Em maio, conversas vazadas expuseram Flávio Bolsonaro cobrando recursos de Daniel Vorcaro para um filme sobre seu pai, e, dois meses depois, a Quaest registra o desgaste: ele caiu de 33% para 28%. O mais revelador, porém, é que esses votos não foram para Lula, que segue estável em 40%, nem para outros nomes da direita. Eles se dissolveram na incerteza, como se parte do eleitorado observasse a crise, se afastasse do senador e ainda não visse para onde ir. A disputa, portanto, está em aberto, à espera de uma campanha que apresente alternativas a quem ainda não as conhece.
Quaest: queda de Flávio Bolsonaro não migra para Lula nem para a direita e eleva o número de indecisos
Quem cresce neste momento é a indecisão
Se Flávio perdeu cinco pontos e Lula não ganhou nada, onde foram parar esses votos?
Para a indecisão. Entre os eleitores de direita não bolsonaristas, os indecisos na espontânea eram 46% em junho e agora são 57%.
E os bolsonaristas mais fiéis? Seguem firmes?
Em parte. Entre eles, 49% dizem não saber em quem votar, contra 39% em maio. E quem declara voto em Flávio e admite mudar subiu de 30% para 37%.
Vale separar o que é dado do que é interpretação. Os percentuais são da pesquisa. A leitura de que o eleitor está repensando se Flávio é o melhor caminho é de Felipe Nunes.
E a ligação com as conversas sobre o filme "Dark Horse"?
A queda começa depois da revelação em maio, e o texto aponta essa coincidência no tempo.
Coincidência, não causalidade demonstrada. A pesquisa mede intenção de voto, não o motivo da mudança.
Lula então está confortável?
Nem tanto. A aprovação foi de 43% para 48%, mas a intenção de voto ficou em torno de 40%. Nunes fala em teto.
E o próprio Nunes ressalva que é um retrato do momento. A campanha só começa em 16 de agosto, e Caiado, Zema e Renan ainda são desconhecidos de boa parte do eleitorado.
Il Polso
- Flávio Bolsonaro perdeu cinco pontos desde maio, e o rastro das conversas com Daniel Vorcaro ainda pesa sobre sua candidatura.
- Os votos que saíram de Flávio não foram para Lula nem para a direita: entraram na indecisão, que disparou entre bolsonaristas e não bolsonaristas.
- Entre eleitores de Lula, a convicção subiu de 71% para 77%, enquanto quem declara voto em Flávio começa a admitir que pode mudar.
- Lula, com 40%, parece estacionado num teto, mesmo com aprovação do governo subindo de 43% para 48%.
- Caiado, Zema e Renan Santos seguem quase invisíveis, com 77% sem saber quem é Renan, e a campanha de 16 de agosto será o palco para tentarem se apresentar.
Em maio, conversas vazadas expuseram Flávio Bolsonaro cobrando recursos de Daniel Vorcaro para um filme sobre seu pai, e, dois meses depois, a Quaest registra o desgaste: ele caiu de 33% para 28%. O mais revelador, porém, é que esses votos não foram para Lula, que segue estável em 40%, nem para outros nomes da direita. Eles se dissolveram na incerteza, como se parte do eleitorado observasse a crise, se afastasse do senador e ainda não visse para onde ir. A disputa, portanto, está em aberto, à espera de uma campanha que apresente alternativas a quem ainda não as conhece.
Em maio, vieram a público conversas em que Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso por fraudes bilionárias, para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai. Dois meses depois, a pesquisa Quaest mostra o tamanho do desgaste: o senador caiu de 33% para 28%. O dado que mais intriga o instituto, porém, é para onde esses votos não foram.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, a perda não migrou para Lula, cuja avaliação melhorou, nem para os demais candidatos da direita. Lula segue em 40%, estável. Quem cresce é a indecisão. Há eleitores que enxergam a melhora do governo sem se aproximar dele, que se afastam de Flávio, mas ainda não veem alternativa viável.
Entre bolsonaristas, 49% dizem não saber em quem votar, contra 39% em maio. Entre a direita não bolsonarista, a indecisão foi de 66% em março, caiu para 46% em junho e voltou a subir para 57%. A convicção confirma o movimento: quem declara voto em Flávio e admite poder mudar passou de 30% para 37%.
O governo ganhou cinco pontos de aprovação em quatro meses, atribuídos ao Desenrola 2.0, à discussão sobre o fim da escala 6x1 e à ampliação da isenção do Imposto de Renda. Ainda assim, Nunes vê um teto em Lula, já que a melhora na aprovação não se converte em votos.
A aposta da direita que poderia herdar o eleitorado de Flávio é a campanha, que começa em 16 de agosto. Caiado, Zema e Renan Santos são pouco conhecidos, e 77% dos entrevistados não sabem quem é Renan. Para Nunes, é nesse período que se produzem grandes mudanças de opinião, por meio de debates, entrevistas e ataques, e será a hora de os três se apresentarem ao eleitor.
Em maio, vieram a público conversas em que Flávio Bolsonaro (PL) cobrava dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias, para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Dois meses depois, a pesquisa Quaest mostra o tamanho do estrago: o senador caiu de 33% para 28% das intenções de voto. O dado que mais chamou a atenção do instituto, porém, é para onde esses votos não foram.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, a perda de Flávio não migrou para Lula (PT), embora a avaliação do governo tenha melhorado, nem para os demais candidatos da direita: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Lula lidera com 40%, patamar estável nos últimos meses. Quem cresce, disse Nunes ao podcast O Assunto, na quinta-feira (16), é a indecisão. Há eleitores que observam a melhora do governo sem se mover em sua direção, e que entendem as crises de Flávio e se afastam dele, mas ainda não enxergam outra alternativa viável.
Os números por segmento sustentam a leitura. Na pesquisa espontânea, aquela em que os nomes não são apresentados, o índice de indecisos entre os eleitores de direita não bolsonaristas foi de 66% em março, caiu para 46% em junho e subiu para 57% agora. Entre os bolsonaristas, 49% dizem não saber em quem votar, contra 39% em maio, e 45% citam Flávio espontaneamente. Para Nunes, a direita não bolsonarista começou a se perguntar se esse é mesmo o melhor caminho, e a dúvida passou a contaminar também o eleitorado bolsonarista.
A convicção do voto confirma o movimento. Entre quem declara voto em Flávio, o grupo que admite poder mudar de opinião passou de 30% em junho para 37% em julho, enquanto os que dizem ter decisão definitiva caíram de 70% para 62%. Entre os eleitores de Lula, ocorreu o inverso: a convicção foi de 71% para 77%, e os que ainda podem mudar caíram de 29% para 23%. Nunes resumiu como um aquecimento pró-Lula e um esfriamento relativo para Flávio, quase uma transição de opinião pública, mas lembrou que pesquisa é um termômetro do momento.
O governo, por sua vez, melhorou a aprovação em cinco pontos percentuais em quatro meses, de 43% em abril para 48% em julho. Nunes atribui o avanço ao programa Desenrola 2.0, que reduziu o número de brasileiros endividados; à expectativa criada pela discussão sobre o fim da escala 6x1; e à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Apesar disso, o diretor da Quaest vê em Lula um teto. Mesmo com aprovação maior e rejeição menor, isso não se converte em intenção de voto. O presidente tinha 38% na estimulada em fevereiro e chegou a 40% em julho, praticamente estacionado. No segundo turno, aparece com cerca de 45% contra todos os adversários simulados, índice também estável nos últimos cinco meses.
Os candidatos da direita que poderiam herdar o eleitorado de Flávio são pouco conhecidos. Zema, Caiado e Renan quase não aparecem na pesquisa espontânea e oscilam entre 2% e 4% na estimulada. Segundo a Quaest, 44% dos entrevistados não conhecem Caiado, 50% não conhecem Zema e 77% não sabem quem é Renan Santos.
Por isso, a campanha, que começa em 16 de agosto, será decisiva para eles. Em entrevista ao Jornal da Globo, na quarta, Nunes disse que a campanha produz grandes mudanças de opinião, por desempenho em entrevistas, debates ou ataques de adversários, e que será o momento de os três se apresentarem ao eleitor.
Citazioni salienti
Quem cresce neste momento é a indecisão.— Felipe Nunes, diretor da Quaest, ao podcast O Assunto
A pesquisa captura um aquecimento pró-Lula e um relativo esfriamento para Flávio, mas é só um termômetro do momento.— Felipe Nunes, diretor da Quaest