Numa era em que os rastros digitais substituem as impressões digitais, Portugal tornou-se um dos países europeus que mais recorre às grandes plataformas tecnológicas para sustentar investigações criminais — mais de quatro mil pedidos em 2024, quase onze por dia. O relatório Sirius da Europol revela que esta prática é comum a toda a União Europeia, com Google e Meta a concentrarem a esmagadora maioria das solicitações, e que a inteligência artificial começa a emergir como novo território de investigação. A questão que se coloca não é apenas técnica ou jurídica, mas filosófica: à medida que a ju