Qantas anuncia voo direto Sydney-Londres de 20 horas, o mais longo do mundo

A distância nunca deveria ser um obstáculo
Vanessa Hudson, diretora-presidente da Qantas, explicando a visão por trás do voo direto mais longo do mundo.

Há algo de profundamente humano na recusa de aceitar a distância como destino. A Qantas Airways anunciou que, a partir de outubro de 2027, ligará Sydney a Londres em voo direto de 20 horas, encerrando décadas de dependência de escalas no Oriente Médio. O projeto, batizado em homenagem aos voos de resistência da Segunda Guerra Mundial, representa não apenas uma façanha de engenharia aeronáutica, mas uma declaração filosófica de uma nação insular: que a geografia não precisa ser uma sentença.

  • A Qantas desafia a lógica das rotas aéreas globais ao eliminar a escala no Oriente Médio, ameaçando diretamente o modelo de negócios de gigantes como a Emirates.
  • Aeronaves Airbus A350-1000ULR modificadas com tanque extra de combustível tornam possível o que antes era considerado inviável — 22 horas de voo com 238 passageiros.
  • A companhia enfrenta o desafio de convencer passageiros a pagar 20% a mais pelo privilégio do voo direto, apostando que o tempo economizado tem valor de mercado real.
  • Com vendas previstas para fevereiro e operação em outubro de 2027, o Project Sunrise projeta adicionar US$ 283 milhões anuais aos lucros, mas o sucesso depende de uma equação ainda não testada em escala comercial.

A Qantas Airways anunciou que vai operar o voo comercial direto mais longo do mundo, ligando Sydney a Londres em aproximadamente 20 horas. O anúncio foi feito pela diretora-presidente Vanessa Hudson em Toulouse, na França, e representa um marco histórico: pela primeira vez, passageiros poderão viajar entre as duas cidades sem escala no Oriente Médio, eliminando a chamada "Rota do Canguru".

As passagens começarão a ser vendidas em fevereiro, com operação prevista para outubro de 2027. O projeto, batizado de Project Sunrise em homenagem aos voos de resistência da Segunda Guerra Mundial, utilizará aeronaves Airbus A350-1000ULR especialmente modificadas, com tanque adicional de combustível que amplia o alcance em 1.000 milhas náuticas. A mesma tecnologia será posteriormente aplicada para conectar Sydney a Nova York.

A jornada até aqui começou em 2017, quando a Qantas desafiou fabricantes a desenvolverem aviões para rotas ultralongas a partir da Austrália. A Airbus venceu a disputa contra a Boeing em 2019. A primeira aeronave será entregue em abril de 2027 — cinco anos mais tarde que o previsto, devido à pandemia e atrasos na cadeia de suprimentos.

Atualmente, o trajeto Sydney-Londres via Singapura leva de 24 a 25 horas. Com o novo serviço, esse tempo cairá para 19 a 21 horas, com uso de rotas polares em cerca de um quarto das operações. Hudson sintetizou a visão da companhia: "A distância da Austrália em relação ao resto do mundo nunca deveria ser um obstáculo".

Financeiramente, a Qantas projeta que o projeto agregará mais de US$ 283 milhões aos lucros anuais, assumindo que as passagens premium custarão cerca de 20% mais que as alternativas com escala. O analista John Strickland resume o desafio central: o que a companhia vende é tempo, e ela precisa cobrar por isso em todas as cabines. Companhias do Golfo, como a Emirates, certamente defenderão seu território com agressividade — e o sucesso do Project Sunrise dependerá tanto da tecnologia quanto da capacidade de convencer viajantes de que cada hora economizada vale o custo adicional.

A Qantas Airways anunciou nesta quarta-feira que vai operar o voo comercial direto mais longo do mundo, ligando Sydney a Londres em aproximadamente 20 horas. O anúncio foi feito pela diretora-presidente Vanessa Hudson durante um evento em Toulouse, na França, e marca um ponto de virada para a companhia australiana: pela primeira vez, passageiros poderão viajar entre as duas cidades sem fazer escala no Oriente Médio, eliminando o que era conhecido como a "Rota do Canguru".

A companhia começará a vender passagens em fevereiro e os voos entrarão em operação em outubro de 2027. O projeto, batizado de Project Sunrise em homenagem aos voos de resistência da Segunda Guerra Mundial que testemunhavam dois amanheceres, representa uma aposta bilionária da Qantas. A empresa utilizará aeronaves Airbus A350-1000ULR especialmente modificadas, capazes de voar por até 22 horas com 238 passageiros a bordo. Posteriormente, a mesma tecnologia será aplicada para conectar Sydney a Nova York.

O caminho até aqui começou em 2017, quando a Qantas desafiou fabricantes de aviões a desenvolverem máquinas capazes de realizar rotas ultralongas sem escalas a partir da Austrália. A Airbus venceu a disputa contra o Boeing 777X em 2019. Os aviões encomendados possuem um tanque de combustível adicional na seção traseira central, aumentando o alcance em 1.000 milhas náuticas. A primeira aeronave será entregue em abril de 2027, cinco anos mais tarde que o originalmente previsto devido à pandemia e atrasos na cadeia de suprimentos. No início deste mês, a Airbus realizou o primeiro voo de teste de um dos 12 aviões modificados.

A redução no tempo de viagem é significativa. Atualmente, a jornada de Sydney a Londres leva de 24 a 25 horas via Singapura. Com o novo serviço direto, esse tempo cairá para 19 a 21 horas, dependendo da rota e das condições de vento. A Qantas planeja utilizar rotas polares em aproximadamente um quarto do tempo, especialmente durante o inverno no hemisfério norte. Hudson resumiu a estratégia de forma simples: "A distância da Austrália em relação ao resto do mundo nunca deveria ser um obstáculo".

Financeiramente, a Qantas projeta que o Project Sunrise agregará mais de 400 milhões de dólares australianos, aproximadamente 283 milhões de dólares americanos, aos lucros anuais. Essa projeção assume que as passagens nas cabines premium custarão cerca de 20% mais do que as alternativas com escala. O desafio, porém, é convencer os passageiros a pagar esse prêmio. O analista de aviação John Strickland observou que "o que eles estão vendendo é tempo, e eles absolutamente precisam cobrar um valor adicional em todas as cabines, particularmente na executiva e na econômica premium".

O projeto também envolve pesquisa significativa sobre a saúde dos passageiros em voos de ultralonga duração. Voos tão longos apresentam desafios fisiológicos únicos: grande parte do combustível é consumido apenas para carregar o peso do próprio combustível restante, e os passageiros enfrentarão horas ininterruptas no ar. A Qantas precisará minimizar o desconforto através de atualizações de cabine e serviços especializados.

Analistas da Jefferies previram um mercado positivo para os voos do Project Sunrise rumo a Londres, especialmente após a recente redução de tensões no Golfo. A Austrália suspendeu nesta quarta-feira um aviso de não viaje para hubs do Golfo que vigorava há meses e invalidava a maioria das apólices de seguro de viagem. Ainda assim, companhias aéreas do Golfo, como a Emirates, que construíram impérios ao redor de seus hubs de conexão, provavelmente defenderão sua participação de mercado com agressividade. O sucesso do Project Sunrise dependerá não apenas da tecnologia, mas da capacidade da Qantas de convencer viajantes internacionais de que o tempo economizado vale o custo adicional.

A distância da Austrália em relação ao resto do mundo nunca deveria ser um obstáculo
— Vanessa Hudson, diretora-presidente da Qantas
O que eles estão vendendo é tempo, e eles absolutamente precisam cobrar um valor adicional em todas as cabines, particularmente na executiva e na econômica premium
— John Strickland, analista de aviação
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a Qantas esperou tanto tempo para fazer esse anúncio? Essa tecnologia não existia antes?

Model

A tecnologia não existia. Em 2017, a Qantas literalmente pediu aos fabricantes que a criassem. Levou dois anos para a Airbus vencer a disputa, e depois mais anos de desenvolvimento. A pandemia atrasou tudo.

Inventor

E quanto aos passageiros? Vinte horas é muito tempo para ficar em um avião. Como eles vão lidar com isso?

Model

Essa é a grande questão. A Qantas está investindo bilhões em pesquisa sobre saúde e conforto em voos ultralongos. Mas honestamente, eles precisam cobrar 20% a mais para que as pessoas aceitem. O tempo economizado tem que valer o preço.

Inventor

As companhias aéreas do Golfo devem estar furiosas.

Model

Devem estar. Essas companhias construíram seus negócios inteiros ao redor de ser o ponto de conexão entre a Ásia e a Europa. Um voo direto Sydney-Londres as contorna completamente.

Inventor

Mas a Austrália acabou de suspender o aviso de não viaje para o Golfo. Isso não ajuda as companhias de lá?

Model

Ajuda, mas é tarde demais para impedir esse projeto. O aviso foi suspenso porque a situação política melhorou. Mas os voos diretos já estão vindo.

Inventor

Quanto tempo até que isso realmente funcione?

Model

Outubro de 2027. As passagens começam a ser vendidas em fevereiro. Mas a primeira aeronave só chega em abril de 2027, então há um período de espera. Tudo depende de como os passageiros respondem aos preços.

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