CBF fecha acordo de premiação com jogadores para Copa do Mundo

Quando todos ganham, não há ressentimento
Reflexão de Romário sobre como a distribuição equitativa de prêmios evita conflitos dentro do elenco.

Se o Brasil for campeão, a CBF receberá US$ 50 milhões da Fifa, com delegação tendo direito a percentual variável conforme fase alcançada. Acordo foi fechado em reuniões com lideranças do elenco (Neymar, Casemiro, Danilo, Alisson e Raphinha) e classificado como tranquilo nos bastidores.

  • Se campeão, CBF recebe US$ 50 milhões da Fifa
  • 70% dos prêmios da delegação vão para jogadores, 30% para comissão técnica e estafe
  • Reuniões com Neymar, Casemiro, Danilo, Alisson e Raphinha definiram o acordo
  • Em 1990, conflito sobre premiação gerou tensão durante a Copa da Itália

A CBF e jogadores da seleção brasileira definiram modelo de distribuição de prêmios para a Copa do Mundo 2026, com 70% dos valores destinados aos atletas e 30% à comissão técnica e estafe.

A seleção brasileira chegou aos Estados Unidos com uma questão resolvida: como dividir o dinheiro que vier a ganhar na Copa do Mundo. Neymar, Casemiro, Danilo, Alisson e Raphinha — lideranças do elenco atual — sentaram com a CBF em duas reuniões nos últimos dias, uma na Granja Comary e outra no Rio, para bater o martelo sobre a distribuição de prêmios. O capitão Marquinhos estava na Europa pela final da Champions League e não participou. As conversas foram descritas nos bastidores como tranquilas, sem atritos.

O modelo é simples em sua lógica: a Fifa paga à CBF um valor que varia conforme o desempenho do Brasil na competição. Se o país for campeão, a confederação recebe US$ 50 milhões — cerca de R$ 251 milhões. Mas a delegação não fica com tudo isso. A CBF retém uma parte, e o restante é dividido entre jogadores, comissão técnica e estafe. Na primeira fase do torneio, a delegação tem direito a aproximadamente 60% do que a confederação receber da Fifa. Se o Brasil avançar para o mata-mata, esse percentual cai para pouco mais de 50% referente àquele estágio específico da competição.

Do montante que chega à delegação, 70% vão direto para os jogadores. Os outros 30% são distribuídos entre comissão técnica, preparadores físicos, médicos, nutricionistas e demais membros da comitiva. Essa divisão reflete uma mudança de mentalidade que levou décadas para se consolidar no futebol brasileiro. Em 1990, durante a Copa da Itália, o grupo de jogadores descobriu que a CBF havia recebido mais dinheiro de um contrato com a Pepsi do que havia informado aos atletas. A tensão foi tanta que, já na Itália durante o torneio, ainda havia discussões sobre quanto cada um deveria ganhar — e até o dinheiro que o técnico Lazaroni recebia de comerciais da Fiat entrou na roda de conversa.

Romário, que viveu aquela confusão, refletiu anos depois sobre o episódio. "Naquela época era o bicho, né. Uns entendiam que a premiação deveria ser dividida só entre os jogadores. A comissão técnica não gostou, com razão. Em 1994, a gente entendeu que todo mundo que estava lá tinha que ganhar igual. Se tivesse acontecido isso em 1990, seria melhor", disse o ex-jogador em um documentário sobre aquela Copa. A lição ficou: quando todos ganham, não há ressentimento.

A Fifa distribuirá US$ 655 milhões — aproximadamente R$ 3,2 bilhões — entre as 48 seleções que participarão do torneio de 2026. Apenas por estar na fase de grupos, cada país já assegura no mínimo US$ 9 milhões. O acordo fechado agora entre CBF e jogadores segue o padrão que o grupo já vinha adotando, o que explica por que as negociações foram diretas e sem grandes tensões. Não há surpresas, não há descobertas de valores escondidos, não há comissão técnica sentindo-se preterida. O Brasil entra na Copa com essa questão resolvida, deixando espaço para que a atenção se concentre apenas no que importa: o campo.

Naquela época era o bicho, né. Uns entendiam que a premiação deveria ser dividida só entre os jogadores. A comissão técnica não gostou, com razão. Em 1994, a gente entendeu que todo mundo que estava lá tinha que ganhar igual.
— Romário, em documentário sobre a Copa de 1990
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a CBF precisou fazer essas reuniões agora, antes da Copa começar? Não era algo que já estava definido?

Model

Não estava. A cada Copa, o modelo pode mudar conforme as negociações entre confederação e jogadores. Dessa vez, queriam deixar claro para evitar o que aconteceu em 1990, quando surgiram surpresas desagradáveis no meio do torneio.

Inventor

E por que 70% para os jogadores e 30% para o resto? Essa proporção é arbitrária ou tem alguma lógica?

Model

É resultado de negociação. Os jogadores são o centro do espetáculo, então ganham mais. Mas a comissão técnica e o estafe são essenciais — não dá para ganhar Copa sem médico, preparador, nutricionista. O acordo reconhece isso.

Inventor

Se o Brasil cair cedo, os jogadores ganham menos?

Model

Muito menos. Na primeira fase, a delegação tem direito a 60% do que a CBF recebe. Se cair no mata-mata, cai para pouco mais de 50%. E desses percentuais menores, 70% vão para os jogadores. É um incentivo real para avançar.

Inventor

Marquinhos não estava lá. Isso significa que ele não concordou com o acordo?

Model

Não necessariamente. Ele estava na Europa pela final da Champions League. As lideranças presentes — Neymar, Casemiro, Danilo, Alisson, Raphinha — tinham poder para representar o grupo. Provavelmente ele foi informado depois.

Inventor

Isso ainda é um problema no futebol brasileiro, essas discussões sobre dinheiro?

Model

Menos do que era. O episódio de 1990 deixou cicatrizes. Mas a mentalidade mudou. Quando todos ganham e sabem exatamente quanto vão ganhar, não há espaço para ressentimento. É mais profissional.

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