Nova Indústria Brasil receberá R$ 140 bilhões em 2026 para impulsionar setores estratégicos

Iniciativa ProFloresta+ deverá gerar 6,3 mil empregos verdes através de restauração ecológica na Amazônia.
O BNDES voltou a ser o principal setor de financiamento da indústria
Presidente do banco destaca reversão da desindustrialização e retomada do papel estratégico da manufatura.

Em um momento em que o Brasil busca reposicionar sua economia no tabuleiro global, o governo federal anunciou um aporte de R$ 140 bilhões à Nova Indústria Brasil, elevando o programa a R$ 750 bilhões desde 2023. O investimento, conduzido pelo BNDES e pela Finep, aponta para setores que definem o século — inteligência artificial, minerais críticos, mobilidade sustentável e biotecnologia —, sinalizando que a aposta nacional é a de transformar desindustrialização em protagonismo produtivo. Por trás dos números, há uma visão: que o capital público pode ser o catalisador de um desenvolvimento que o mercado, sozinho, não ousaria financiar.

  • O Brasil acelera uma virada industrial ao injetar R$ 140 bilhões em setores estratégicos, num programa que já acumula R$ 750 bilhões em três anos.
  • A cerimônia dos 74 anos do BNDES tornou-se palco de anúncios em cascata — parceria com a Petrobras em minerais críticos, leilão de carbono na Amazônia e financiamento para bicicletas elétricas de entregadores.
  • O setor privado, longe de ser espectador, responde pela maior parte dos aportes em quatro das seis missões estratégicas do programa, transformando o banco de desenvolvimento em alavanca de capital.
  • Na Amazônia, o ProFloresta+ promete plantar mais de 25 milhões de árvores nativas, capturar 5 milhões de toneladas de carbono e gerar 6,3 mil empregos verdes — unindo agenda climática e desenvolvimento social.
  • Um portal digital foi lançado para que empresas registrem intenções de investimento e exponham gargalos, tentando traduzir política industrial em projetos concretos no chão de fábrica.

O governo federal anunciou nesta segunda-feira um reforço de R$ 140 bilhões à Nova Indústria Brasil, programa que desde 2023 acumula R$ 750 bilhões em investimentos. Do novo aporte, R$ 102,5 bilhões vêm do BNDES e R$ 37,5 bilhões da Finep. O anúncio foi feito na cerimônia de 74 anos do BNDES, no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Lula, do vice Alckmin e de ministros.

Aloizio Mercadante, presidente do banco, celebrou a reversão de um longo processo de desindustrialização, afirmando que o BNDES retomou seu papel histórico de catalisador do desenvolvimento manufatureiro. Os recursos serão direcionados a dez áreas estratégicas, entre elas fertilizantes, biofármacos, inteligência artificial, mobilidade sustentável e minerais críticos. O ministro Márcio Elias Rosa destacou que o capital privado já lidera os aportes em quatro das seis missões do programa.

Entre os destaques da cerimônia, BNDES e Petrobras firmaram parceria para pesquisa em minerais críticos essenciais à transição energética. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou a ambição de o Brasil construir uma cadeia global de fornecimento nesse setor. Também foi lançado o Portal Investe Indústria Brasil, plataforma para que empresas registrem projetos e identifiquem obstáculos ao investimento.

O primeiro leilão do ProFloresta+ selecionou três empresas para restauração ecológica na Amazônia, com previsão de plantar 25 milhões de árvores nativas, capturar 5 milhões de toneladas de carbono e criar 6,3 mil empregos verdes, mobilizando cerca de R$ 450 milhões. Por fim, R$ 340 milhões foram destinados à Tembici para aquisição de até 85 mil bicicletas elétricas a serem alugadas a entregadores de plataformas digitais com custo 25% menor, acelerando a transição para mobilidade urbana sustentável.

O governo federal anunciou nesta segunda-feira um aporte de R$ 140 bilhões para a Nova Indústria Brasil, o programa de incentivo à indústria nacional que vem moldando a estratégia econômica desde 2023. Do total, R$ 102,5 bilhões sairão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e R$ 37,5 bilhões da Financiadora de Estudos e Projetos, agência ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Com esse incremento, o programa alcança R$ 750 bilhões em investimentos acumulados nos últimos três anos.

O anúncio foi feito durante cerimônia de comemoração dos 74 anos do BNDES, na sede da instituição no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Luís Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de ministros. Aloizio Mercadante, presidente do banco, destacou a mudança de trajetória da indústria brasileira sob o atual governo. Segundo ele, o BNDES interrompeu um processo de desindustrialização e voltou a colocar o setor manufatureiro como prioridade de financiamento da instituição. "A indústria teve um saldo extraordinário", afirmou, ressaltando que o banco retomou seu papel de catalisador do desenvolvimento industrial.

Os recursos serão canalizados para dez áreas estratégicas: fertilizantes, máquinas agrícolas, insumos farmacêuticos ativos, biofármacos, terapias avançadas, mobilidade sustentável, inteligência artificial, audiovisual, minerais críticos e tecnologias duais — aquelas com aplicações tanto civis quanto militares. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, ressaltou que o setor privado tem acompanhado o investimento público. Em quatro das seis missões estratégicas desenhadas no programa, o capital privado responde pela maior parte dos aportes, transformando o BNDES em um catalisador de investimentos privados.

O governo também lançou o Portal Investe Indústria Brasil, plataforma digital que funciona como canal para empresas dos setores estratégicos registrarem suas intenções de investimento e identificarem os gargalos que impedem a realização de seus projetos. A plataforma conta com apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.

Durante a cerimônia, o BNDES e a Petrobras anunciaram uma parceria focada em pesquisa, desenvolvimento e inovação relacionados a minerais críticos e estratégicos, essenciais às cadeias de transição energética e de petróleo e gás. A iniciativa inclui troca de informações e análise das principais lacunas em capacidade produtiva e tecnológica. Magda Chambriard, presidente da Petrobras, afirmou que a empresa busca "dominar o cenário de tecnologia em minerais críticos" e quer que o Brasil desenvolva uma cadeia global de fornecimento com participação da estatal.

Outra iniciativa anunciada foi o resultado do primeiro leilão do ProFloresta+, programa conjunto de compra de créditos de carbono gerados a partir da restauração ecológica de áreas degradadas na Amazônia. Três empresas foram selecionadas: Systemica, brCarbon e re.green. O programa deverá mobilizar cerca de R$ 450 milhões em investimentos apenas em plantio, gerar 6,3 mil empregos verdes, viabilizar o plantio de mais de 25 milhões de árvores nativas e capturar 5 milhões de toneladas de carbono.

Na mesma solenidade, foi anunciado também o financiamento de R$ 340 milhões para a Tembici, empresa de aluguel de bicicletas, adquirir até 85 mil bicicletas elétricas que serão alugadas a entregadores de plataformas digitais com custo 25% menor do que o praticado atualmente. A medida busca reduzir custos operacionais para trabalhadores do setor de entrega e acelerar a transição para mobilidade sustentável nas cidades.

Interrompemos a desindustrialização prematura e estamos renovando a indústria, que voltou a ser o principal setor de financiamento do BNDES
— Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
O Brasil tem uma posição privilegiada em minerais críticos e queremos uma cadeia global de fornecimento com participação da Petrobras
— Magda Chambriard, presidente da Petrobras
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o governo decidiu concentrar esses R$ 140 bilhões justamente nessas dez áreas estratégicas?

Model

Porque são setores que definem a competitividade do Brasil nos próximos anos. Minerais críticos, por exemplo, são essenciais para qualquer transição energética global. Se o Brasil não dominar essa cadeia, fica dependente de outros países.

Inventor

E o setor privado realmente está acompanhando? Ou o banco está bancando sozinho?

Model

Não, o privado está entrando forte. Em quatro das seis missões principais, o capital privado é quem financia a maior parte. O BNDES funciona como um desbloqueador — mostra que é viável, reduz o risco, e aí o mercado entra.

Inventor

Esse Portal Investe Indústria Brasil — é só um site, ou muda alguma coisa na prática?

Model

Muda porque centraliza a informação. Empresas podem registrar seus projetos e, mais importante, apontar os gargalos reais. O governo consegue ver onde está travando a indústria e pode atuar de verdade.

Inventor

A parceria BNDES-Petrobras em minerais críticos parece ambiciosa. Qual é o risco?

Model

O risco é tecnológico e de escala. O Brasil tem a matéria-prima, mas precisa desenvolver a capacidade de processamento e inovação. Não é trivial. A Petrobras quer participar de uma cadeia global, mas isso exige investimento contínuo em pesquisa.

Inventor

E o ProFloresta+? Gerar 6,3 mil empregos verdes soa bem, mas é sustentável?

Model

Depende se a demanda por créditos de carbono se mantém. O programa mobiliza R$ 450 milhões e planta 25 milhões de árvores, o que é concreto. Mas o modelo de negócio depende de empresas continuarem comprando esses créditos.

Inventor

E as e-bikes para entregadores? Parece um detalhe em meio a tudo isso.

Model

Não é detalhe. É a indústria chegando onde as pessoas trabalham. Reduz custo operacional em 25%, melhora a vida do entregador e acelera a adoção de mobilidade sustentável nas cidades. É pequeno em escala, mas simbólico do que o programa tenta fazer.

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