Numa fábrica carregada de memória industrial em Nizhny Novgorod, Vladimir Putin conduziu o Volga K50 — um automóvel que, por baixo da carroçaria russa, é essencialmente tecnologia chinesa montada onde outrora operava a Volkswagen. O gesto, amplificado por um autógrafo no capô, inscreve-se numa tradição de soberania encenada: a nação que exibe o que produz, mesmo quando o que produz pertence, em grande parte, a outro. Num momento em que os russos aguardam horas nas bombas de gasolina e a popularidade do presidente recua, a demonstração revela menos sobre automóveis e mais sobre a necessidade de