Ronaldo não tremeu da marca dos 11 metros
Em Budapeste, Portugal e França protagonizaram um empate a dois golos que, por si só, não teria bastado — foi a matemática de outros campos a abrir a porta dos oitavos de final às quinas. Cristiano Ronaldo, com dois penáltis convertidos, igualou um recorde histórico de golos internacionais e lembrou que a grandeza individual pode coexistir com a incerteza coletiva. Como em 2016, Portugal avança não pela dominância, mas pela resiliência e pela paciência de quem sabe esperar que o mundo jogue a seu favor.
- Benzema operou uma reviravolta francesa com dois golos em três minutos, transformando uma vantagem portuguesa numa ameaça real de eliminação.
- A arbitragem de Mateu Lahoz agitou o jogo com duas grandes penalidades polémicas que moldaram o resultado em sentidos opostos.
- Rui Patrício foi o muro que impediu o desastre, desviando um remate de Pogba no poste e bloqueando um cruzamento perigoso de Griezmann.
- A qualificação chegou de Munique antes de Budapeste terminar: o empate da Hungria com a Alemanha eliminou os germânicos e garantiu Portugal como melhor terceiro.
- Portugal segue para Sevilha no domingo para defrontar a Bélgica, vencedora do Grupo B, repetindo o caminho tortuoso que em 2016 acabou em título europeu.
Portugal garantiu a passagem aos oitavos de final do Euro2020 com um empate a dois golos frente à França em Budapeste, mas a qualificação dependeu tanto do que aconteceu noutros campos como do que se passou dentro das quatro linhas. Cristiano Ronaldo abriu o marcador com dois penáltis, aos 31 e 60 minutos, tornando-se o melhor marcador do torneio com cinco golos e igualando o recorde histórico de Ali Daei em golos por seleções, com 109.
Karim Benzema respondeu com dois golos em rápida sucessão — aos 45+2 e 47 minutos — numa reviravolta francesa que colocou Portugal em risco. A arbitragem de Mateu Lahoz foi alvo de polémica: o primeiro penálti, assinalado sobre Nélson Semedo, pareceu duvidoso a muitos; o segundo, por mão de Koundé, foi mais consensual. Rui Patrício foi decisivo para segurar o empate, desviando um remate de Pogba que tocou no poste e bloqueando um cruzamento de Griezmann que poderia ter sido fatal.
Fernando Santos alterou o sistema tático e o meio-campo em relação aos jogos anteriores, apostando em Moutinho e Renato Sanches. Danilo Pereira, que cumpria a sua 50.ª internacionalização, saiu lesionado ao intervalo após uma colisão com Lloris. Diogo Dalot estreou-se na seleção principal, tornando-se o 52.º jogador lançado por Santos nas quinas.
A qualificação foi confirmada quando a Hungria empatou com a Alemanha em Munique, eliminando os germânicos e garantindo Portugal como um dos melhores terceiros. Nos minutos finais em Budapeste, ambas as equipas pareciam satisfeitas com o resultado, deixando o tempo de compensação passar em trocas de bola sem ambição. Portugal repete assim o guião de 2016 e aguarda agora a Bélgica, em Sevilha, no domingo.
Portugal seguiu para os oitavos de final do Euro2020 com um empate de 2-2 contra a França em Budapeste, na terceira jornada do grupo. A qualificação chegou não pela vitória, mas pela matemática: a Alemanha empatou 2-2 com a Hungria no mesmo dia, deixando os germânicos fora da próxima fase e abrindo espaço para os portugueses como um dos melhores terceiros classificados. Cristiano Ronaldo marcou duas vezes, ambas de penálti, aos 31 e 60 minutos, enquanto Karim Benzema respondeu com dois golos seus, aos 45+2 e 47, operando uma reviravolta francesa que poderia ter custado caro.
Os dois golos de Ronaldo contra a França foram históricos. Foram os primeiros que marcou em sete encontros contra os gauleses, e com eles isolou-se como melhor marcador do Euro2020 com cinco golos no total. Mais significativo ainda: igualou o recorde de Ali Daei, o iraniano que detinha o maior número de golos marcados por um jogador em seleções, com 109. A eficácia do capitão português na marca de 11 metros foi decisiva para manter viva a esperança de qualificação.
Fernando Santos fez alterações táticas e de pessoal em relação aos dois primeiros jogos. Trocou Bruno Fernandes e William Carvalho por João Moutinho e Renato Sanches, mudando também o sistema de jogo de 4x2x3x1 para 4x3x3, com Danilo Pereira como o homem mais recuado do meio-campo. Danilo cumpria nesse dia a sua 50.ª internacionalização por Portugal, mas recebeu uma pancada na cabeça de Lloris que o deixou marcado e o obrigou a sair ao intervalo, sendo substituído por Palhinha. O encontro viu ainda a estreia de Diogo Dalot pela seleção principal, chamado após o infortúnio de João Cancelo, tornando-se o 52.º jogador lançado por Santos na equipa das quinas. Palhinha, Rúben Neves e Sérgio Oliveira também entraram durante o jogo, todos estreantes em campeonatos europeus.
A arbitragem de Mateu Lahoz foi controversa. Uma grande penalidade muito duvidosa sobre Nélson Semedo permitiu que Benzema empatasse o jogo no primeiro tempo, apesar dos conselhos de Pepe a Rui Patrício sobre para onde o antigo colega do Real Madrid bateria. No segundo tempo, Lahoz marcou outra grande penalidade, desta vez por mão de Koundé, e Ronaldo não tremeu novamente, bisando no encontro. A defesa de Rui Patrício foi crucial para o resultado final: o guarda-redes desviou um remate de Pogba que fez estremecer o poste e o coração dos portugueses, e ainda evitou um terceiro golo francês ao bloquear um cruzamento de Griezmann.
Portugal qualificou-se de forma semelhante a 2016, agarrando-se à calculadora e aos resultados de outros jogos. Quando a Hungria empatou com a Alemanha em Munique, a qualificação portuguesa foi praticamente garantida antes mesmo do encontro em Budapeste terminar. Nos últimos minutos, ambas as seleções pareciam mais interessadas em manter o empate do que em arriscar uma derrota, com o tempo de compensação passado quase inteiramente em trocas de bola. Portugal enfrentará agora a Bélgica, vencedora do Grupo B, nos oitavos de final no domingo em Sevilha.
Notable Quotes
Danilo Pereira recebeu uma pancada na cabeça de Lloris que o deixou marcado e o obrigou a sair ao intervalo— Relato do jogo
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como é que Portugal consegue qualificar-se com um empate contra a campeã mundial?
Porque a Alemanha perdeu pontos com a Hungria no mesmo dia. Portugal estava dependente de outros resultados, e quando a Hungria empatou em Munique, abriu-se o caminho para as quinas como terceiro classificado.
Ronaldo marcou dois golos de penálti. Isso foi sorte ou mérito?
Mérito na execução, sorte na arbitragem. As duas grandes penalidades foram duvidosas — a primeira sobre Semedo foi muito questionável. Mas Ronaldo não tremeu em nenhuma delas, e isso isolou-o como melhor marcador do torneio.
Rui Patrício fez algo notável nesse jogo?
Fez. Depois de Benzema fazer dois golos em dois minutos, Patrício emergiu como salvador. Desviou um remate de Pogba que fez estremecer o poste e bloqueou um cruzamento de Griezmann. Sem essas defesas, Portugal não se qualificava.
Fernando Santos mudou a equipa. Por quê?
Porque os dois primeiros jogos não tinham sido convincentes. Trouxe Moutinho e Renato Sanches para mais controlo e dinâmica, e alterou o sistema para 4x3x3. Funcionou em termos de resultado, mas o jogo foi caótico.
Qual é o próximo passo?
Bélgica em Sevilha, no domingo. A Bélgica venceu o grupo, Portugal chegou como terceiro. É um duelo completamente diferente, sem a margem de manobra que Portugal teve neste grupo.