Prefeitura de SP identifica R$ 13 mi em despesas irregulares em ONG ligada a produtor de Dark Horse

Notas canceladas dez dias após emissão levantam dúvidas sobre a regularidade
Um pagamento de R$ 500 mil apresenta inconsistências que chamam atenção dos auditores municipais.

Em São Paulo, a gestão pública se depara com o que pode ser uma teia de irregularidades financeiras tecida entre o poder municipal, o mundo do entretenimento e, possivelmente, o crime organizado. A Prefeitura identificou cerca de R$ 13 milhões em despesas questionáveis nas contas do Instituto Conhecer Brasil — ONG cujos laços com o filme Dark Horse e com investigações sobre o PCC transformam uma auditoria de rotina em algo de alcance muito maior. O prazo de 30 dias concedido para esclarecimentos é, por ora, o fio pelo qual pende a continuidade ou o encerramento desse contrato de R$ 108 milhões.

  • R$ 13 milhões em despesas irregulares foram detectados em um contrato público de R$ 108 milhões para Wi-Fi em São Paulo, com notas fiscais canceladas e documentação ausente.
  • A presidente da ONG investigada é também produtora-executiva do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, embaralhando os mundos da política, do entretenimento e da gestão pública.
  • Um pagamento de R$ 500 mil à empresa Favela Conectada levanta alarme: a nota fiscal foi cancelada dez dias após emissão, e um sócio da empresa é apontado como integrante do PCC.
  • Empresas subcontratadas, como a Complexys Soluções Integradas, já são alvo da Polícia Civil, ampliando o raio das investigações para além da esfera municipal.
  • A Prefeitura concedeu 30 dias para que o instituto apresente justificativas; o ICB insiste que colabora plenamente e que as pendências são parte natural de qualquer fiscalização de contas.

A Prefeitura de São Paulo encontrou aproximadamente R$ 13 milhões em despesas irregulares nas contas do Instituto Conhecer Brasil, ONG contratada por R$ 108 milhões para instalar pontos de Wi-Fi na capital. A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia identificou notas fiscais canceladas dias após a emissão, documentação insuficiente e descrições vagas dos serviços prestados.

O caso ganhou contornos mais graves quando veio à tona que Karina da Gama, presidente do instituto, é também produtora-executiva do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Um episódio específico chama atenção: um comprovante de R$ 500 mil para a empresa Favela Conectada cuja nota fiscal foi cancelada dez dias depois. Segundo a Folha de São Paulo, um dos sócios dessa empresa é apontado como integrante do PCC — informação que emergiu justamente das investigações sobre o financiamento do longa-metragem.

As irregularidades se estendem ainda à falta de relatórios mensais de consultoria, à ausência de detalhamento sobre onde equipamentos foram instalados e às pendências envolvendo a Complexys Soluções Integradas, subcontratada que já é investigada pela Polícia Civil. Em paralelo, o instituto também tem pendências em uma prestação de contas de emenda parlamentar de R$ 300 mil, destinada ao projeto Colorindo Sonhos, voltado a cursos de maquiagem e empreendedorismo feminino.

O Instituto Conhecer Brasil afirmou colaborar integralmente com as autoridades e classificou a notificação como parte do fluxo normal de fiscalização. A Prefeitura aguarda os esclarecimentos dentro do prazo de 30 dias estabelecido.

A Prefeitura de São Paulo descobriu aproximadamente R$ 13 milhões em despesas irregulares nas contas do Instituto Conhecer Brasil, uma organização não governamental ligada à produtora do filme Dark Horse, a cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O problema surgiu durante a análise de um contrato de R$ 108 milhões destinado à instalação de pontos de Wi-Fi na capital paulista.

Os problemas identificados pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia incluem notas fiscais que foram canceladas dias após sua emissão, documentação faltante para comprovar despesas e descrições inadequadas do trabalho realizado. A presidente do instituto, Karina da Gama, também atua como produtora-executiva do filme. A prefeitura deu um prazo de 30 dias para que a organização apresente explicações e documentos que justifiquem as inconsistências encontradas.

Um caso particularmente preocupante envolve um comprovante de pagamento de R$ 500 mil para a empresa Favela Conectada. A nota fiscal correspondente foi cancelada dez dias após ser emitida, levantando questões sobre a legitimidade da transação. Segundo reportagem da Folha de São Paulo, um dos sócios da Favela Conectada, Alex Sandro Bispo, é apontado como integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital. Essa informação surgiu no contexto das investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse.

Além disso, o instituto não apresentou comprovação adequada de despesas com serviços de tecnologia e telefonia. Deixou também de fornecer relatórios mensais detalhando as atividades de consultoria em comunicação e publicidade que foram contratadas durante a execução dos projetos. As notas fiscais apresentadas carecem de detalhamento suficiente, dificultando a verificação dos serviços que realmente foram prestados. A prefeitura também apontou a falta de informações precisas sobre onde os equipamentos foram instalados e qual foi o escopo exato das atividades realizadas pelas empresas subcontratadas, incluindo a Complexys Soluções Integradas, que é alvo de investigações da Polícia Civil.

Em resposta, o Instituto Conhecer Brasil afirmou que está colaborando integralmente com as autoridades e que todos os fatos serão esclarecidos. A organização argumentou que a notificação recebida faz parte do procedimento normal de fiscalização de contas e que é comum que durante esse processo sejam solicitados esclarecimentos e documentos adicionais. O instituto disse estar apresentando as respostas dentro dos prazos estabelecidos.

O relatório da prefeitura também identificou inconsistências em outra prestação de contas do instituto. Nesse caso, o Instituto Conhecer Brasil recebeu uma emenda parlamentar de R$ 300 mil do vereador André Santos, do partido Republicanos, para executar um projeto chamado Colorindo Sonhos, que oferecia cursos de maquiagem e palestras sobre empreendedorismo feminino. Essa prestação de contas também apresenta pendências que deverão ser esclarecidas dentro do mesmo prazo de 30 dias concedido pela prefeitura.

Estamos certos de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos e que as informações e documentos apresentados demonstrarão a regularidade da execução das parcerias
— Instituto Conhecer Brasil, em nota
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que uma ONG ligada a um filme sobre Bolsonaro está recebendo contratos tão grandes da prefeitura?

Model

Não está claro nos registros públicos como essa conexão específica foi estabelecida. O que sabemos é que o Instituto Conhecer Brasil assinou um contrato de R$ 108 milhões para Wi-Fi — um projeto de infraestrutura legítimo — mas a execução apresenta problemas graves de documentação.

Inventor

R$ 13 milhões em irregularidades é muito dinheiro. Isso significa que o dinheiro desapareceu?

Model

Não necessariamente. Irregularidades em prestação de contas podem significar muitas coisas: notas fiscais canceladas, falta de comprovação, documentação inadequada. Pode ser incompetência administrativa, pode ser algo mais intencional. Por isso a prefeitura pediu esclarecimentos — para entender o que realmente aconteceu.

Inventor

E essa conexão com o PCC? Como um sócio de uma empresa parceira está ligado a uma facção criminosa?

Model

Isso é o que torna a história mais complexa. Um dos sócios da Favela Conectada, que recebeu R$ 500 mil do instituto, é apontado como integrante do PCC. Mas a nota fiscal desse pagamento foi cancelada dez dias depois. Essas conexões estão sendo investigadas, mas ainda não há conclusões.

Inventor

O instituto está negando as acusações?

Model

Não está negando. Está dizendo que colabora com as investigações e que as inconsistências são normais em processos de fiscalização. Mas a prefeitura quer respostas concretas — documentos, explicações, comprovações.

Inventor

Qual é o próximo passo?

Model

A prefeitura deu 30 dias para o instituto apresentar os esclarecimentos. Se não conseguir justificar as irregularidades, pode haver consequências legais e financeiras. Enquanto isso, as investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse continuam.

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