Em um mundo cada vez mais mediado por telas e pela lógica da otimização, a psicoterapeuta belga Esther Perel observa que os novos cativeiros dos relacionamentos não são a rotina ou os filhos, mas a ausência de presença — dois corpos no mesmo cômodo, cada um perdido em seu próprio ecrã. Após duas décadas estudando o desejo e a intimidade, ela aponta que tratamos a nós mesmos e ao outro como produtos a aperfeiçoar, colhendo como fruto não a plenitude, mas a solidão. A saída, diz ela, não está no autoaperfeiçoamento individual, mas no retorno ao corpo, ao coletivo e ao risco de verdadeiramente am