Prefeitura renova convênio com entidade espiritual que promete controlar clima no Rio

Quando o Alerta Rio avisa, a fundação atua enquanto as obras não terminam
A fundação posiciona sua atuação espiritual como complemento às medidas estruturais de prevenção da cidade.
Mark

Como uma entidade espiritual chega a fazer convênio com a prefeitura de uma capital?

Mimi

Porque a fundação existe há quase um século e já tinha essa parceria há mais de 20 anos. Quando muda a administração, eles pedem a renovação por escrito, e a prefeitura assina. É burocracia pública funcionando normalmente, só que com um objeto muito incomum.

Mark

Mas a prefeitura realmente acredita que isso funciona?

Mimi

O documento oficial diz que é pela "expertise em previsão meteorológica". Pode ser que acreditem, ou pode ser que vejam como algo inofensivo que não custa nada. O porta-voz diz que a prefeitura é que procurou eles, não o contrário.

Mark

E se chover muito e causar danos? Quem é responsável?

Mimi

Aí é que está — a fundação deixa claro que não emite alertas oficiais. Quem avisa sobre tempestades são os meteorologistas. A fundação diz que atua "enquanto" as obras de prevenção não estão prontas. É um papel bem vago.

Mark

A médium recebe algo por isso?

Mimi

Não há pagamento. O convênio é sem custos para o município. A contrapartida da fundação é enviar relatórios sobre limpeza de córregos e obras viárias.

Mark

Isso levanta questões sobre como a cidade gasta recursos públicos?

Mimi

Sim, porque mesmo sem custo direto, há uma legitimação oficial de uma prática não científica como parte da gestão de riscos climáticos. A cidade está dizendo que isso é parte de sua estratégia.

  • A cidade que enfrenta chuvas devastadoras renova, por um quarto de século, um pacto com uma entidade que promete influenciar o clima por vias espirituais.
  • A justificativa oficial cita 'expertise em previsão meteorológica' para uma fundação cujas capacidades não são reconhecidas pela ciência convencional.
  • A fundação se posiciona não como substituta, mas como complemento ao sistema Alerta Rio — agindo, segundo ela, nos intervalos em que as obras de infraestrutura ainda não chegaram.
  • O acordo é gratuito para o município, mas o custo simbólico — de legitimar práticas não científicas na gestão de riscos climáticos — permanece em aberto.
  • A renovação partiu da própria prefeitura, sinalizando uma continuidade deliberada de uma parceria que já dura mais de duas décadas.

No cruzamento entre o sagrado e o administrativo, a Prefeitura do Rio de Janeiro renovou por 25 anos seu acordo com a Fundação Cacique Cobra Coral, entidade que desde 1931 afirma intervir espiritualmente em fenômenos climáticos por meio de uma médium. O convênio, publicado no Diário Oficial em agosto de 2026, não implica custos ao município, mas levanta uma questão perene sobre os limites entre fé, governança e responsabilidade pública diante das forças da natureza.

A Prefeitura do Rio de Janeiro formalizou, em agosto de 2026, a renovação por 25 anos de seu convênio com a Fundação Cacique Cobra Coral — entidade sediada em Guarulhos, São Paulo, que afirma ser capaz de interferir espiritualmente em eventos climáticos. O acordo foi publicado no Diário Oficial e, segundo o porta-voz da fundação, Osmar Santos, partiu de iniciativa da própria administração municipal.

A fundação atua por meio da médium Adelaide Escritori, que, segundo Santos, incorpora a entidade Cacique Cobra Coral em estado de inconsciência total. O documento oficial justifica a parceria citando a 'expertise na previsão meteorológica e fornecimento de informações climáticas' da fundação — uma descrição que contrasta com a natureza espiritual das práticas envolvidas.

O convênio não gera custos financeiros ao município. Em contrapartida, a fundação se compromete a enviar relatórios semestrais sobre obras viárias e limpeza de córregos. Santos foi enfático ao delimitar papéis: os alertas oficiais continuam sendo responsabilidade do sistema Alerta Rio e de meteorologistas profissionais. A fundação, segundo ele, atua de forma complementar — sendo notificada quando um alerta é emitido para, conforme afirma, realizar as 'alterações necessárias' enquanto medidas estruturais ainda estão em curso.

A renovação por 25 anos consolida uma parceria que já dura mais de duas décadas e que entrelaça, de maneira incomum, espiritualidade e gestão pública — deixando em suspenso a questão sobre onde termina a fé e começa a responsabilidade institucional no enfrentamento das crises climáticas da cidade.

A Prefeitura do Rio de Janeiro renovou seu convênio com a Fundação Cacique Cobra Coral por mais 25 anos, um acordo publicado no Diário Oficial na quinta-feira, dia 6 de agosto. A fundação, que existe desde 1931 em Guarulhos, São Paulo, afirma possuir capacidades espirituais para interferir em fenômenos climáticos da cidade — especificamente, para reduzir ou evitar os efeitos de chuvas intensas e outros eventos que causem danos.

Segundo a organização, essas habilidades são canalizadas através da médium Adelaide Escritori, que incorpora uma entidade espiritual chamada Cacique Cobra Coral. O porta-voz da fundação, Osmar Santos, explicou que durante essas manifestações, Escritori fica "totalmente inconsciente" e que ele próprio recebe antecipadamente as orientações sobre o que deve ser transmitido. A parceria entre a fundação e a administração municipal já dura mais de duas décadas, e a renovação, segundo Santos, partiu de iniciativa da própria prefeitura, que enviou ofício formal solicitando a continuidade do acordo.

O documento oficial encaminhado à médium cita como justificativa para a renovação a "expertise na previsão meteorológica e fornecimento de informações climáticas" da fundação. Porém, o convênio não envolve qualquer custo financeiro para o município — Santos enfatizou que os acordos são "totalmente isentos de ônus financeiros". Em contrapartida, a fundação se compromete a enviar relatórios semestrais sobre obras viárias e ações de limpeza de córregos que possam ajudar a mitigar problemas durante períodos de chuva intensa.

Um ponto importante na estrutura do acordo é a divisão de responsabilidades. Santos deixou claro que a fundação não é responsável por emitir previsões ou alertas meteorológicos oficiais — essa função permanece com os meteorologistas profissionais e com o sistema Alerta Rio, que continua sendo o canal oficial para avisos sobre inundações e eventos climáticos anormais. Segundo a fundação, seu papel é complementar: quando o Alerta Rio emite um aviso, a fundação deve ser notificada para, conforme afirma, "fazer as alterações necessárias" enquanto as medidas estruturais de prevenção ainda estão sendo implementadas pelo poder público.

A história entrelaça espiritualidade e gestão pública de forma inusitada. A fundação sustenta que sua atuação pode ajudar a reduzir impactos de eventos climáticos enquanto a cidade trabalha em infraestrutura de prevenção — uma proposta que situa a entidade espiritual como complemento às obras de engenharia e aos sistemas de alerta científicos. A renovação do convênio por 25 anos, sem custos ao município, reflete uma continuidade dessa parceria que mistura práticas não convencionais com a administração formal da cidade.

A pedido da prefeitura. Eles que nos procuraram
— Osmar Santos, porta-voz da Fundação Cacique Cobra Coral
Quem vai avisar de tempestades não somos nós. Tem os meteorologistas para fazerem isso
— Osmar Santos
Quieres la nota completa? Lee el original en G1 ↗
Contáctanos FAQ