Portugal é o 3º país da UE que melhor integra imigrantes, atrás de Suécia e Finlândia

Políticas que criam tantos obstáculos quanto oportunidades
A pontuação média da UE em integração de imigrantes reflete um equilíbrio precário entre direitos e barreiras.
Mark

Como é que Portugal consegue estar tão bem posicionado quando a maioria dos países europeus está a endurecer as políticas?

Mimi

Portugal tem uma história recente de imigração e desenvolveu políticas bastante pragmáticas. O reagrupamento familiar, por exemplo, é realmente aberto — as famílias podem entrar juntas. E há um foco real no mercado de trabalho.

Luke

Mas espera — o índice MIPEX baseia-se em dados de 2023. Houve mudanças legislativas desde então em vários países, incluindo a Suécia. Não sabemos se Portugal mantém esta posição com dados mais recentes.

Mark

E quanto à participação política? Portugal está bem nessa área?

Mimi

Portugal está entre os melhores, mas ainda assim a participação política é a área mais fraca em toda a UE. Apenas seis países permitem que imigrantes votem em eleições locais.

Luke

Exatamente. Portugal não está nesse grupo de seis. Portanto, quando dizemos que Portugal está bem, estamos a comparar com um padrão europeu que é, em geral, bastante restritivo.

Mark

Qual é a diferença entre os países nórdicos e os da Europa de Leste?

Mimi

É dramática. A Letónia tem 36 pontos, a Lituânia 37. Os países nórdicos têm 84-86. Há uma diferença de quase 50 pontos. Tem a ver com história, com demografia, com escolhas políticas.

Luke

Mas o relatório não explica o porquê. Apenas diz que é assim. Sabemos que a Eslováquia tem políticas fracas, mas não sabemos se é porque não quer integrar imigrantes ou porque tem recursos limitados ou porque há pressão política.

Mark

Portugal está a melhorar ou a estagnar?

Mimi

Há pequenos progressos em educação e anti-discriminação. Mas em geral, a UE está estagnada — apenas 0,8 pontos de melhoria desde 2019.

Luke

E isso é importante: Portugal pode estar bem em termos relativos, mas isso não significa que as coisas estejam a melhorar. Pode estar bem porque os outros estão pior.

  • A Europa aperta o cerco à imigração, mas Portugal nada contra a maré — e o índice MIPEX 2025 confirma que o país está entre os três melhores da UE na integração de imigrantes.
  • A média europeia de 54 em 100 expõe um paradoxo inquietante: as políticas da maioria dos Estados-membros criam tantos obstáculos quanto oportunidades para quem tenta construir uma vida nova.
  • Portugal é o único país da UE onde o reagrupamento familiar é classificado como claramente favorável, permitindo que famílias inteiras entrem simultaneamente com os requerentes de visto.
  • A Europa de Leste fica muito para trás — Letónia (36) e Lituânia (37) ocupam as últimas posições, com participação política dos migrantes praticamente inexistente nas suas estratégias nacionais.
  • A questão que paira sobre o relatório é se Portugal conseguirá manter este rumo inclusivo enquanto a tendência dominante no continente aponta, sem hesitação, para o endurecimento.

Num momento em que a Europa endurece as suas fronteiras políticas e simbólicas, Portugal afirma-se como uma das raras exceções ao espírito restritivo que domina o continente. Com 83 pontos no índice MIPEX 2025, o país ocupa o terceiro lugar entre os membros da União Europeia na integração de imigrantes, atrás apenas da Suécia e da Finlândia. Esta distinção levanta uma questão mais profunda: o que revela sobre uma nação a forma como acolhe aqueles que chegam de fora, e quanto tempo consegue nadar contra a corrente?

Enquanto os governos europeus apertam o cerco às políticas de imigração, Portugal emerge como uma exceção notável. Segundo o índice MIPEX 2025, desenvolvido pelo Migration Policy Group de Bruxelas, o país ocupa o terceiro lugar entre os membros da União Europeia com 83 pontos em 100, superado apenas pela Suécia (86) e pela Finlândia (84). O índice avalia oito domínios — do acesso ao mercado de trabalho à participação política — e retrata um continente profundamente dividido na forma como trata quem chega de fora.

O quadro geral europeu é desanimador. A pontuação média dos 27 Estados-membros é de apenas 54 em 100, uma melhoria de menos de um ponto desde 2019. Em média, as políticas nacionais criam tantos obstáculos quanto oportunidades para os imigrantes. Há pequenos progressos na educação e na luta contra a discriminação, mas retrocessos preocupantes no acesso à cidadania e na participação política.

Portugal distingue-se em várias frentes. É o único país da UE onde as políticas de reagrupamento familiar são classificadas como claramente favoráveis, permitindo que as famílias dos requerentes de visto entrem simultaneamente com estes. O acesso ao emprego é considerado favorável, e as vítimas de crimes estão melhor informadas e apoiadas do que em muitos outros Estados-membros.

A disparidade regional é marcante. Os países nórdicos, juntamente com Portugal, Bélgica, Espanha e Alemanha, formam um grupo com abordagens favoráveis à integração. Em contraste, a Europa de Leste apresenta um cenário muito mais restritivo: a Letónia (36) e a Lituânia (37) ocupam as últimas posições, com uma média regional de apenas 44 em 100, contra 63 na Europa Ocidental.

As áreas mais fracas em toda a Europa são a educação, o acesso à cidadania e, sobretudo, a participação política — que inclui o direito de voto e de elegibilidade, com uma pontuação global de apenas 37. Apenas seis países da UE permitem que cidadãos de países terceiros votem em eleições locais, entre eles Portugal e a Suécia. A questão que o relatório deixa em aberto é se Portugal conseguirá manter e aprofundar estas políticas inclusivas enquanto a tendência geral na Europa aponta, sem hesitação, para o endurecimento.

Enquanto os governos europeus apertam o cerco às políticas de imigração, Portugal emerge como uma exceção notável. Segundo a edição 2025 do índice MIPEX — um levantamento abrangente das políticas de integração de migrantes — o país ocupa o terceiro lugar entre os membros da União Europeia, com uma pontuação de 83 em 100. Apenas Suécia (86) e Finlândia (84) ficam à frente. O índice, desenvolvido pelo Migration Policy Group, um centro de estudos baseado em Bruxelas, avalia como os países apoiam a integração de cidadãos estrangeiros em oito domínios: acesso ao mercado de trabalho, educação, cuidados de saúde, residência permanente, reagrupamento familiar, participação política, cidadania e legislação anti-discriminação.

O quadro geral na União Europeia, porém, é desanimador. A pontuação média dos 27 Estados-membros é de apenas 54 em 100 — uma melhoria de apenas 0,8 pontos desde 2019. Isto significa que, em média, as políticas nacionais criam tantos obstáculos quanto oportunidades para que os imigrantes participem e se estabeleçam. Başak Yavçan, co-autora do relatório e diretora de investigação do Migration Policy Group, resumiu o paradoxo: os migrantes usufruem frequentemente de direitos básicos e alguma segurança a longo prazo, mas continuam sem ter igualdade de oportunidades. O relatório identifica pequenos progressos nas áreas da educação e da luta contra a discriminação, mas um retrocesso preocupante no acesso à cidadania e na participação política.

Portugal distingue-se em várias frentes. O país é o único da União Europeia onde as políticas de reagrupamento familiar são classificadas como claramente favoráveis — uma mudança recente que permitiu que as famílias dos requerentes de visto entrem simultaneamente com estes. Além disso, Portugal apresenta uma abordagem inclusiva ao mercado de trabalho, apoiando tanto trabalhadores imigrantes como emigrantes que regressam. O acesso ao emprego é considerado favorável, colocando o país ao lado de Espanha, Itália, Grécia, Finlândia e Bélgica. Em matéria de saúde, as políticas portuguesas são classificadas como ligeiramente favoráveis, e as vítimas de crimes estão melhor informadas e apoiadas para procurar justiça do que em muitos outros Estados-membros.

A disparidade entre regiões da Europa é marcante. Os países nórdicos, juntamente com Portugal, Bélgica, Espanha, Luxemburgo e Alemanha, formam um grupo de nações com abordagens claramente ou moderadamente favoráveis à integração. Em contraste, a Europa Central e de Leste apresenta um cenário muito mais restritivo. A Letónia (36), a Lituânia (37), a Bulgária e a Eslováquia (39) ocupam as últimas posições do ranking. A média dos países da Europa de Leste é de apenas 44 em 100, comparada com 63 na Europa Ocidental. Nestes países, o apoio ao acesso ao emprego é consideravelmente mais fraco, e a participação política dos migrantes continua ausente ou quase inexistente das estratégias de integração nacionais.

A Suécia, apesar de liderar o ranking, apresenta uma complexidade interessante. A sua pontuação de 86 baseia-se em dados de 2023, anteriores às recentes alterações legislativas em matéria de residência permanente e cidadania. O país obtém pontuações particularmente altas na legislação anti-discriminação (100), educação (93), acesso ao mercado de trabalho (91) e residência permanente (90), mas apresenta valores mais baixos no reagrupamento familiar (71). A Suécia é um dos apenas seis países da UE onde cidadãos de países terceiros podem candidatar-se e votar em eleições locais — juntamente com Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Luxemburgo e Países Baixos.

O relatório revela que as políticas de nacionalidade e cidadania continuam a ser um dos pontos fracos da maioria dos países europeus, especialmente na Áustria e nos países bálticos. Contudo, os imigrantes encontram boas oportunidades de acesso à cidadania em Portugal, Suécia, Irlanda, Finlândia e Luxemburgo. Em termos gerais, os países tendem a apresentar medidas mais favoráveis nas áreas da anti-discriminação (pontuação global de 78), residência permanente (61) e acesso ao mercado de trabalho (55). As áreas mais fracas são a educação (50), o acesso à cidadania (44) e, sobretudo, a participação política, que inclui o direito de voto e de elegibilidade (37).

O relatório sublinha que, apesar das baixas pontuações médias, os modelos de integração de migrantes variam amplamente entre os Estados-membros. Devido à falta de harmonização nesta área, apenas três países — Suécia, Finlândia e Portugal — adotam uma abordagem claramente favorável à integração. Alguns Estados têm evoluído num sentido mais inclusivo: além de Portugal, a Croácia restringiu os motivos que podem justificar a recusa, a retirada ou a não concessão de estatuto. O núcleo da integração, de acordo com o relatório, assenta no princípio da igualdade de oportunidades para todos, com acesso equitativo a direitos e serviços com o mínimo de barreiras. A questão que permanece é se Portugal conseguirá manter e aprofundar estas políticas inclusivas enquanto a tendência geral na Europa aponta para um endurecimento.

Em média, as políticas nacionais criam tantos obstáculos quanto oportunidades para que os imigrantes participem e se estabeleçam no seu novo país
— Relatório MIPEX 2025
Os migrantes usufruem frequentemente de direitos básicos e de alguma segurança a longo prazo, mas continuam sem ter igualdade de oportunidades
— Başak Yavçan, co-autora do relatório e diretora de investigação do Migration Policy Group
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