Num momento em que a vitória eleitoral ainda ecoa, o Partido dos Trabalhadores se vê diante de um dilema antigo: como continuar grande quando a figura que o define caminha para o fim de sua trajetória ativa. A ausência de parte da Executiva a uma reunião, a crítica a uma campanha que Lula mesmo considerou aquém de seu potencial e as queixas sobre a distribuição de recursos revelam tensões acumuladas entre direção nacional, lideranças estaduais e uma nova geração que quer espaço. Ao convocar o Diretório para 13 de novembro, a legenda tenta transformar o desgaste em ocasião de renovação, sabendo
PT enfrenta disputa interna e debate futuro do partido no pós-Lula
Normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta
Por que uma reunião da Executiva boicotada importa tanto?
Porque mostra que parte do partido contesta o fórum e a condução de Edinho Silva. Ele foi forçado a convocar o Diretório Nacional para 13 de novembro.
Quantos boicotaram? O texto fala apenas em "uma ala", sem número nem nomes.
E a crítica do próprio Lula?
Ele disse que foi a campanha menos organizada desde 1989. A fala foi divulgada acidentalmente em canal do partido, não era pública por escolha dele.
Mesmo assim, é uma declaração dele, e confirma o incômodo no topo.
O que está em jogo com o dinheiro?
Líderes estaduais querem decidir sobre recursos. Cadu de Lula, eleito no Rio Grande do Norte, recebeu R$ 1,5 milhão do Diretório Nacional, menos que vários candidatos a deputado federal.
Esse é um caso citado como exemplo. O texto não mostra a distribuição completa.
E a sucessão de 2030?
Camilo Santana, Rafael Fonteles e Haddad são listados por aliados, mas Lula deve conduzir o processo sem antecipá-lo.
São nomes apontados por aliados. Nada está decidido, e 2010 mostra como esses quadros mudam.
Il Polso
- Uma ala da Executiva deixou de comparecer à reunião, em protesto contra o fórum escolhido para avaliar a campanha.
- Lula disse que a campanha foi a menos organizada desde 1989, e a cobrança pública abalou a autoridade de Edinho Silva.
- Candidatos reclamam de verbas revistas no meio da disputa, e um candidato eleito ao governo do RN recebeu menos que deputados federais.
- Parlamentares eleitos querem controlar o dinheiro do partido, enquanto dirigentes estaduais exigem autonomia para decidir.
- O Diretório de 13 de novembro será o primeiro teste de uma renovação com campanha de filiação de jovens e um congresso previsto para o ano que vem.
Num momento em que a vitória eleitoral ainda ecoa, o Partido dos Trabalhadores se vê diante de um dilema antigo: como continuar grande quando a figura que o define caminha para o fim de sua trajetória ativa. A ausência de parte da Executiva a uma reunião, a crítica a uma campanha que Lula mesmo considerou aquém de seu potencial e as queixas sobre a distribuição de recursos revelam tensões acumuladas entre direção nacional, lideranças estaduais e uma nova geração que quer espaço. Ao convocar o Diretório para 13 de novembro, a legenda tenta transformar o desgaste em ocasião de renovação, sabendo que a sucessão de 2030 começa a ser pensada justamente nesse processo.
Na quinta-feira (29), uma parte da Executiva Nacional do PT não compareceu à reunião, sob o argumento de que aquele não era o espaço adequado para avaliar a campanha. Pressionado, o presidente da legenda, Edinho Silva, convocou o Diretório Nacional para 13 de novembro. O episódio revela insatisfações acumuladas durante a eleição, enquanto o partido já pensa em como será depois de Lula.
Dirigentes criticam a concentração de decisões e a condução da campanha, coordenada por Edinho, que também desagradou aliados ao concorrer a uma vaga na Câmara. Lula, em fala à militância divulgada por engano, disse que a campanha ficou aquém do que poderia ser e que foi a menos organizada de que participou desde 1989.
Há queixas práticas: candidatos tiveram que reduzir gastos quando os repasses foram revistos durante a disputa. Um exemplo é Cadu de Lula, eleito ao governo do Rio Grande do Norte, que recebeu apenas R$ 1,5 milhão, menos que vários candidatos a deputado federal. Parlamentares querem mais controle sobre o dinheiro, enquanto dirigentes estaduais defendem que conhecem melhor seus estados.
Quanto à sucessão, aliados consideram certo que Lula conduzirá o processo, fortalecido pela vitória. Camilo Santana, Rafael Fonteles e Fernando Haddad aparecem como possíveis nomes, mas Lula deve evitar antecipar a escolha para não enfraquecer sua autoridade. Petistas do Nordeste cobram há anos mais espaço frente ao peso paulista.
Edinho defende reorganizar o partido, renovar quadros e reformular a comunicação, com uma campanha de filiação de jovens. O Diretório de novembro será o primeiro teste dessa disputa.
Na quinta-feira (29), uma ala do PT simplesmente não apareceu a uma reunião da Executiva Nacional. O argumento do boicote era que aquele não era o fórum adequado para avaliar a campanha eleitoral. Pressionado, o presidente do partido, Edinho Silva, convocou o Diretório Nacional, a instância máxima da legenda, para o dia 13 de novembro. O episódio expôs uma disputa interna alimentada por insatisfações acumuladas ao longo da eleição, enquanto o partido já começa a discutir como será depois da aposentadoria de Lula.
Na última semana, petistas se articularam para que o Diretório se reunisse de forma presencial. O objetivo é avaliar a disputa e preparar um congresso no ano que vem, dedicado à renovação partidária e a outros temas. A expectativa é que Edinho, que coordenou a campanha, ouça muitas críticas. Dirigentes reclamam da concentração de decisões, e líderes estaduais cobram mais autonomia para definir o destino dos recursos do partido.
O próprio Lula criticou o presidente da sigla, em fala à militância divulgada acidentalmente em um canal do partido. Disse que a campanha ficou aquém de sua possibilidade e que poderia ter sido mais ampla. Contou ter dito a Edinho que foi a campanha menos organizada de que participou desde 1989, e completou que normalmente se colhe aquilo que se planta. Edinho também desagradou a aliados ao se lançar candidato à Câmara dos Deputados, usando o protagonismo à frente do partido para atrair eleitores em detrimento de candidatos de São Paulo.
Há queixas concretas de candidatos. Eles dizem que tiveram de redimensionar gastos porque o valor dos recursos repassados foi revisto quando a disputa já estava em curso. Parlamentares eleitos, por sua vez, querem maior controle sobre o dinheiro do PT, o que provoca forte reação de dirigentes locais e de defensores do rejuvenescimento partidário. Os dirigentes estaduais argumentam que conhecem as conjunturas de seus estados e, por isso, saberiam identificar melhor quais candidatos com potencial devem receber mais verba.
O exemplo citado é o de Cadu de Lula, candidato forte ao governo do Rio Grande do Norte, que foi eleito, mas recebeu apenas R$ 1,5 milhão do Diretório Nacional para os dois turnos. Diversos candidatos a deputado federal receberam da direção nacional mais recursos que ele. A discussão pode influenciar, no médio prazo, a ascensão de novos nomes.
Qualquer que seja a mudança na forma de planejar candidaturas, o consenso é que Lula conduzirá a própria sucessão. A vitória na eleição da semana passada o fortaleceu nesse papel e reduziu o risco de rachas entre grupos petistas na disputa pela candidatura presidencial de 2030. Aliados listam como possíveis herdeiros o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador Rafael Fonteles (PT-PI) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP), mas ressalvam que ele não deve antecipar o debate: indicar um sucessor agora deslocaria a perspectiva de poder e enfraqueceria sua autoridade. Camilo e Fonteles fizeram carreira no Nordeste, e a escolha de um deles daria mais peso à região dentro do partido. Lula nasceu em Pernambuco, mas entrou na política em São Paulo.
Lula foi o candidato petista em 7 das 10 eleições presidenciais disputadas pelo partido e participou das articulações das outras três. Terá 85 anos quando terminar o mandato que começa em 5 de janeiro, e não deve mais disputar eleições. Aliados lembram que o quadro pode mudar: em 2010, José Dirceu e Antonio Palocci eram apontados como prováveis sucessores, ambos foram atingidos por escândalos, e Lula lançou Dilma Rousseff. Petistas do Nordeste também reclamam há anos do poder dos paulistas, embora Bahia, Ceará e Piauí deem ao partido seus melhores resultados; o número de filiados em São Paulo desequilibra as votações internas.
Edinho tem dito a dirigentes que a legenda precisa mudar sua organização interna, renovar quadros e reformular a comunicação. A diretriz aprovada pela Executiva na quinta-feira segue essa linha e orienta uma ampla campanha de filiação de jovens. O Diretório de 13 de novembro será o primeiro teste dessa disputa.
Citazioni salienti
Essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989.— Lula, em fala à militância divulgada acidentalmente
O PT precisa abrir suas portas, renovar suas formas de participação e construir, com os jovens, novos caminhos de organização política.— Diretriz política aprovada pela Executiva do PT