Movimentos sociais e lideranças estudantis se mobilizaram contra a ocupação do espaço histórico da faculdade por candidato classificado como representante da extrema direita. O protesto reuniu UJS, UEE e sindicatos, com discursos críticos ao projeto político de Renan Santos e ao governador Tarcísio de Freitas, além de pedidos de reeleição de Lula.
Protesto de estudantes da USP contra candidato Renan Santos gera polêmica
A universidade pública é espaço da ciência, da democracia e do debate
Por que esse protesto importa se o candidato tem apenas 3% nas pesquisas?
Porque não se trata apenas de votos. O largo São Francisco é um espaço que carrega décadas de história política. Quando um candidato escolhe ocupá-lo, está dizendo algo sobre poder simbólico, sobre quem tem direito de estar ali.
Os estudantes parecem estar dizendo que certos projetos políticos não pertencem àquele lugar.
Exatamente. Eles argumentam que a faculdade foi construída em torno de ideais de democracia e debate. Ocupá-la para defender o que chamam de autoritarismo é, para eles, uma violação.
Mas Renan Santos estudou lá. Ele tem ligação com o lugar.
Tem, mas incompleta. Ele começou em 2003, foi ativo politicamente no Centro Acadêmico, mas não terminou o curso. Talvez por isso a reação seja tão forte — ele está voltando como candidato, não como aluno.
A campanha dele parecia estar provocando, com aquelas montagens nas redes sociais.
Sim. Publicar uma imagem de sua bandeira na fachada antes do evento era uma forma de dizer: "Eu vou estar lá, e vocês não podem me impedir". Os estudantes responderam com a mesma linguagem — bandeiras, ocupação do espaço, declarações públicas.
Isso muda algo para a campanha dele?
Provavelmente não em termos de votos. Mas reforça a narrativa que ambos os lados estão construindo — para os apoiadores de Santos, é censura; para os estudantes, é defesa. O evento de domingo vai acontecer, e a polarização vai ficar mais visível.
The Pulse
- Protesto na Faculdade de Direito da USP na noite de 13 de agosto contra candidato Renan Santos
- Renan Santos tem 3% nas intenções de voto segundo pesquisa Datafolha
- Renan ingressou em direito na USP em 2003 mas não completou o curso
- Comício de campanha de Santos estava marcado para o domingo, 16 de agosto, no largo São Francisco
Movimentos sociais e lideranças estudantis se mobilizaram contra a ocupação do espaço histórico da faculdade por candidato classificado como representante da extrema direita. O protesto reuniu UJS, UEE e sindicatos, com discursos críticos ao projeto político de Renan Santos e ao governador Tarcísio de Freitas, além de pedidos de reeleição de Lula.
Estudantes da Faculdade de Direito da USP protestaram contra o candidato presidencial Renan Santos (MBL) em reação ao seu primeiro ato de campanha previsto para o largo São Francisco.
Na noite de quinta-feira, 13 de agosto, estudantes de direito da Universidade de São Paulo ocuparam o auditório da Faculdade de Direito no largo São Francisco, no centro de São Paulo, para protestar contra a presença do candidato presidencial Renan Santos. O ato era uma resposta antecipada: Santos havia convocado apoiadores para um comício no mesmo espaço no domingo seguinte, marcando seu primeiro grande evento de campanha.
O protesto reuniu lideranças de movimentos sociais significativos — a União da Juventude Socialista, a União Estadual dos Estudantes e representantes dos sindicatos dos petroleiros e jornalistas. Durante horas, vozes se alternaram no auditório em discursos que criticavam não apenas Santos, mas também o governador Tarcísio de Freitas, enquanto pediam votos para a reeleição do presidente Lula. Entre os discursos, estudantes entoavam gritos de ordem: "Sem tirania, na universidade fascista não se cria".
Rita Lara, presidente do Centro Acadêmico 11 de Agosto, deixou clara a posição dos alunos: "A gente não vai deixar que a extrema direita ocupe nosso largo, o espaço dos estudantes". Bianca Borges, presidente estadual da União Nacional dos Estudantes, foi além, argumentando que o largo São Francisco é um território com história de defesa da democracia, e que ocupá-lo com um projeto que ela descreveu como autoritário era uma afronta àquele legado. "Quem escolhe as arcadas para defender um projeto autoritário precisa saber onde está pisando", disse.
A ironia histórica não passou despercebida. Renan Santos ingressou em direito na USP em 2003 e começou sua trajetória política justamente no Centro Acadêmico 11 de Agosto — a mesma entidade que agora o combatia. Ele não completou o curso. Nas redes sociais, sua campanha publicava montagens mostrando uma bandeira gigante com seu rosto estendida na fachada da faculdade, acompanhada de mensagens como "A USP já elegeu 13 presidentes, está na hora de eleger o 14". Era uma provocação calculada.
O Centro Acadêmico respondeu com um comunicado classificando o projeto político de Santos como representante de um "ataque sistemático à educação, aos serviços públicos e aos movimentos sociais". A União Nacional dos Estudantes publicou fotos de estudantes em frente a uma bandeira que dizia "Universidade Território Antifascista" estendida na mesma fachada, acompanhada de uma declaração: "A universidade pública é o espaço da ciência, da democracia e do debate de ideias. Não existe e nunca haverá espaço para o fascismo ou o ódio disfarçados de 'liberdade' dentro dos nossos campus".
O conflito refletia uma polarização mais ampla nas eleições presidenciais. Segundo a pesquisa Datafolha mais recente, Santos aparecia com 3% das intenções de voto, tecnicamente empatado em terceiro lugar com Romeu Zema, do Novo, também com 3%. Outros candidatos como Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Samara Martins, Cabo Daciolo e Rui Costa Pimenta dividiam o restante do eleitorado fragmentado. Apesar dos números modestos, a disputa pelo espaço simbólico da USP — uma instituição que elegeu 13 presidentes brasileiros — havia se tornado um campo de batalha política.
Notable Quotes
A gente não vai deixar que a extrema direita ocupe nosso largo, o espaço dos estudantes— Rita Lara, presidente do Centro Acadêmico 11 de Agosto
Quem escolhe as arcadas para defender um projeto autoritário precisa saber onde está pisando— Bianca Borges, presidente estadual da União Nacional dos Estudantes