Seis semanas após o início de uma trégua frágil entre Israel e Hamas, o primeiro ato desse cessar-fogo chega ao fim sem que as partes tenham encontrado caminho para o próximo. Em meio a pressões políticas irreconciliáveis de ambos os lados e 58 reféns ainda em Gaza, o mundo observa se a pausa na violência sobreviverá à ausência de consenso — ou se uma guerra que já custou mais de 48 mil vidas voltará a consumir o território devastado.
Primeira fase da trégua em Gaza termina sem acordo para próximas etapas
A trégua provavelmente não colapsará, mas a guerra pode retornar
Por que essa primeira fase termina sem acordo? Parecia que havia um plano.
Havia, mas os planos não resistem ao contato com a política real. Israel quer estender a primeira fase semana a semana, o Hamas quer passar direto para a segunda. Nenhum dos dois consegue ceder sem custos políticos internos.
Mas qual é exatamente a diferença entre estender a primeira fase e começar a segunda? O que muda concretamente?
Teoricamente, a segunda fase deveria encerrar a guerra de verdade. A primeira era só para libertar reféns e prisioneiros. Mas Israel teme que, uma vez na segunda fase, não consiga manter tropas em Gaza.
E por que Israel quer manter tropas lá?
Diz que é para impedir contrabando de armas. O Hamas diz que é ocupação.
Então o verdadeiro obstáculo não é o acordo em si, mas o que vem depois dele?
Exatamente. E há pressão política interna em Israel também. Um ministro ameaçou renunciar se a guerra não for retomada.
Então pode haver retorno à guerra?
Um analista diz que provavelmente não vai colapsar imediatamente. Mas sim, é um risco real.
Quantos reféns ainda estão lá?
58 de 251 sequestrados. O Exército israelense acredita que 34 estão mortos.
E as famílias?
Estão manifestando em Tel Aviv. Querem que o foco permaneça nos reféns vivos.
O Pulso
- A primeira fase da trégua expirou neste sábado sem qualquer acordo sobre a segunda etapa, deixando o futuro do cessar-fogo suspenso em um vácuo diplomático perigoso.
- Israel propõe prorrogações semanais da fase inicial, enquanto o Hamas exige o cumprimento integral do cronograma acordado — uma divergência que os mediadores do Egito, Catar e Estados Unidos não conseguiram superar.
- Dentro do governo israelense, a ala de extrema direita ameaça colapsar a coalizão caso a guerra não seja retomada, enquanto famílias de reféns marcham em Tel Aviv pedindo que os 58 cativos restantes não sejam esquecidos.
- O Hamas divulgou imagens de reféns israelenses como pressão pública, e o secretário-geral da ONU apelou por esforços diplomáticos urgentes para evitar o que descreveu como um retorno catastrófico ao conflito.
- Analistas avaliam que o cessar-fogo não deve colapsar imediatamente, mas o risco de retomada da guerra cresce a cada dia sem avanço nas negociações, em um território onde mais de 69% dos edifícios já estão destruídos ou danificados.
Seis semanas após o início de uma trégua frágil entre Israel e Hamas, o primeiro ato desse cessar-fogo chega ao fim sem que as partes tenham encontrado caminho para o próximo. Em meio a pressões políticas irreconciliáveis de ambos os lados e 58 reféns ainda em Gaza, o mundo observa se a pausa na violência sobreviverá à ausência de consenso — ou se uma guerra que já custou mais de 48 mil vidas voltará a consumir o território devastado.
A primeira fase da trégua entre Israel e Hamas encerrou-se neste sábado sem que qualquer entendimento sobre os próximos passos tivesse sido alcançado. O cessar-fogo havia entrado em vigor em 19 de janeiro, após mais de 15 meses de guerra iniciada pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou 1.218 pessoas no sul de Israel. Durante as seis semanas de pausa, o Hamas libertou 25 reféns vivos e devolveu os corpos de outros oito, em troca da soltura de centenas de prisioneiros palestinos.
A segunda fase deveria começar no domingo, com o objetivo de libertar os reféns restantes e encerrar definitivamente o conflito. Mas o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, rejeitou a proposta israelense de estender a primeira fase em intervalos semanais, pedindo aos mediadores que pressionem Israel a cumprir o acordo original. O Egito havia anunciado conversas intensas na quinta-feira, mas o consenso não veio.
O impasse é alimentado por pressões políticas de ambos os lados. O ministro das Finanças israelense Bezalel Smotrich ameaçou abandonar a coalizão de governo caso a guerra não seja retomada ao fim da primeira fase — uma ameaça que, segundo analistas, poderia derrubar o governo de Netanyahu se a segunda fase fosse iniciada. Do outro lado, o Hamas, enfraquecido pela guerra, pressiona para avançar ao próximo estágio e rejeitou categoricamente qualquer presença de forças estrangeiras em Gaza.
Dos 251 sequestrados no ataque de outubro de 2023, 58 permanecem em Gaza — 34 deles considerados mortos pelo Exército israelense. O braço armado do Hamas divulgou imagens de reféns com a mensagem de que apenas um acordo os traria de volta com vida; o gabinete de Netanyahu respondeu que Israel não se deixará intimidar. Famílias dos cativos planejaram nova manifestação em Tel Aviv neste sábado.
O analista Max Rodenbeck, do International Crisis Group, avalia que o cessar-fogo provavelmente não colapsará de imediato. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu esforços diplomáticos máximos para evitar o retorno de uma guerra que já matou mais de 48 mil pessoas e destruiu ou danificou mais de 69% dos edifícios de Gaza. O que acontecer nas próximas semanas dirá se essa pausa foi o início de uma paz ou apenas um intervalo entre batalhas.
A primeira fase da trégua entre Israel e Hamas chega ao fim neste sábado sem que as negociações sobre o que vem depois tenham produzido qualquer acordo. Seis semanas atrás, em 19 de janeiro, o cessar-fogo entrou em vigor após mais de 15 meses de guerra desencadeada pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou 1.218 pessoas, a maioria civis, no sul de Israel. Durante essas semanas de trégua, o Hamas libertou 25 reféns e devolveu os corpos de oito outros em troca da libertação de centenas de prisioneiros palestinos detidos por Israel.
A segunda fase deveria começar no domingo, com o objetivo de completar a libertação dos reféns ainda em Gaza e encerrar definitivamente a guerra. Mas na manhã deste sábado não havia sinais de que as partes chegassem a um entendimento. O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, afirmou que o grupo rejeita a ampliação da primeira fase nos termos propostos por Israel, pedindo aos mediadores que obriguem o país a cumprir o acordo em suas fases distintas. O Egito, que medeia as negociações junto com Catar e Estados Unidos, havia anunciado na quinta-feira que as delegações iniciaram conversas intensas, mas o consenso não veio.
O impasse reflete pressões políticas conflitantes de ambos os lados. Israel propôs estender a primeira fase em intervalos sucessivos de uma semana, realizando trocas de reféns por presos palestinos a cada semana, segundo uma fonte palestina próxima às conversas. O Hamas rejeitou esse plano. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, explicou que o cenário preferido por Israel é conseguir o retorno de mais reféns sob uma extensão da primeira fase. Mas dentro da coalizão de governo israelense, o ministro das Finanças Bezalel Smotrich, líder da ala de extrema direita, ameaçou renunciar se a guerra não for retomada após o final da primeira fase. Um analista de risco alertou que o governo israelense poderia cair se entrasse na segunda fase.
Do outro lado, o Hamas pressiona para iniciar a segunda etapa após as perdas devastadoras sofridas durante a guerra. O movimento declarou à cúpula da Liga Árabe, que será realizada em 4 de março no Cairo, sua vontade de concluir as etapas restantes do acordo. Também rejeitou categoricamente a presença de qualquer força estrangeira no território de Gaza. Israel, por sua vez, reitera que precisa manter tropas em Gaza, particularmente em uma área fronteiriça com o Egito, para impedir o contrabando de armas pelo Hamas.
De 251 pessoas sequestradas no ataque de 7 de outubro, 58 continuam em Gaza. O Exército israelense considera que 34 delas estão mortas. O braço armado do Hamas divulgou imagens que parecem mostrar um grupo de reféns israelenses em Gaza, acompanhadas da mensagem de que apenas um acordo de cessar-fogo os traria de volta com vida. O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu respondeu que Israel não se deixará intimidar pela propaganda do Hamas. O fórum das famílias dos reféns israelenses planejou uma nova manifestação em Tel Aviv neste sábado para manter o foco nos cativos restantes.
Max Rodenbeck, analista do International Crisis Group, estima que a segunda fase não começará neste fim de semana, mas que o cessar-fogo provavelmente não colapsará. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu neste sábado que se realizem todos os esforços diplomáticos para evitar a retomada da guerra, descrevendo-a como catastrófica.
A trégua permitiu a entrada de mais ajuda ao território palestino, onde mais de 69% dos edifícios estão danificados ou destruídos, quase toda a população foi deslocada e há risco de fome, segundo as Nações Unidas. A campanha militar de represália de Israel matou mais de 48 mil pessoas na Faixa de Gaza, conforme dados do Ministério da Saúde local que a ONU considera confiáveis. O que acontece nos próximos dias determinará se a trégua se transforma em paz duradoura ou se a guerra retorna.
Citações Notáveis
Israel não vai se deixar intimidar pela propaganda do Hamas— Gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu
Afirmamos nossa vontade de concluir as etapas restantes do acordo de trégua— Hamas, em mensagem à Liga Árabe