatamente. A Grécia tinha conseguido reduzir casos e o primeiro-ministro acreditava que a população tinha sido responsável. A Suécia nunca tinha confinado da mesma forma. Isto criava uma Europa fragmentada — alguns países a apertar, outros a soltar.

Inventor

E as pessoas nas ruas? Os protestos na Áustria?

Model

Eram desesperados. Meses de restrições, negócios fechados, isolamento social. As pessoas viam a vida desaparecer e queriam respostas. Muitos nem acreditavam que as medidas funcionassem.

Inventor

O que é que a cimeira de Bruxelas podia realmente resolver?

Model

Podia tentar harmonizar certificados de vacinação, limitar viagens de forma coordenada, acelerar campanhas de vacinação. Mas não podia forçar ninguém — cada país tinha soberania. Era mais sobre tentar evitar que a Europa se despedaçasse enquanto lutava contra o vírus.

Inventor

Havia alguma esperança naquele momento?

Model

A vacinação tinha começado, mas era lenta. A Grécia a reabrir era um sinal de que talvez o fim estivesse à vista. Mas a maioria da Europa ainda estava presa, com medo das novas variantes. Era esperança misturada com incerteza.

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