Em Austin, Texas, um entregador venezuelano de 28 anos com autorização de trabalho válida foi baleado nas costas durante uma abordagem do ICE e agora enfrenta acusações federais de agressão a agentes — um caso que condensa, em um único domingo de setembro, as tensões mais profundas entre lei, imigração e a narrativa que o Estado escolhe contar sobre si mesmo. Wilber Garces Perez entrou nos Estados Unidos por um caminho legal que foi posteriormente revogado, trabalhou dentro das regras que encontrou e saiu daquele encontro com uma bala alojada no corpo e uma denúncia que pode custar-lhe vinte a
Promotoria federal denuncia venezuelano baleado pelo ICE por suposta agressão a agentes
Dormiu no chão com uma bala ainda alojada ao corpo
Como é possível que um homem com autorização de trabalho válida tenha sido baleado durante uma abordagem de rotina?
Perez entrou legalmente pelo sistema de asilo de Biden e tinha documentação em dia. Mas um juiz havia emitido uma ordem de remoção contra ele antes da operação. O ICE estava executando essa ordem quando o abordou.
Mas por que havia uma ordem de remoção se ele tinha autorização de trabalho? O que mudou?
Os documentos judiciais dizem que a conversa começou de forma amigável. O que levou ao disparo?
Segundo a promotoria, Perez fechou a janela abruptamente, acelerou o carro, e seu retrovisor atingiu um agente enquanto ele supostamente tentava atropelar outro. Mas Perez diz que foi atingido primeiro por um SUV descaracterizado.
Então temos duas narrativas completamente diferentes. Quem tem as imagens?
A advogada pediu divulgação de imagens. Elas existem?
Não sabemos. Talarico exigiu que todas as imagens disponíveis fossem divulgadas, o que sugere que podem existir câmeras de segurança ou do próprio ICE.
Exatamente. Sem as imagens, estamos apenas ouvindo duas versões contraditórias. Uma bala nas costas é um fato. O que a precedeu é ainda uma questão aberta.
E o que aconteceu depois que ele foi baleado?
Perez foi levado para um centro de detenção. Sua advogada diz que o ferimento não foi tratado antes do interrogatório. Ele dormiu no chão com a bala ainda dentro do corpo.
Isso, se verdade, é uma questão de cuidados médicos em custódia. Mas precisamos saber se a bala foi removida depois, qual era o estado de saúde dele.
El Pulso
- Um entregador venezuelano com documentos válidos foi baleado nas costas pelo ICE e, dias depois, tornou-se réu federal — a inversão de vítima a acusado em menos de duas semanas acendeu alarmes sobre o uso seletivo da lei.
- As versões são irreconciliáveis: a promotoria diz que Perez acelerou o carro e atingiu agentes; ele afirma ter sido colidido por um SUV descaracterizado antes de ser alvejado — e não há imagens divulgadas para arbitrar o conflito.
- Perez foi interrogado sem tratamento médico e dormiu no chão de um centro de detenção com a bala ainda no corpo, condições que sua advogada denunciou publicamente e que amplificaram a indignação política.
- Líderes democratas do Texas, incluindo o candidato ao Senado estadual James Talarico, exigem investigação independente e divulgação de todas as imagens disponíveis, argumentando que o ICE não pode ser árbitro de sua própria conduta.
- Cerca de cem estudantes do ensino médio foram às ruas em Pflugerville para protestar contra o ICE, sinalizando que o caso ultrapassou o debate jurídico e entrou no tecido da mobilização social.
Em Austin, Texas, um entregador venezuelano de 28 anos com autorização de trabalho válida foi baleado nas costas durante uma abordagem do ICE e agora enfrenta acusações federais de agressão a agentes — um caso que condensa, em um único domingo de setembro, as tensões mais profundas entre lei, imigração e a narrativa que o Estado escolhe contar sobre si mesmo. Wilber Garces Perez entrou nos Estados Unidos por um caminho legal que foi posteriormente revogado, trabalhou dentro das regras que encontrou e saiu daquele encontro com uma bala alojada no corpo e uma denúncia que pode custar-lhe vinte anos de liberdade. O que está em disputa não é apenas a versão dos fatos, mas a própria legitimidade de quem tem o direito de ser ouvido.
Wilber Garces Perez tinha 28 anos e entregava comida pelo DoorDash quando agentes do ICE o abordaram em seu carro, num domingo de setembro em Austin, Texas. Venezuelano, ele havia entrado nos Estados Unidos em 2024 por um programa de asilo criado por Joe Biden — programa que Donald Trump revogou — e possuía autorização de trabalho válida. Uma ordem de remoção havia sido emitida contra ele antes da operação.
Os documentos judiciais descrevem um início de abordagem relativamente cordial: Perez apresentou sua carteira, conversou em espanhol com um agente sobre estacionar o carro, em tom descrito como amigável. Cerca de um minuto depois, segundo a promotoria federal, ele fechou a janela abruptamente, acelerou e o retrovisor de seu carro atingiu um agente, enquanto ele teria tentado atropelar outro. Perez conta uma história diferente: afirma ter sido colidido lateralmente por um SUV descaracterizado, o que o fez fazer um retorno, e foi baleado nas costas antes de parar.
O que veio depois agravou o caso. Sua advogada, Kate Lincoln-Goldfinch, denunciou que Perez foi interrogado sem receber tratamento médico. Ele próprio relatou ter dormido no chão de um centro de detenção no sul do Estado com a bala ainda alojada no corpo. Agora enfrenta acusações que podem resultar em até 20 anos de prisão.
A repercussão política foi imediata. James Talarico, candidato democrata ao Senado estadual do Texas, exigiu investigação independente, argumentando que não se pode confiar que o ICE relate todos os fatos por conta própria. Protestos eclodiram em Pflugerville, onde cerca de cem estudantes do ensino médio foram às ruas gritar palavras de ordem contra o ICE. O caso segue aberto, com duas versões em conflito direto e nenhuma imagem divulgada para iluminar o que realmente aconteceu naquele domingo.
Wilber Garces Perez tinha 28 anos e entregava comida pelo aplicativo DoorDash quando agentes do ICE o abordaram em seu carro no domingo, 20 de setembro, em Austin, Texas. Nesta terça-feira, promotores federais apresentaram uma denúncia contra ele acusando agressão a agentes federais. Se condenado, Perez pode receber até 20 anos de prisão.
O venezuelano havia entrado nos Estados Unidos em 2024 através de um sistema de pedido de asilo criado pelo então presidente Joe Biden — um programa que Donald Trump revogou no ano passado. Perez possuía autorização de trabalho válida e estava trabalhando legalmente quando foi abordado. Um juiz havia emitido uma ordem de remoção contra ele antes da operação do ICE.
Os documentos judiciais citados pela Associated Press descrevem o início do encontro de forma relativamente cordial. Perez apresentou sua carteira de motorista aos agentes. Conversou em espanhol com um deles sobre mover e estacionar o carro, em um tom que os documentos descrevem como amigável e não agressivo. Mas cerca de um minuto depois, ele fechou a janela abruptamente e acelerou o veículo. A promotoria federal alega que o retrovisor do carro de Perez atingiu um dos agentes e que ele tentou atropelar outro funcionário do ICE.
A versão de Perez é diferente. Um dia após o incidente, em coletiva de imprensa convocada por sua advogada, Kate Lincoln-Goldfinch, ele afirmou ter sido atingido lateralmente por um SUV descaracterizado. Isso o levou a fazer um retorno, momento em que seu carro foi atingido novamente antes de ele parar. Então foi baleado nas costas.
O que aconteceu depois agravou a situação. A advogada de Perez denunciou que o ferimento a bala não foi tratado antes dele ser interrogado. O próprio Perez relatou ter dormido no chão após chegar a um centro de detenções no sul do Estado, com uma bala ainda alojada em seu corpo.
O caso provocou reação imediata entre líderes democratas do Texas. James Talarico, visto como a maior chance dos democratas em décadas de conquistar uma cadeira no Senado estadual, exigiu uma investigação independente sobre os disparos do ICE em Austin. "Incidentes anteriores demonstraram que não se pode confiar que esta agência relatará todos os fatos", escreveu Talarico em rede social. "Precisamos de uma investigação completa e independente que inclua a divulgação de todas as imagens disponíveis".
Protestos contra a agenda anti-imigração de Trump também eclodiram no Estado. Cerca de cem alunos do ensino médio de Pflugerville, a cerca de 30 quilômetros ao norte de Austin, protestaram em frente ao Tribunal Municipal da cidade, gritando palavras de ordem contra o ICE. O caso permanece em aberto, com a versão dos agentes federais e a do entregador venezuelano em conflito direto sobre o que realmente aconteceu naquele domingo de setembro.
Citas Notables
Incidentes anteriores demonstraram que não se pode confiar que esta agência relatará todos os fatos. Precisamos de uma investigação completa e independente que inclua a divulgação de todas as imagens disponíveis.— James Talarico, líder democrata do Texas