Em um domingo de segundo turno, a decisão de estender a votação até as 19h chegou ao país como um gesto de abertura que, na prática, não alcançou a todos. Enquanto a ordem viajava mais devagar que os eleitores, mesários já haviam recolhido urnas e fechado portões, e pessoas que cruzaram cidades e fronteiras encontraram apenas uma declaração de que tentaram votar. É um lembrete de que o direito de escolher depende tanto de regras quanto do tempo em que elas chegam às mãos de quem deve cumpri-las.
Prorrogação da votação tem baixa procura e deixa eleitores frustrados diante de portões fechados
"Na prática não houve prorrogação"
O que aconteceu, afinal, com essa prorrogação até as 19h?
O STF decidiu prorrogar, mas a orientação do TSE, quase uma hora depois, limitou a medida às seções ainda abertas. Muitas já tinham fechado as urnas às 17h.
E isso está confirmado oficialmente? Ou é só o relato dos mesários?
O TRE-DF confirmou que, no Distrito Federal, as urnas fecharam às 17h em ponto, antes de a informação chegar aos mesários.
E os eleitores, como reagiram?
Com frustração. Manuela Tunas veio do Uruguai e pousou às 17h. Gina Nunes, de 70 anos, foi mandada de uma escola para outra e não conseguiu votar.
Quantas pessoas foram afetadas no total? A reportagem dá esse número?
Não. Só cita pelo menos sete no Colégio Pensi e casos pontuais em outras cidades. O alcance nacional segue desconhecido.
E onde a votação continuou aberta?
Na seção 309, em São Paulo, o mesário Lucas Suassuna estima que entraram três ou quatro pessoas. É a estimativa dele, não um dado oficial.
Então não dá para dizer que a prorrogação teria mudado o resultado.
Exatamente. A reportagem mostra confusão e frustração, não o impacto numérico. Se a Justiça Eleitoral vai avaliar isso, ainda é uma incógnita.
O Pulso
- Uma decisão do STF estendeu a votação do segundo turno até as 19h, mas a notícia chegou quando muitas urnas já estavam lacradas às 17h.
- No Rio, pelo menos sete pessoas saíram do Colégio Pensi com uma declaração de comparecimento sem voto nas mãos.
- Em Brasília, presidentes de seção seguiram o procedimento de fechamento e só souberam da prorrogação com a urna, a ata e o boletim já concluídos.
- Onde as seções ficaram abertas, o movimento foi quase nulo, e em Campinas duas pessoas ainda aguardavam à porta sem conseguir votar.
- A questão agora é se a Justiça Eleitoral vai examinar o impacto da comunicação tardia sobre o direito de voto.
Em um domingo de segundo turno, a decisão de estender a votação até as 19h chegou ao país como um gesto de abertura que, na prática, não alcançou a todos. Enquanto a ordem viajava mais devagar que os eleitores, mesários já haviam recolhido urnas e fechado portões, e pessoas que cruzaram cidades e fronteiras encontraram apenas uma declaração de que tentaram votar. É um lembrete de que o direito de escolher depende tanto de regras quanto do tempo em que elas chegam às mãos de quem deve cumpri-las.
No Colégio Pensi, no Flamengo, pelo menos sete pessoas chegaram depois das 17h e encontraram os portões fechados. Em vez do voto, receberam uma Declaração de Comparecimento sem Voto, documento que atesta que tentaram votar e não conseguiram. A cena se repetiu em outras cidades depois que o STF decidiu prorrogar a votação do segundo turno até as 19h.
A notícia chegou desencontrada. Quase uma hora após a decisão, o TSE orientou que a prorrogação valeria apenas para seções que ainda não tinham encerrado a votação. Muitos mesários só souberam depois que as urnas já estavam fechadas.
Entre os barrados no Rio estava a contadora Manuela Tunas, que voou do Uruguai e pousou às 17h. "Um absurdo! Porque algumas pessoas podem votar e outras não, é injusto", disse. A aposentada Gina Cláudia Nunes, de 70 anos, foi de escola em escola e ouviu que sua zona eleitoral não era aquela. "Frustração total", resumiu.
Em Brasília, a presidente de seção Bruna Lourenço seguiu o procedimento sem saber de nada. Quando a prorrogação chegou, a urna já estava lacrada. "Foi uma grande confusão", disse. O TRE-DF confirmou que as urnas foram fechadas às 17h em ponto.
Onde as seções permaneceram abertas, quase ninguém apareceu. Em São Paulo, o mesário Lucas Suassuna estimou que entraram no máximo três ou quatro pessoas após a prorrogação. Em Campinas, a advogada Amanda Vitorino percorreu escolas e constatou que, na prática, não houve prorrogação. "Na prática não houve prorrogação", afirmou.
Fica em aberto se a Justiça Eleitoral vai avaliar o efeito da comunicação tardia sobre o direito de voto no segundo turno.
No Colégio Pensi, no Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro, pelo menos sete pessoas chegaram depois das 17h e encontraram os portões já fechados. Era uma das maiores zonas eleitorais da região, e o que essas pessoas receberam no lugar do voto foi uma Declaração de Comparecimento sem Voto, assinada pelo presidente da seção, atestando que foram até lá e não conseguiram votar. A cena se repetiu em outras cidades depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu prorrogar a votação do segundo turno até as 19h.
A medida foi vista, por quem ainda não tinha votado, como uma chance de garantir o voto. Mas a informação chegou desencontrada. Quase uma hora depois da decisão, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) orientou que a prorrogação, até as 19h no horário de Brasília, valeria apenas para as seções que ainda não tinham encerrado a votação. Muitos mesários só souberam da decisão depois que as urnas já estavam fechadas e não era mais possível reabrir os trabalhos. A Agência Brasil ouviu eleitores e mesários.
Entre os barrados no Rio estava a contadora Manuela Tunas, que viajou do Uruguai para votar. Um atraso no voo fez com que ela pousasse só às 17h. "Eu consegui chegar até aqui a tempo para tentar votar, já que eles prorrogaram. Mas, eu não consegui", disse. Para ela, o fato de algumas seções continuarem abertas e outras não cria uma assimetria: "Um absurdo! Porque algumas pessoas podem votar e outras não, é injusto".
A estudante Gabriele Eduarda de Azevedo também voltava de viagem e já tinha se conformado em não votar. Ao saber da nota da prorrogação, achou que daria tempo. "A partir do momento que solta essa nota de que pode ir até às sete horas, eu espero que isso seja respeitado", disse. A aposentada Gina Cláudia Nunes, de 70 anos, encontrou fechada a escola onde vota. Pessoas no local a orientaram a ir ao Pensi, que ainda estava aberto, mas lá ouviu que as urnas já estavam fechadas e que sua zona eleitoral não era aquela. "Frustração total", resumiu. Ela havia votado no primeiro turno e queria votar também no segundo.
Em Brasília, Bruna Lourenço foi presidente de seção na Escola Classe 108, em Samambaia Sul. Segundo ela, o dia foi tranquilo e a votação, rápida, ao contrário do primeiro turno, de filas e demora. Às 17h a escola tocou o sinal, e a orientação era esperar o coordenador avisar que o prédio estava vazio para fechar as urnas e imprimir os boletins. Ela seguiu o procedimento sem saber de nada e só viu as notícias depois de concluir tudo. "As informações demoraram muito a chegar", contou. Muita gente soube da prorrogação com a urna já entregue, o boletim e a ata preenchidos e a mídia devolvida. "Foi uma grande confusão", disse. O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) confirmou que as urnas foram fechadas às 17h em ponto, antes que a informação alcançasse mesários e presidentes de seção.
Onde a seção permaneceu aberta, quase ninguém apareceu. Em São Paulo, Lucas Suassuna, mesário voluntário na seção 309 da 6ª Zona Eleitoral, foi avisado às 17h para não fechar, pois ainda não havia autorização. Por volta das 17h10, soube que ficaria até as 19h. A seção fica perto de uma estação de metrô e de linhas de ônibus, mas, segundo ele, já quase não havia movimento desde as 16h40. Depois da prorrogação, calcula que entraram no máximo três ou quatro pessoas.
Em Campinas (SP), a advogada Amanda Vitorino votou de manhã e, ao saber da prorrogação, percorreu escolas próximas para checar se ela estava sendo cumprida. Passou pelas escolas Professora Maria Julieta de Godói Cartezani, Tancredo Neves e Matinde Azevedo Egídio Setúbal. Numa delas, disseram que as urnas tinham sido fechadas às 17h e que a informação chegou depois; havia duas pessoas à porta querendo votar. Ela diz entender os mesários, mas lembra que não havia orientação sobre contingência. "Na prática não houve prorrogação", afirmou.
Fica em aberto se a Justiça Eleitoral vai avaliar o efeito da comunicação tardia sobre o direito de voto no segundo turno.
Citações Notáveis
As informações demoraram muito a chegar. Foi uma grande confusão.— Bruna Lourenço, presidente de seção em Samambaia Sul (DF)
Um absurdo! Porque algumas pessoas podem votar e outras não, é injusto.— Manuela Tunas, contadora