Das profundezas do Pacífico equatorial, um aquecimento incomum avança em direção ao seu ápice: o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas projeta um El Niño com anomalia de até 3,4°C para o trimestre setembro-novembro de 2026, o que poderia inscrevê-lo entre os mais intensos da história registrada. A NOAA atribui 93% de probabilidade a um evento de intensidade muito forte, enquanto comunidades costeiras e agrícolas ao redor do mundo — incluindo Santa Catarina — aguardam a primavera com atenção redobrada, conscientes de que a força de um fenômeno climático não se traduz uniformemente em impac
Previsão do ECMWF eleva pico do El Niño para 3,4°C e confirma evento histórico
O fenômeno está apenas começando sua escalada
Como sabemos que essa previsão de 3,4°C é confiável? Modelos climáticos erram com frequência.
O ECMWF atualiza seus modelos mensalmente com dados observados da atmosfera e do oceano. Essa previsão específica foi feita em 1º de setembro, com base nas observações mais recentes. Mas você tem razão — é uma projeção, não uma certeza.
Exatamente. E vale notar que há uma faixa de incerteza. O modelo aponta 3,3°C a 3,4°C como anomalia média, mas os cenários extremos chegam a 3,7°C. Isso mostra que há variabilidade significativa.
E quando esse pico deve acontecer?
A previsão aponta para outubro ou novembro deste ano. Isso é uma mudança em relação à previsão anterior, que indicava novembro ou dezembro.
Mas essa mudança de prazo também é importante: significa que o modelo está vendo uma intensificação mais rápida. Não é um ajuste menor.
A NOAA diz 93% de probabilidade de El Niño muito forte. Isso é alto.
É. Mas a NOAA também deixa claro que intensidade não é igual a impacto. Um El Niño forte em um lugar pode ser devastador; em outro, os efeitos podem ser moderados.
Isso é crucial. A gente tende a ouvir "super El Niño" e imaginar caos em todo lugar. A realidade é mais complexa — depende de sistemas meteorológicos locais, umidade do solo, infraestrutura.
Em Santa Catarina, então, qual é o risco real?
A primavera é o período crítico. Normalmente já há mais chuvas e tempestades nessa estação. Se o El Niño estiver em seu pico, pode intensificar esses sistemas.
Mas novamente, isso é uma possibilidade aumentada, não uma garantia. E a Defesa Civil já está monitorando — durante o inverno, registrou chuvas acima da média por causa do El Niño.
O Pulso
- O modelo europeu deslocou o pico do El Niño para outubro ou novembro, sinalizando uma intensificação mais rápida do que as previsões de agosto indicavam.
- Com anomalias podendo chegar a 3,7°C nos cenários extremos, o fenômeno ameaça superar a marca histórica de 3°C que define os episódios mais severos já documentados.
- A NOAA confirma com 93% de probabilidade que o El Niño atingirá intensidade muito forte neste trimestre, elevando o estado de alerta em regiões vulneráveis.
- Em Santa Catarina, o inverno já registrou chuvas acima da média e tempestades severas atribuídas ao fenômeno, segundo a Defesa Civil.
- A primavera é apontada por meteorologistas da Epagri como o período de maior risco, quando sistemas meteorológicos naturalmente mais intensos se combinam com o pico do El Niño.
Das profundezas do Pacífico equatorial, um aquecimento incomum avança em direção ao seu ápice: o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas projeta um El Niño com anomalia de até 3,4°C para o trimestre setembro-novembro de 2026, o que poderia inscrevê-lo entre os mais intensos da história registrada. A NOAA atribui 93% de probabilidade a um evento de intensidade muito forte, enquanto comunidades costeiras e agrícolas ao redor do mundo — incluindo Santa Catarina — aguardam a primavera com atenção redobrada, conscientes de que a força de um fenômeno climático não se traduz uniformemente em impacto para todos os territórios.
Em setembro de 2026, o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo divulgou uma atualização que ampliou a preocupação com o El Niño em desenvolvimento. O modelo projeta um pico de anomalia entre 3,3°C e 3,4°C na região Niño 3.4 para o trimestre setembro-outubro-novembro, com cenários extremos chegando a 3,7°C. Se confirmado, o evento ultrapassaria a marca de 3°C que historicamente define os El Niños mais intensos já registrados.
Atualmente, a região de monitoramento registra cerca de +1,8°C acima da média — aquecimento considerável, mas ainda distante do pico projetado. A mudança mais significativa em relação à atualização de agosto é o ritmo: antes, vários cenários apontavam máximas abaixo de 3°C em novembro ou dezembro; agora, a intensificação parece mais rápida, com o ápice antecipado para outubro ou novembro. A NOAA reforça a perspectiva com 93% de probabilidade de intensidade muito forte neste trimestre, embora ressalte que um El Niño mais intenso não implica necessariamente impactos maiores em todas as regiões — os efeitos dependem de sistemas meteorológicos locais, umidade do solo e vulnerabilidades específicas.
Em Santa Catarina, os sinais já são visíveis. O inverno, normalmente mais seco, registrou chuvas acima da média e maior frequência de tempestades severas. Mas a preocupação maior está na primavera. Segundo a meteorologista Laura Rodrigues, da Epagri, essa estação concentra naturalmente o aumento de sistemas meteorológicos intensos no estado — e quando esses sistemas se combinam com um El Niño em seu pico, os riscos de chuvas extremas e tempestades severas se amplificam consideravelmente. A primavera de 2026 se torna, portanto, o período de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno.
O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo divulgou em setembro uma atualização que reforça a magnitude do El Niño em desenvolvimento. O modelo aponta para um pico de temperatura de até 3,4°C acima da média na região Niño 3.4, a principal zona de monitoramento do fenômeno, nos próximos meses. Se confirmado, este seria um evento histórico — ultrapassando a marca de 3°C que define os El Niños mais intensos já registrados.
Até agora, a região Niño 3.4 mantém-se em torno de +1,8°C acima da média nas últimas quatro semanas, um aquecimento considerável mas ainda distante do pico esperado. O modelo europeu, porém, sugere que o fenômeno está apenas começando sua escalada. A meteorologista Ana Maria Pereira Nunes, da Meteored, explica que esses modelos são atualizados mensalmente conforme novas observações da atmosfera e do oceano chegam aos centros de previsão. A última atualização do ECMWF, iniciada em 1º de setembro, mantém a projeção de um evento intenso, com anomalia média entre 3,3°C e 3,4°C esperada para o próximo trimestre — setembro, outubro e novembro. Os cenários mais extremos do modelo apontam para anomalias próximas de 3,7°C.
O que chama atenção é a mudança de ritmo em relação às previsões anteriores. Na atualização de agosto, diversos cenários ainda indicavam um pico inferior a 3°C, com máximas previstas para novembro ou dezembro. Agora, a projeção mais recente desloca esses valores máximos para outubro ou novembro, sugerindo uma intensificação mais rápida do fenômeno. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) reforça essa perspectiva: há 93% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte neste trimestre.
O termo "super El Niño", embora popular, não é uma classificação científica oficial. Ele é usado informalmente para descrever episódios muito fortes, quando o índice de temperatura atinge ou supera 2°C acima da média — exatamente o cenário que as previsões atuais indicam. A NOAA, porém, faz uma ressalva importante: um El Niño mais forte não provoca necessariamente impactos maiores em todas as regiões. Os efeitos dependem também dos sistemas meteorológicos locais, da umidade do solo e das vulnerabilidades específicas de cada área.
Em Santa Catarina, o fenômeno já deixou marcas. Durante o inverno, normalmente um período mais seco no estado, o El Niño contribuiu para chuvas acima da média e maior frequência de tempestades severas, segundo registros da Defesa Civil. Mas a verdadeira preocupação está adiante. A meteorologista Laura Rodrigues, da Epagri, aponta que a primavera é o período crítico em Santa Catarina. Nessa estação, há naturalmente um aumento da frequência e intensidade dos sistemas meteorológicos que trazem chuvas e tempestades. Quando combinados com um El Niño em seu pico, esses sistemas podem potencializar os riscos. A primavera, portanto, se torna o período de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno.
Citações Notáveis
Os modelos climáticos que preveem o El Niño são atualizados mensalmente com as observações mais recentes da atmosfera e do oceano— Ana Maria Pereira Nunes, meteorologista da Meteored
Um El Niño mais forte não provoca necessariamente impactos maiores em todas as regiões. Os efeitos também dependem dos sistemas meteorológicos, da umidade do solo e das vulnerabilidades de cada local— NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica)