Negociações entre escritório e fundo interessado em operações bancárias
No cruzamento entre o poder público e o capital privado, o PSB-DF levou ao Supremo Tribunal Federal uma questão que toca em algo mais profundo do que um simples pedido de investigação: a fronteira entre o que um governante foi e o que ele é. Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, é acusado de manter vínculos entre seu antigo escritório de advocacia e um fundo de investimento com interesses no BRB. A ação, distribuída ao ministro André Mendonça, convida a Procuradoria-Geral da República a decidir se o passado de um homem público pode alcançá-lo no presente — e se a distância declarada de seis anos é suficiente para separar o advogado do governador.
- O PSB-DF aciona o STF pedindo que a PGR investigue criminalmente o governador Ibaneis Rocha por supostos vínculos entre seu escritório e o fundo Reag Legal Claims, rebatizado Pedra Azul FIDC, com interesses em operações do BRB e do Banco Master.
- O partido vai além da investigação e pede o afastamento do governador durante as apurações, argumentando que sua permanência no cargo compromete a independência do processo.
- Os possíveis enquadramentos listados são graves: corrupção passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e gestão temerária de instituição financeira.
- A defesa, conduzida pelo advogado Kakay, rebate com um argumento temporal: Ibaneis está desligado do escritório desde 2018, e as negociações suspeitas teriam ocorrido quase seis anos depois de sua saída.
- A PGR agora ocupa o centro da decisão — avaliar se os elementos apresentados pelo PSB são suficientes para instaurar um inquérito formal ou se a explicação da defesa dissolve as suspeitas antes mesmo de elas se consolidarem.
O Partido Socialista Brasileiro no Distrito Federal protocolou ação no Supremo Tribunal Federal pedindo que a Procuradoria-Geral da República abra investigação criminal contra o governador Ibaneis Rocha. A acusação gira em torno de um fundo de investimento — antes chamado Reag Legal Claims, hoje Pedra Azul FIDC — que, segundo o partido, teria mantido negociações com o escritório de advocacia do governador visando operações que envolvem o BRB e o Banco Master.
A ação foi distribuída ao gabinete do ministro André Mendonça, já relator de processos ligados à Operação Compliance Zero. Além de solicitar a abertura de inquérito, o PSB-DF pediu que se considere o afastamento de Ibaneis durante as investigações, como forma de preservar a independência das apurações. O partido elencou uma série de possíveis crimes: corrupção passiva, tráfico de influência, advocacia administrativa, gestão temerária de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A defesa do governador respondeu com rapidez. Por meio de nota assinada por seus advogados, entre eles Kakay, afirmou que Ibaneis está afastado do escritório desde 2018 — ano de sua primeira eleição — e que, portanto, desconhece qualquer negociação posterior. A defesa nega categoricamente contatos com Marcos Ferreira Costa, identificado como diretor do Reag, e sustenta que tudo o que o governador sabe sobre o grupo veio de reportagens publicadas em 2026.
O argumento temporal é o núcleo da disputa: se o afastamento é real e documentado, como responsabilizar o governador por negociações que teriam ocorrido anos depois? A resposta caberá à PGR, que precisará decidir se há base suficiente para transformar a denúncia do PSB em procedimento investigatório formal.
O Partido Socialista Brasileiro no Distrito Federal acionou o Supremo Tribunal Federal na semana passada com um pedido direto: que a Procuradoria-Geral da República abra investigação contra o governador Ibaneis Rocha. No centro da acusação está um fundo de investimento e uma série de negociações que, segundo o partido, conectam o escritório de advocacia do governador a operações bancárias envolvendo o BRB e o Banco Master.
O fundo em questão mudou de nome ao longo do tempo — começou como Reag Legal Claims e depois passou a ser chamado Pedra Azul FIDC. De acordo com a denúncia do PSB-DF, esse fundo teria interesse em operações que envolvem o banco público do Distrito Federal. A informação chegou ao conhecimento público através de reportagens na imprensa, e o partido entendeu que havia base suficiente para solicitar uma investigação formal. A ação foi distribuída ao gabinete do ministro André Mendonça, que já atua como relator de casos ligados à Operação Compliance Zero.
Em sua manifestação ao tribunal, o PSB-DF pediu explicitamente que a PGR não apenas abra um inquérito, mas que considere também o afastamento do governador enquanto as investigações correm. O partido argumenta que isso seria necessário para garantir a independência das apurações. Se irregularidades forem confirmadas, a legenda lista uma série de possíveis enquadramentos penais: corrupção passiva, tráfico de influência, advocacia administrativa, gestão temerária de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O pedido inclui também solicitação de coleta de documentos, diligências e oitivas de testemunhas.
A defesa de Ibaneis respondeu rapidamente através de seus advogados, entre eles Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay. Segundo a nota divulgada, o governador está afastado do escritório de advocacia desde 2018, quando foi eleito pela primeira vez. Isso significaria que ele não teria informações sobre negociações que teriam ocorrido quase seis anos depois de seu desligamento. A defesa nega categoricamente que Ibaneis tenha participado de qualquer negociação com Marcos Ferreira Costa, identificado como diretor do Reag, ou com outros representantes da empresa.
O comunicado da defesa vai além: afirma que todas as informações que o governador possui sobre o grupo foram obtidas através de reportagens de jornais publicadas já em 2026. Essa resposta coloca em questão a própria base factual da acusação — se Ibaneis estava desligado do escritório há anos, como poderia ter negociado com o fundo? A questão agora segue para análise da PGR, que terá de avaliar se há elementos suficientes para instaurar um procedimento investigatório formal ou se a defesa conseguiu afastar as suspeitas com sua explicação sobre o afastamento anterior.
Notable Quotes
Está afastado do escritório desde 2018, de modo que não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento— Defesa de Ibaneis Rocha
A Procuradoria-Geral da República deve avaliar inclusive o pedido de afastamento do governador Ibaneis Rocha, a fim de garantir a independência das investigações— PSB-DF
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o PSB decidiu levar isso ao STF em vez de deixar com a polícia ou a PF?
Porque envolve o governador em exercício e operações de um banco público. Isso toca em questões de interesse da República. O STF é o lugar onde essas coisas chegam quando têm peso institucional.
A defesa diz que Ibaneis saiu do escritório em 2018. Isso realmente o coloca fora de alcance?
Legalmente, sim, se ele realmente não tinha informações. Mas a questão é: um escritório que leva o nome de alguém, mesmo que a pessoa tenha saído, continua carregando seu peso político. A defesa precisa provar que não havia comunicação, que não havia interesse.
E esse fundo, Reag ou Pedra Azul — o que ele ganha com operações do BRB?
Fundos como esse ganham com intermediação, com taxas, com participação em operações. Se o BRB estava fazendo algo com o Banco Master, e esse fundo estava no meio, alguém estava lucrando. A questão é se houve influência indevida para que isso acontecesse.
A PGR vai abrir investigação?
Isso depende de como ela avalia o que o PSB apresentou. Se achar que há indícios suficientes, sim. Se achar que a defesa respondeu bem, pode arquivar. Mas agora está no radar.
E se confirmarem algo?
Aí entra a lista que o PSB mencionou — corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro. Crimes graves que mexem com a carreira política de um governador.