Proteína transforma experiências no varejo alimentar brasileiro

Proteína deixou de ser coisa de atleta e virou conveniência
A categoria expandiu-se para além do universo fitness, integrando-se aos diferentes momentos da rotina cotidiana das pessoas.

Nas prateleiras dos supermercados brasileiros, o que antes era território exclusivo de atletas e entusiastas do fitness começa a ocupar o centro da vida cotidiana: os suplementos proteicos migraram das lojas especializadas para o varejo de massa, refletindo uma transformação silenciosa nos valores que orientam o consumo alimentar no país. Presentes em 59% dos lares brasileiros — crescimento de 10% desde 2015 —, esses produtos revelam que praticidade, saudabilidade e funcionalidade deixaram de ser aspirações de nicho para se tornarem expectativas comuns. O mercado global, estimado em quase US$ 30 bilhões em 2025, projeta dobrar até 2033, sinalizando que essa reconfiguração das gôndolas é também uma reconfiguração do que a sociedade contemporânea entende por alimentação normal.

  • Suplementos proteicos invadem as gôndolas dos supermercados brasileiros, deslocando-se de um nicho especializado para o coração do varejo alimentar de massa.
  • A discussão em torno de medicamentos para controle de peso, como os agonistas de GLP-1, acelerou o interesse popular pela ingestão adequada de proteínas e pela preservação muscular.
  • Empresas reagem à demanda criando produtos híbridos — como o milk shake de morango em versão whey protein desenvolvido pela Atlhetica Nutrition® com o Bob's Em Casa — que unem sabor, conveniência e funcionalidade.
  • Consultorias globais como Mintel e FMCG Gurus confirmam que a tendência não é brasileira: o apetite por alimentos indulgentes e funcionais ao mesmo tempo cresce em todo o mundo.
  • O mercado global de suplementos proteicos pode dobrar de tamanho até 2033, crescendo a uma taxa anual de 10,3%, pressionando o varejo tradicional a se reinventar para acomodar essa nova normalidade alimentar.

Nas prateleiras dos supermercados brasileiros, algo mudou de lugar — e de significado. Produtos proteicos que viviam confinados em lojas de suplementação especializadas agora dividem espaço com alimentos convencionais, numa migração que não é acidental. Ela traduz uma transformação profunda nos critérios que orientam as decisões de compra: praticidade, saudabilidade e conveniência passaram a ser exigências do consumidor comum, não apenas do frequentador de academia.

Os dados da ABIAD confirmam a escala dessa mudança: suplementos alimentares já estão presentes em 59% dos lares brasileiros, crescimento de 10% em relação a 2015. O que era nicho tornou-se fenômeno de massa. Parte dessa aceleração tem raízes nas discussões recentes sobre medicamentos agonistas de GLP-1 — usados no tratamento da obesidade —, que trouxeram à tona a importância da proteína na preservação muscular durante o emagrecimento, ampliando o interesse por esses produtos muito além do universo fitness.

A APAS Show 2026, realizada em maio em São Paulo, funcionou como vitrine dessa transformação. Ali, a parceria entre Atlhetica Nutrition® e Bob's Em Casa apresentou uma versão em whey protein do tradicional milk shake de morango da rede — símbolo concreto de um mercado que aprendeu a conciliar indulgência e funcionalidade. Ricardo de Angelis, CEO da Atlhetica Nutrition®, resumiu o movimento: o consumidor de hoje quer produtos que caibam na rotina sem abrir mão do sabor ou do propósito.

Consultorias internacionais como Mintel e FMCG Gurus documentam que essa tendência não é exclusivamente brasileira — é parte de uma expansão global. O mercado mundial de suplementos proteicos, estimado em US$ 29,78 bilhões em 2025, poderá alcançar US$ 63,22 bilhões até 2033, crescendo a uma taxa anual de 10,3%. O que estava nas margens do varejo alimentar agora ocupa o centro das gôndolas — e essa reconfiguração do espaço físico das lojas é também uma reconfiguração do que se entende, no Brasil e no mundo, como consumo cotidiano e desejável.

Nas prateleiras dos supermercados brasileiros, algo mudou. Produtos proteicos que antes viviam confinados em lojas especializadas de suplementação agora ocupam espaço crescente ao lado dos alimentos convencionais. Essa migração não é acidental — reflete uma transformação profunda nos hábitos de consumo do país, onde praticidade, saudabilidade e conveniência se tornaram critérios centrais nas decisões de compra.

Os números contam essa história com clareza. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD), suplementos alimentares já estão presentes em 59% dos lares brasileiros, um crescimento de 10% em relação a 2015. O que era nicho — domínio de atletas e frequentadores de academias — virou fenômeno de massa. A categoria expandiu-se para além do universo fitness, integrando-se aos diferentes momentos da rotina cotidiana das pessoas.

Parte dessa aceleração tem raízes em discussões recentes sobre medicamentos agonistas de GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e controle de peso. Pesquisas de instituições como Harvard Health Publishing e análises de especialistas em saúde reforçaram a importância da ingestão adequada de proteínas e preservação da massa muscular durante processos de emagrecimento. Esse conhecimento ampliou o interesse por alimentos proteicos e produtos voltados à conveniência alimentar, criando uma demanda que o varejo tradicional passou a atender.

A APAS Show 2026, realizada entre 18 e 21 de maio em São Paulo, funcionou como vitrine dessa transformação. O evento reuniu empresas dos setores de alimentos, bebidas, varejo e suplementação, apresentando iniciativas alinhadas às mudanças no comportamento do consumidor. Um exemplo concreto: a colaboração entre Atlhetica Nutrition® e Bob's Em Casa, que adaptou o tradicional milk shake de morango da rede para uma versão em whey protein. Ricardo de Angelis, fundador e CEO da Atlhetica Nutrition®, resumiu o movimento: o consumidor contemporâneo busca produtos que conciliem conveniência, sabor e funcionalidade, e a presença da suplementação no varejo acompanha essa mudança, ampliando as possibilidades de consumo dentro da rotina.

Consultorias internacionais como Mintel e FMCG Gurus documentam essa tendência global. Suas pesquisas apontam aumento do interesse por alimentos que combinem indulgência e funcionalidade, especialmente em categorias relacionadas à proteína. Não é um movimento isolado do Brasil — é parte de uma expansão internacional desses produtos no varejo tradicional.

O potencial de crescimento é substancial. Segundo a Grand View Research, o mercado global de suplementos proteicos foi estimado em US$ 29,78 bilhões em 2025 e poderá alcançar US$ 63,22 bilhões até 2033, impulsionado pela busca por saudabilidade, funcionalidade e conveniência alimentar. A projeção indica uma taxa média de crescimento anual de 10,3% no período. No Brasil, a ampliação da presença desses produtos em supermercados e redes varejistas reflete essas mudanças observadas nos últimos anos, especialmente em categorias associadas à proteína, snacks funcionais e bebidas com apelo nutricional.

O que estava acontecendo nas margens do varejo alimentar — em lojas especializadas, voltadas para um público específico — agora ocupa o centro das gôndolas. Essa reconfiguração do espaço físico das lojas é também uma reconfiguração do que a indústria alimentar brasileira entende como consumo normal, cotidiano, desejável.

O consumidor busca produtos que conciliem conveniência, sabor e funcionalidade. A presença da suplementação no varejo alimentar acompanha essa mudança de comportamento
— Ricardo de Angelis, fundador e CEO da Atlhetica Nutrition®
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a proteína saiu de lojas especializadas agora? O que mudou?

Model

Três coisas convergiram. Primeiro, a conversa sobre saúde e emagrecimento ficou muito mais pública — medicamentos como GLP-1 trouxeram a questão da preservação muscular para o debate mainstream. Segundo, as pessoas começaram a entender proteína não como coisa de atleta, mas como conveniência — um jeito de comer melhor sem complicação. Terceiro, o varejo viu o mercado crescendo e decidiu estar lá.

Inventor

Mas 59% dos lares brasileiros já têm suplementos? Isso é bastante.

Model

É. E cresceu 10% desde 2015. Significa que deixou de ser exceção. Virou normal. Seu avó talvez nunca tivesse visto whey protein numa gôndola de supermercado. Seu filho vai achar estranho se não estiver lá.

Inventor

A colaboração entre Bob's e Atlhetica Nutrition parece simbólica.

Model

Exatamente. Bob's é varejo de massa, tradicional, familiar. Atlhetica é suplementação. Quando eles fazem um milk shake de whey protein juntos, estão dizendo: isso não é mais nicho. Isso é para todo mundo, em qualquer hora do dia.

Inventor

E o mercado global vai dobrar em oito anos?

Model

De US$ 29,78 bilhões para US$ 63,22 bilhões. É crescimento de 10,3% ao ano. Não é especulação — é projeção baseada em tendências que já estão acontecendo. O Brasil está dentro dessa onda.

Inventor

Qual é o risco aqui? Tem algum?

Model

O risco é quando a conveniência vira a única métrica. Proteína em pó é funcional, mas não substitui comida de verdade. Se as pessoas começarem a ver suplementação como refeição, aí tem problema. Por enquanto, parece estar sendo integrado à rotina, não substituindo.

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