Dez anos após o Brexit, o Reino Unido volta a contemplar o impensável: o primeiro-ministro Andy Burnham foi o primeiro líder britânico a colocar abertamente sobre a mesa a possibilidade de reintegração à União Europeia. Sem declarar preferência, Burnham apresentou um espectro de caminhos — do status quo à adesão plena — sinalizando que as chamadas 'linhas vermelhas' do Partido Trabalhista podem não ser tão definitivas quanto pareciam. O gesto ressoa além de Westminster: Bruxelas se diz aberta a analisar propostas, Macron celebra a notícia, e uma maioria dos eleitores britânicos, segundo pesqui
Premier britânico sinaliza possível retorno à UE; Macron diz 'bem-vindo de volta'
O Brexit causou mais prejuízos do que benefícios ao país
Por que Burnham está levantando isso agora? O Brexit não foi decidido há dez anos?
Foi, mas as circunstâncias mudaram. O Partido Trabalhista chegou ao poder em 2024 com uma agenda de aproximação com a UE, e Burnham sempre foi crítico do Brexit. Agora ele está sinalizando que até as linhas vermelhas do seu próprio partido — união aduaneira, mercado único, livre circulação — podem ser reavaliadas.
Mas ele não disse que prefere nenhuma dessas opções. Ele está apenas dizendo que quer "analisar". Isso é bem diferente de um compromisso.
E como a Europa está reagindo?
Bruxelas está sendo cautelosa mas aberta. A Comissão Europeia disse que cabe a Londres definir seu caminho. Macron foi mais entusiasta, chamando de "ótima notícia".
Macron sempre foi favorável a isso. Mas a Comissão está essencialmente dizendo: "vocês que decidam". Isso não é um convite formal.
E a população britânica?
Aqui está o dado mais interessante. Uma pesquisa de junho mostrou que 55% dos eleitores apoiariam o retorno à UE. Dez anos atrás, votaram para sair.
Uma pesquisa. Não sabemos como isso se comportaria em um referendo real, com campanha, pressão política, tudo aquilo.
Então o que acontece agora?
Há uma cúpula prevista para antes do fim do ano. Burnham vai apresentar as opções. Mas isso é apenas o começo de uma conversa muito longa.
E há oposição real. O Reform UK chamou isso de traição. Não é consenso.
El Pulso
- Burnham quebrou um tabu político ao mencionar publicamente, pela primeira vez desde o Brexit, a possibilidade de o Reino Unido aderir novamente à União Europeia — sem descartar nenhuma opção.
- A abertura provoca tensão interna: o próprio programa trabalhista de 2024 excluía explicitamente o retorno à união aduaneira, ao mercado único e à livre circulação — restrições que o premier agora sugere poder rever.
- Defensores do Brexit reagem com indignação, enquanto 55% dos eleitores britânicos, segundo o instituto Survation, já votariam pelo retorno ao bloco em um eventual referendo.
- Bruxelas responde com cautela construtiva e Paris com entusiasmo, sinalizando que a porta europeia não está fechada para Londres.
- Uma cúpula UE-Reino Unido, adiada após a renúncia de Keir Starmer, deverá ocorrer antes do fim do ano e será o palco onde Burnham apresentará formalmente as diferentes opções de relação futura.
Dez anos após o Brexit, o Reino Unido volta a contemplar o impensável: o primeiro-ministro Andy Burnham foi o primeiro líder britânico a colocar abertamente sobre a mesa a possibilidade de reintegração à União Europeia. Sem declarar preferência, Burnham apresentou um espectro de caminhos — do status quo à adesão plena — sinalizando que as chamadas 'linhas vermelhas' do Partido Trabalhista podem não ser tão definitivas quanto pareciam. O gesto ressoa além de Westminster: Bruxelas se diz aberta a analisar propostas, Macron celebra a notícia, e uma maioria dos eleitores britânicos, segundo pesquisas recentes, já apoiaria o retorno.
Andy Burnham fez nesta quarta-feira o que nenhum primeiro-ministro britânico havia ousado desde o Brexit: colocou em voz alta a possibilidade de o Reino Unido retornar à União Europeia. Em entrevista à BBC Radio 4, o líder trabalhista enumerou um leque de caminhos — manter o status quo, voltar à união aduaneira, integrar-se ao mercado único ou aderir plenamente ao bloco — sem indicar preferência por nenhum deles. A declaração ganhou ainda mais peso por vir um dia após Burnham afirmar, no congresso do Partido Trabalhista em Liverpool, que 'o Brexit causou mais prejuízos do que benefícios' ao país.
A virada é significativa porque contradiz as próprias bases do programa com que os trabalhistas chegaram ao poder em 2024, que estabelecia três linhas vermelhas: nada de união aduaneira, nada de mercado único, nada de livre circulação de pessoas. Ao sinalizar que até essas restrições podem ser reavaliadas, Burnham abre um debate que parecia encerrado.
A resposta europeia foi encorajadora. A Comissão Europeia declarou estar 'aberta a analisar as opções' que Londres apresentar, enquanto Emmanuel Macron foi mais direto: 'Se os britânicos quiserem voltar, acho que é uma ótima notícia, tanto para o país quanto para os europeus.' Parlamentares europeus também reagiram com otimismo, com o eurodeputado italiano Sandro Gozi classificando o momento como uma 'oportunidade histórica'.
No campo interno, a reação foi dividida. Partidos contrários ao Brexit celebraram, enquanto o Reform UK denunciou uma 'traição'. A opinião pública, porém, parece ter se deslocado: pesquisa do instituto Survation indica que 55% dos eleitores britânicos votariam pelo retorno à UE se um referendo fosse realizado hoje. Uma cúpula entre os dois blocos, adiada após a renúncia do ex-premier Keir Starmer, deverá ser realizada antes do fim do ano — e será nela que Burnham apresentará formalmente as opções para o futuro da relação. O que parecia irreversível voltou a ser uma pergunta em aberto.
Andy Burnham colocou sobre a mesa nesta quarta-feira uma possibilidade que nenhum primeiro-ministro britânico havia levantado desde o Brexit: o Reino Unido poderia voltar à União Europeia. O chefe de governo trabalhista, em entrevista à BBC Radio 4, mencionou um leque de caminhos possíveis — manter o status quo se a população assim desejasse, retornar à união aduaneira, integrar-se ao mercado único, ou "ir até o fim" e aderir novamente ao bloco europeu. Sem indicar qual opção prefere, Burnham deixou claro que quer apresentar "diferentes opções" para as relações de longo prazo com a UE durante uma cúpula prevista para antes do fim do ano.
Essa abertura marca uma virada retórica significativa. Burnham havia feito campanha contra a saída do Reino Unido em 2016 e, em um discurso na terça-feira no congresso do Partido Trabalhista em Liverpool, afirmou que "o Brexit causou mais prejuízos do que benefícios" ao país, particularmente do ponto de vista econômico. O Partido Trabalhista chegou ao poder em 2024 com um programa que previa aproximação com a UE, mas mantinha três linhas vermelhas: não retornar à união aduaneira, não integrar-se ao mercado único e não restabelecer a livre circulação de pessoas. Agora, o próprio primeiro-ministro está sinalizando que até essas restrições poderiam ser reavaliadas.
A resposta de Bruxelas foi cautelosa mas aberta. Balazs Ujvari, porta-voz da Comissão Europeia, declarou que "o Reino Unido é um parceiro próximo e valioso" e que cabe ao governo britânico explicar como deseja desenvolver sua relação com o bloco. A Comissão afirmou estar "aberta a analisar as opções" que Londres possa apresentar. Emmanuel Macron, presidente da França, foi mais entusiasta. Durante uma coletiva de imprensa em Madri, o líder francês celebrou a possibilidade: "Se os britânicos quiserem voltar e se o primeiro-ministro estiver caminhando nessa direção, acho que é uma ótima notícia, tanto para o país quanto para os europeus".
A reação entre parlamentares europeus foi igualmente positiva. Stella Creasy, deputada trabalhista britânica, afirmou à AFP que "nossos colegas de toda a Europa podem constatar que, finalmente, o Reino Unido está disposto a avançar e construir juntos nosso futuro comum". Sandro Gozi, eurodeputado italiano e presidente de uma iniciativa parlamentar sobre as relações entre a UE e o Reino Unido, classificou as declarações de Burnham como uma "oportunidade histórica", especialmente em um momento em que a UE busca desenvolver parcerias privilegiadas com outros países, como o Canadá, diante das pressões dos Estados Unidos e da China.
Mas a possibilidade de retorno não é unânime. Defensores do Brexit criticaram duramente a abertura de Burnham. Richard Tice, número dois do partido anti-imigração Reform UK, denunciou uma "traição". A opinião pública britânica, porém, parece ter mudado significativamente. Uma pesquisa do instituto Survation publicada no início de junho mostrou que 55% dos eleitores britânicos optariam por retornar à UE caso um referendo fosse realizado — dez anos após o voto que levou à saída do bloco.
Uma cúpula entre a UE e o Reino Unido estava inicialmente prevista para julho, mas precisou ser adiada devido à renúncia do então primeiro-ministro Keir Starmer naquele mês. Uma nova data deverá ser definida antes do fim do ano, e será nessa ocasião que Burnham apresentará as diferentes opções para a relação futura. O que antes parecia irreversível — a saída britânica do projeto europeu — agora está sendo reaberto para debate, com a possibilidade real de que o Reino Unido volte a bater à porta de Bruxelas.
Citas Notables
O Reino Unido é um parceiro próximo e valioso da União Europeia. Cabe ao governo britânico explicar como deseja desenvolver sua relação com a UE no futuro.— Balazs Ujvari, porta-voz da Comissão Europeia
Se os britânicos quiserem voltar e se o primeiro-ministro estiver caminhando nessa direção, acho que é uma ótima notícia, tanto para o país quanto para os europeus.— Emmanuel Macron, presidente da França