Aos 87 anos, José Carlos Dias — advogado que atravessou a ditadura, a redemocratização e décadas de luta institucional — contempla o Supremo Tribunal Federal com a tristeza de quem reconhece numa instituição amada os sinais de uma crise profunda. Para ele, a degradação da corte não é apenas um escândalo de bastidores: é uma ameaça à própria arquitetura democrática que o Brasil levou gerações para construir. Sua voz, vinda de quem defendeu perseguidos políticos e coordenou comissões de verdade, carrega o peso de quem sabe o que se perde quando as instituições cedem.