PT argumenta ao TSE que deepfake de Bolsonaro é ilegal independente de intenção

A natureza de um deepfake não muda conforme o rótulo que se lhe aplique
O PT argumenta que a proibição de deepfakes é absoluta, independentemente de intenção ou autorização.
Mark

Por que o PT insiste que o deepfake é ilegal mesmo que não haja intenção de enganar? Não faz sentido proibir algo só porque é feito com uma tecnologia?

Mimi

A questão é que o tribunal já decidiu isso. A resolução de 2024 não diz "deepfakes enganosos são proibidos". Diz que deepfakes são proibidos, ponto. O PT está dizendo que a defesa de Flávio está tentando reescrever uma regra que já existe.

Mark

Mas a defesa argumenta que inteligência artificial sempre foi usada na política — caricaturas, dublagens, animações. Por que um avatar é diferente?

Mimi

Porque um avatar que fala com a voz e a imagem de uma pessoa real é tecnicamente diferente de uma caricatura. É uma reprodução sintética que pode ser indistinguível do original. O tribunal viu isso como um risco específico e criou uma regra específica para isso.

Mark

E se Bolsonaro tivesse autorizado o vídeo? A defesa diz que nem autorização é necessária, mas e se fosse?

Mimi

Não importa. A resolução diz "ainda que mediante autorização". O tribunal já considerou essa possibilidade e disse que mesmo com permissão, é proibido. Isso é o que o PT está reforçando.

Mark

Então o que Nunes Marques vai decidir na próxima semana?

Mimi

Provavelmente se o vídeo viola a resolução ou não. Se violar, Flávio pode ter o registro cassado. Se não violar, abre precedente para outros candidatos usarem deepfakes. É uma decisão que vai definir como a tecnologia pode ser usada em 2026.

  • Um avatar gerado por IA do ex-presidente Jair Bolsonaro foi exibido em convenção partidária pedindo votos para o filho Flávio — e o PT acionou o TSE imediatamente, acusando uso ilegal da tecnologia.
  • A defesa de Flávio argumenta que a IA é apenas mais uma ferramenta criativa, equiparável a caricaturas e animações, e que só há irregularidade quando há intenção deliberada de enganar o eleitor.
  • O PT rebate com a letra fria da resolução nº 23.732/2024 do TSE, que proíbe deepfakes mesmo com autorização e independentemente de intenção — e aponta que o próprio tribunal recusou abrir essa exceção meses atrás.
  • Ministros do TSE se reúnem nesta quinta-feira para discutir o caso internamente, com julgamento formal previsto para a próxima semana e risco real de cassação de registro ou mandato.
  • O caso se torna o primeiro grande teste jurídico sobre inteligência artificial nas eleições de 2026, com potencial de redefinir o que campanhas políticas podem ou não fazer com a imagem de seus líderes.

No limiar de uma eleição marcada pela presença da inteligência artificial, o PT levou ao Tribunal Superior Eleitoral uma questão que transcende a disputa entre partidos: pode uma simulação digital de uma pessoa substituir sua voz na arena pública, mesmo quando declarada como tal? A corte se debruça sobre um vídeo exibido na convenção de Flávio Bolsonaro em que um avatar do ex-presidente — preso e impedido de se manifestar — pede apoio ao filho. O que está em julgamento não é apenas a legalidade de um clipe, mas os contornos do que se entende por presença, autenticidade e engano na democracia digital.

Na quarta-feira à noite, o PT entregou uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral contestando um vídeo exibido na convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. No clipe, um avatar gerado por inteligência artificial do ex-presidente Jair Bolsonaro — que cumpre prisão domiciliar — se apresenta como uma simulação, fala sobre estar "preso e calado por uma decisão arbitrária" e convoca apoiadores a receberem Flávio "de braços abertos". O PT acusa propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de IA. Ministros da corte discutem o caso nesta quinta-feira, com julgamento formal previsto para a próxima semana.

A defesa de Flávio apresentou dois argumentos centrais: primeiro, que não há vedação ao uso de inteligência artificial em campanhas políticas; segundo, que a irregularidade exige intenção de enganar o eleitor — não o simples emprego da tecnologia. Os advogados equiparam o avatar a "fantoches, animações, caricaturas e dublagens", recursos que sempre integraram a comunicação política.

O PT rejeita essa lógica com precisão jurídica. Cita a resolução nº 23.732/2024 do TSE, aprovada cinco meses antes da convenção, que proíbe explicitamente conteúdo sintético em áudio ou vídeo gerado digitalmente para criar ou alterar a imagem de qualquer pessoa — mesmo com autorização, mesmo sem intenção de enganar. "O deepfake de uso legítimo continua sendo deepfake", escreveram os advogados do partido. O PT ainda observa que o presidente da corte, Nunes Marques, não alterou esse texto quando elaborou as resoluções para 2026, e que o plenário já havia recusado abrir a exceção que a defesa de Flávio agora reivindica.

Os advogados de Jair Bolsonaro afirmaram ao STF que o ex-presidente desconhecia o vídeo exibido na convenção. Flávio segue em campanha enquanto o caso aguarda julgamento — e o que o TSE decidir pode definir os limites legais do uso de inteligência artificial em todas as campanhas que se aproximam.

Na noite de quarta-feira, o PT entregou uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral argumentando que um vídeo de inteligência artificial exibindo Jair Bolsonaro é proibido por lei — não porque foi feito com intenção enganosa, mas simplesmente porque é um deepfake. A questão chegará aos ministros da corte nesta quinta-feira em reunião interna no gabinete do presidente Nunes Marques, e a discussão formal sobre o caso está marcada para a próxima semana.

O vídeo em questão foi exibido em 25 de julho durante a convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Nele, um avatar do ex-presidente — que cumpre prisão domiciliar — se identifica como uma simulação gerada por inteligência artificial, fala sobre estar "preso e calado por uma decisão arbitrária" e pede aos apoiadores que recebam Flávio "de braços abertos". O PT acionou o tribunal dias depois, acusando propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial.

A defesa de Flávio já apresentou duas manifestações no processo. Na primeira, negou qualquer violação à legislação eleitoral. Na segunda, enviada na segunda-feira, argumentou que não é possível proibir o uso de inteligência artificial em disputas políticas e que a ferramenta não exige autorização de quem é retratado. Segundo os advogados, o que torna algo irregular é a intenção de enganar o eleitor, não apenas o emprego da tecnologia. Eles apontam que "fantoches, animações, caricaturas, avatares, dublagens, charges" sempre fizeram parte da comunicação política, e que a inteligência artificial apenas ampliou os recursos técnicos disponíveis.

O PT rebate essa lógica com um argumento jurídico direto: a natureza de um deepfake não muda conforme o rótulo que se lhe aplique. "O deepfake de uso legítimo continua sendo deepfake", escreveram os advogados do partido. Eles citam a resolução nº 23.732/2024 do TSE, aprovada há cinco meses, que proíbe explicitamente "o uso, para prejudicar ou para favorecer candidatura, de conteúdo sintético em formato de áudio, vídeo ou combinação de ambos, que tenha sido gerado ou manipulado digitalmente, ainda que mediante autorização, para criar, substituir ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia". A comunicação oficial do tribunal deixou claro que candidatos que usarem deepfakes podem ter o registro ou o mandato cassado.

O PT também observa que Nunes Marques, responsável pela elaboração das resoluções que norteiam as eleições deste ano, não alterou o texto original nem retirou a proibição de deepfakes. A Academia Brasileira de Direito Eleitoral havia sugerido que o tribunal esclarecesse a diferença entre deepfakes e inteligência artificial generativa, mas essa sugestão não foi incorporada. Para o PT, o que a defesa de Flávio pede agora — uma interpretação que permita o uso de deepfakes se não houver intenção de enganar — é precisamente o que o plenário do tribunal recusou há cinco meses.

Os advogados de Jair Bolsonaro já afirmaram ao Supremo Tribunal Federal que o ex-presidente não tinha conhecimento do vídeo exibido na convenção. Flávio segue em campanha enquanto seu pai cumpre prisão domiciliar, e a questão de como a inteligência artificial pode ser usada na política se tornou central para as eleições de 2026. O caso agora repousa nas mãos de Nunes Marques, que deve pautar a discussão formal para a próxima semana, com potencial para definir os limites legais do uso dessa tecnologia nas campanhas que se aproximam.

O deepfake de uso legítimo continua sendo deepfake. A licitude do uso é juízo normativo externo; a natureza da coisa não muda conforme o rótulo que se lhe aponha
— Advogados do PT ao TSE
Fantoches, animações, caricaturas, avatares, dublagens, charges, personagens digitais e representações gráficas sempre integraram a comunicação política. A inteligência artificial apenas ampliou os recursos técnicos disponíveis
— Defesa de Flávio Bolsonaro
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