Prorrogação da votação tem baixa procura e deixa eleitores frustrados diante de seções já fechadas

Eleitores que chegaram após as 17h, inclusive uma idosa de 70 anos, ficaram sem poder votar e receberam apenas declaração de comparecimento sem voto.
Foi uma grande confusão
Bruna Lourenço, presidente de seção em Samambaia Sul, descreve como soube da prorrogação só depois de fechar as urnas.
Mark

Se o STF prorrogou até as 19h, por que tanta gente achou a porta fechada?

Mimi

Porque a decisão chegou tarde às seções. Em Samambaia Sul, a presidente Bruna Lourenço fechou as urnas às 17h, seguindo a rotina, e só soube da prorrogação depois de entregar tudo.

Luke

E há um segundo fator: o TSE orientou quase uma hora depois que a prorrogação valeria só para seções ainda abertas. Isso está no relato.

Mark

Então a regra não era igual para todos?

Mimi

Na prática, não. Em São Paulo, a seção 309 ficou aberta até as 19h. No Pensi, no Rio, o portão fechou às 17h e pelo menos sete pessoas ficaram de fora.

Luke

Cuidado com a generalização. São casos relatados em Rio, Brasília, São Paulo e Campinas. A matéria não traz um total nacional de seções fechadas nem de eleitores prejudicados.

Mark

E a baixa procura nas seções abertas?

Mimi

Lucas Suassuna, mesário em São Paulo, estimou três ou quatro pessoas depois da prorrogação. Isso pesa na leitura de que o efeito foi pequeno.

Luke

Mas é a estimativa de um mesário, numa seção só. Não dá para extrapolar.

Mark

O que os eleitores receberam?

Mimi

Uma Declaração de Comparecimento sem Voto, que atesta a tentativa. Gina Cláudia Nunes, de 70 anos, saiu sem votar, depois de ser mandada de uma escola para outra.

Luke

Resta saber se haverá consequência formal. A matéria só diz que o caso deve gerar questionamentos sobre a comunicação; nada está decidido.

  • A decisão do STF de prorrogar a votação até as 19h foi anunciada quando muitas seções já tinham fechado as urnas às 17h.
  • Mesários só souberam da mudança depois de imprimir boletins e entregar urna, ata e mídia, e as filas de última hora se desfizeram em frustração.
  • O TSE tentou corrigir o rumo limitando a extensão às seções ainda abertas, o que criou um mapa desigual de quem pôde e de quem não pôde votar.
  • Eleitores como a idosa de 70 anos e a viajante de Uruguai saíram sem voto, com apenas uma declaração de comparecimento, e a comunicação da medida já é alvo de questionamentos.

Num fim de tarde de segunda votação, uma decisão tomada com boa intenção — esticar o relógio para que mais pessoas pudessem exercer o direito de voto — chegou tarde demais a muitas salas onde as urnas já estavam lacradas. No Rio, em Brasília, em São Paulo e em Campinas, eleitores que vieram com a esperança de uma segunda chance saíram com um papel que atesta a tentativa, não o voto. É mais uma lembrança de que a democracia depende tanto da decisão quanto do caminho pelo qual ela chega às pessoas que devem executá-la.

Às cinco da tarde, o portão do Colégio Pensi, no Flamengo, Rio de Janeiro, foi fechado. Pouco antes, o Supremo Tribunal Federal havia estendido a votação até as 19h. Pelo menos sete pessoas chegaram depois das 17h, já sabendo da notícia, mas não puderam votar. Saíram com uma Declaração de Comparecimento sem Voto, documento que atesta a tentativa e nada mais.

O mesmo cenário se repetiu em outras cidades. Quase uma hora após a decisão, o TSE orientou que a prorrogação valeria apenas para seções que ainda não tinham encerrado. Em muitos lugares, já havia encerrado.

A contadora Manuela Tunas, que viajou do Uruguai e pousou só às 17h, considerou injusto que algumas pessoas pudessem votar e outras não. A aposentada Gina Cláudia Nunes, de 70 anos, foi de uma escola fechada a outra e ouviu que já era tarde. Resumiu o sentimento como "frustração total".

Do lado dos mesários, a confusão também foi grande. Em Brasília, Bruna Lourenço fechou as urnas às 17h, como manda o procedimento, e só depois soube da prorrogação. Em São Paulo, um mesário recebeu a ordem de manter a seção aberta, mas quase não houve movimento. Em Campinas, a advogada Amanda Vitorino encontrou urnas fechadas e eleitores à porta, e concluiu que, na prática, não houve prorrogação.

O episódio deve gerar questionamentos sobre o momento e a forma da comunicação. Por ora, quem chegou depois das 17h levou para casa apenas um papel dizendo que tentou votar.

Às cinco da tarde, o portão do Colégio Pensi, no Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro, foi fechado. Era uma das maiores zonas eleitorais da região, e pelo menos sete pessoas chegaram depois disso, já com a notícia de que o Supremo Tribunal Federal (STF) havia prorrogado a votação até as 19h. Não conseguiram votar. Receberam uma Declaração de Comparecimento sem Voto, assinada pelo presidente da seção, atestando que foram ao local e não puderam exercer o direito.

A cena se repetiu em outras cidades. Depois da decisão do STF, quem ainda não tinha votado viu na medida uma segunda chance, mas muitos encontraram as portas trancadas. Quase uma hora depois da determinação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) orientou que a prorrogação até as 19h, no horário de Brasília, valeria apenas para as seções que ainda não haviam encerrado a votação. Em muitos lugares, o encerramento já tinha acontecido.

A contadora Manuela Tunas viajou do Uruguai ao Rio para votar. Um atraso no voo a fez pousar só às 17h. Chegou ao Pensi achando que a prorrogação lhe daria tempo, mas não conseguiu votar. Para ela, o fato de algumas seções ficarem abertas e outras não cria uma assimetria: "Um absurdo! Porque algumas pessoas podem votar e outras não, é injusto". A estudante Gabriele Eduarda de Azevedo também estava viajando e já havia desistido de votar. Quando soube da nota, concluiu que daria tempo, e disse esperar que o prazo até as 19h fosse respeitado.

A aposentada Gina Cláudia Nunes, de 70 anos, encontrou fechada a escola onde vota. Pessoas no local a orientaram a ir ao Pensi, que ainda estava aberto, mas lá lhe disseram que as urnas já estavam encerradas e que aquela não era a zona dela. Ela votou no primeiro turno e queria votar também no segundo. Resumiu o que sentiu como "frustração total".

Do outro lado do balcão, os mesários também ficaram sem informação. Em Brasília, Bruna Lourenço foi presidente de seção na Escola Classe 108, em Samambaia Sul. Segundo ela, o dia foi tranquilo, com votação rápida, bem diferente do primeiro turno, de filas e demora. Às 17h a escola tocou o sinal, e a orientação era esperar o coordenador avisar que o prédio estava vazio para então fechar as urnas e imprimir os boletins. Foi o que fizeram. Só depois de concluir os procedimentos ela viu as notícias. Muita gente, relata, soube da prorrogação quando já havia entregue urna, ata e mídia. "Foi uma grande confusão", disse. O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) confirmou que as urnas da seção dela, assim como outras no DF, foram fechadas às 17h em ponto, antes de a informação chegar aos mesários e presidentes de seção.

Em São Paulo, a seção 309 da 6ª Zona Eleitoral ficou aberta até as 19h. O mesário voluntário Lucas Suassuna contou que, às 17h, recebeu a ordem de não fechar, e por volta das 17h10 foi avisado de que deveria ficar até as 19h. A seção fica perto de estação de metrô e de linhas de ônibus, mas, segundo ele, desde as 16h40 quase não havia movimento. Depois da prorrogação, calcula que entraram no máximo três ou quatro pessoas.

Em Campinas, a advogada Amanda Vitorino votou de manhã, mas, ao saber da medida, percorreu escolas próximas para verificar se ela era cumprida. Passou pelas escolas Professora Maria Julieta de Godói Cartezani, Tancredo Neves e Matinde Azevedo Egídio Setúbal. Encontrou urnas fechadas e pessoas à porta querendo votar. Os mesários disseram que fecharam às 17h e que a informação chegou depois. Ela diz entender a situação, mas observa que não havia nenhuma previsão de contingência. Para Amanda, na prática não houve prorrogação.

O episódio deve render questionamentos sobre a forma e o momento em que a medida foi comunicada. Por ora, o que ficou nas mãos dos eleitores que chegaram depois das 17h foi um papel atestando que tentaram votar.

Um absurdo! Porque algumas pessoas podem votar e outras não, é injusto.
— Manuela Tunas, contadora
Eu fui nas escolas para registrar o impacto da decisão tardia, pois na prática não houve prorrogação.
— Amanda Vitorino, advogada, Campinas
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