PT e PL adotam cautela após Lula ampliar vantagem sobre Flávio em nova pesquisa Datafolha

O voto que sai de Flávio fica na margem dos indecisos
A campanha petista avalia que a queda de Flávio não representa ganho automático para Lula, mas sim eleitores em suspensão.
Mark

Como uma pesquisa consegue captar uma mudança tão rápida em apenas uma semana?

Mimi

O Datafolha fez 2.004 entrevistas entre 20 e 22 de maio, logo após os áudios vazarem. Os eleitores reagiram imediatamente ao caso Dark horse.

Luke

Mas vale lembrar que tecnicamente ainda é empate dentro da margem de erro de dois pontos. A vantagem de quatro pontos é real numericamente, mas não é estatisticamente certa.

Mark

Por que o PT está sendo cauteloso se Lula abriu vantagem?

Mimi

Porque entendem que esse voto que saiu de Flávio é instável. Não migrou automaticamente para Lula — ficou nos indecisos ou pode virar abstenção.

Luke

Exatamente. A campanha petista está dizendo que precisa fazer mais trabalho. Isso significa que não têm certeza se conseguem consolidar esses votos.

Mark

E se Flávio for substituído por Michelle Bolsonaro?

Mimi

Ela marca praticamente o mesmo no segundo turno — 43% contra 48% de Lula. Mas no primeiro turno fica muito atrás, com apenas 22%.

Luke

Então não é uma solução clara. O PL mantém a candidatura de Flávio até junho, mas está testando alternativas. Isso sugere incerteza real sobre o caminho.

Mark

Os outros candidatos de direita não estão aproveitando?

Mimi

Não conseguem roubar votos de Flávio. Caiado subiu um ponto e ficou em 4%. Os demais estão em 3% ou menos.

Luke

Isso é importante: mesmo com Flávio em dificuldade, o voto de direita não está migrando para outros candidatos de direita. Está indo para a indecisão.

Mark

O que o governo está fazendo para consolidar a vantagem?

Mimi

Lançou um pacote de medidas — isenção de taxa das blusinhas, crédito para taxistas, Desenrola 2.0. Lula também mantém uma agenda intensa de inaugurações.

Luke

Mas o PT também montou uma artilharia digital contra Flávio. Estão atacando, não apenas oferecendo. Isso sugere que a vantagem ainda não é sólida.

Mark

O cientista político disse que a eleição não foi resolvida. Por quê?

Mimi

Porque a rejeição a Flávio ainda não é estruturalmente maior que a de Lula. A eleição continua organizada em torno de dois polos de alta rejeição.

Luke

Ou seja, muitos eleitores rejeitam os dois. Isso deixa espaço para surpresas e mudanças de narrativa até outubro.

  • Flávio Bolsonaro caiu de empate para 4 pontos atrás de Lula em uma semana (47% vs 43%)
  • Rejeição a Flávio subiu de 43% para 46%; agora lidera o ranking negativo
  • No primeiro turno, Flávio caiu de 35% para 31%, seu pior resultado do ano
  • Pesquisa realizada entre 20 e 22 de maio com 2.004 entrevistas e margem de erro de 2 pontos
  • PL mantém candidatura até junho, testando Michelle Bolsonaro como alternativa

Flávio Bolsonaro caiu de empate para 4 pontos atrás de Lula em uma semana, com rejeição subindo de 43% para 46%. Áudios revelando pedido de dinheiro para cinebiografia do pai estressaram aliados que garantiam não haver problemas no caso Master.

Pesquisa Datafolha mostra Lula com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, ampliando vantagem após revelações do caso 'Dark horse'. PT e PL adotam cautela sobre o impacto real dos números.

Uma semana separa dois cenários políticos radicalmente diferentes. Na pesquisa Datafolha anterior, Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva estavam empatados em 45% cada um na simulação de segundo turno. Agora, o presidente lidera com 47% contra 43% do senador — a maior vantagem que o instituto registra nesta série histórica. A mudança não é pequena. É o reflexo direto do caso "Dark horse", quando áudios revelaram Flávio pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

No primeiro turno, a queda foi ainda mais abrupta. Flávio caiu de 35% para 31%, seu pior resultado do ano. Lula subiu para 40%, dois pontos acima da semana anterior. A diferença triplicou em poucos dias — de três para nove pontos percentuais. Tecnicamente, o resultado no segundo turno ainda configura empate dentro da margem de erro de dois pontos, mas numericamente Lula abriu espaço. Os votos em branco ou nulos somam 9%, e apenas 2% dos entrevistados permanecem indecisos. O Datafolha realizou 2.004 entrevistas entre 20 e 22 de maio, com nível de confiança de 95%.

O que mais preocupa Flávio é a rejeição. Seu índice de rejeição subiu de 43% para 46% — o mesmo patamar que registrava em abril, antes de conseguir melhorar. Lula, por sua vez, recuperou dois pontos e é rejeitado por 45%. Pela primeira vez, Flávio encabeça o ranking negativo. Michelle Bolsonaro, testada como possível alternativa caso o senador não resista, marca 43% contra 48% de Lula no segundo turno — praticamente o mesmo resultado de seu enteado. No primeiro turno, porém, ela pontua apenas 22%, bem abaixo do petista, que agrupa 41%.

A irritação entre aliados de Flávio não veio apenas do mérito das revelações. O senador havia garantido diversas vezes que nada de problemático poderia aparecer sobre ele no caso Master. Os áudios e o encontro com o banqueiro — realizado quando Flávio já usava tornozeleira eletrônica, no ano passado — estressaram o próprio PL, partidos do Centrão e empresários que simpatizavam com a candidatura. Jair Bolsonaro e o partido descartam trocar a candidatura, mas o prazo para uma decisão final é o início de junho. Quando a pesquisa foi divulgada, a leitura no entorno de Flávio foi de que o episódio produziria desgaste momentâneo, mas não o suficiente para inviabilizar o projeto. O senador Marcos Rogério, do PL, declarou: "Para quem esperava uma tragédia, parece que ela não veio".

Os demais candidatos de direita sofrem para aproveitar o momento. Ronaldo Caiado oscilou um ponto para cima e marcou 4%. Renan Santos também subiu um ponto, chegando a 3%. Romeu Zema, que fez críticas duras a Flávio na esteira do caso, manteve os mesmos 3%. Samara Martins alcançou 3%. Augusto Cury marcou 2%, enquanto Cabo Daciolo e Rui Costa Pimenta ficaram com 1% cada. Aldo Rebelo também marcou 1%, mas foi removido da disputa pelo seu partido, que agora pretende indicar Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.

A pré-campanha petista vê com cautela a redução de votos em Flávio. A avaliação majoritária é de que o voto que sai do senador neste momento não vai para lugar nenhum — fica na margem dos indecisos ou pode virar abstenção. Petistas estão convictos de que é preciso mais trabalho para conquistar um eleitor que cogitou votar em Flávio e agora recua. Trata-se de um voto naturalmente "anti-Lula", segundo a campanha, e que não terá adesão automática ao petista. Por isso, governistas consideram que o senador pode retomar o fôlego nas próximas semanas e conquistar parte desse eleitorado, dependendo da narrativa que for construída sobre as relações com Daniel Vorcaro e o filme.

O governo tem lançado um pacote de medidas com foco nas eleições: isenção da taxa das blusinhas, crédito para compra de veículos para taxistas e motoristas de aplicativo, e o novo Desenrola 2.0 para famílias endividadas. Lula mantém uma intensa agenda de entregas de equipamentos de saúde e inaugurações pelo país. Em paralelo, o PT montou uma artilharia digital para atacar Flávio. Desde a divulgação das mensagens, o partido entrou em modo guerra contra o senador, com a estratégia coordenada pela jornalista Nicole Briones na sede nacional do partido em Brasília.

Para o cientista político Jairo Pimentel, professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, os índices elevados de rejeição seguem como algo decisivo. "O caso afetou a intenção de voto, mas ainda não transformou a rejeição de Flávio em algo estruturalmente maior que a de Lula", observa. "Minha leitura geral: o Dark horse interrompeu a trajetória ascendente de Flávio e devolveu alguma vantagem a Lula, mas não resolveu a eleição." A disputa continua organizada em torno de dois polos de alta rejeição, e o cenário permanece apertado.

Para quem esperava uma tragédia, parece que ela não veio
— Senador Marcos Rogério (PL-RO)
O Dark horse interrompeu a trajetória ascendente de Flávio e devolveu alguma vantagem a Lula, mas não resolveu a eleição
— Jairo Pimentel, cientista político
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