Numa semana em que o peso da consciência internacional se fez sentir, trinta e dois países — entre eles Portugal e a União Europeia — uniram as suas vozes para condenar o uso da pena de morte pelo Irão como instrumento de supressão política. Desde os protestos de 2025, pelo menos 56 pessoas foram executadas por alegados motivos de segurança nacional, num ciclo de repressão que a ONU descreve como alarmante. A declaração conjunta é um gesto de pressão moral sobre Teerão, mas também um espelho da tensão entre a soberania de um regime e os valores universais que a comunidade internacional proclam
Portugal e 31 países condenam execuções de manifestantes no Irão
Usar a pena capital para silenciar dissidência nunca pode ser justificado
Porque é que Portugal se junta a esta condenação agora, especificamente?
Porque o número de execuções disparou. Não é uma questão abstrata de direitos humanos — são pessoas reais a serem enforcadas por terem protestado contra o custo de vida. Quando a ONU soa o alarme, os países democráticos sentem-se obrigados a responder.
Mas 32 países condenando algo não muda nada, pois não?
Provavelmente não muda o comportamento do Irão a curto prazo. Mas cria um registo internacional, estabelece uma linha clara sobre o que é aceitável. E, para as famílias das vítimas, importa que o mundo esteja a prestar atenção.
A discrepância entre 3.000 mortes reconhecidas e "muitos milhares" alegadas — como sabemos qual é o número real?
Não sabemos com certeza. O governo tem incentivos para minimizar. As ONG têm dificuldade em verificar números num país com controlo de informação tão apertado. A verdade provavelmente fica algures no meio, mas em qualquer caso é catastrófica.
Estes protestos começaram por causa do custo de vida. Isso tornou-se numa luta por direitos humanos?
Tornou-se porque o regime respondeu com violência extrema. Quando o governo mata milhares de pessoas por protestarem, a questão deixa de ser apenas sobre preços — torna-se sobre sobrevivência e liberdade.
E a ofensiva dos EUA e Israel em fevereiro — isso piorou as coisas?
Coincidiu com um aumento das execuções. O regime pode estar a usar a ameaça externa como justificação para uma repressão interna mais brutal. Ou talvez tenha simplesmente sentido-se mais ameaçado e respondido com mais violência. A cronologia é suspeita.
El Pulso
- Pelo menos 56 pessoas foram executadas no Irão desde os protestos de 2025, com os enforcamentos a intensificarem-se após a ofensiva conjunta dos EUA e Israel em fevereiro de 2026.
- A ONG internacionais alertam que o número real de mortos na repressão pode ascender a muitos milhares, muito além dos 3.000 reconhecidos pelo próprio governo iraniano.
- Trinta e dois países, incluindo Portugal, Canadá, Alemanha e praticamente toda a UE, assinaram uma declaração exigindo o fim imediato das execuções e a libertação de todos os detidos arbitrariamente.
- O regime de Teerão classifica a violência como resposta a 'atos terroristas' orquestrados pelos EUA e por Israel, rejeitando implicitamente qualquer legitimidade às críticas externas.
- A eficácia da pressão internacional permanece incerta: o Irão tem historicamente ignorado apelos semelhantes, enquanto os protestos representam o maior desafio ao regime desde a Revolução de 1979.
Numa semana em que o peso da consciência internacional se fez sentir, trinta e dois países — entre eles Portugal e a União Europeia — uniram as suas vozes para condenar o uso da pena de morte pelo Irão como instrumento de supressão política. Desde os protestos de 2025, pelo menos 56 pessoas foram executadas por alegados motivos de segurança nacional, num ciclo de repressão que a ONU descreve como alarmante. A declaração conjunta é um gesto de pressão moral sobre Teerão, mas também um espelho da tensão entre a soberania de um regime e os valores universais que a comunidade internacional proclama defender.
Esta semana, trinta e dois países — entre eles Portugal, o Canadá, o Reino Unido, a Alemanha e praticamente todos os membros da União Europeia — apresentaram uma condenação formal das execuções de manifestantes no Irão. A declaração conjunta exige que Teerão abandone imediatamente o recurso à pena de morte e respeite o direito à liberdade de expressão e de reunião pacífica. A linguagem do documento é direta: usar a execução para sufocar a dissidência e intimidar comunidades é, para os signatários, simplesmente indefensável.
Por detrás desta condenação estão números que perturbam. A ONU confirmou que pelo menos 56 pessoas foram mortas por alegados motivos de segurança nacional desde os primeiros enforcamentos ligados aos protestos, registados no final de 2025. O próprio governo iraniano reconheceu mais de 3.000 mortes durante a repressão, atribuindo a violência a atos orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel. Organizações não-governamentais afirmam, porém, que o número real é muito superior — muitos milhares de vidas.
Os protestos nasceram de uma reação ao custo de vida, mas cresceram até se tornarem o maior desafio ao regime desde a Revolução Islâmica de 1979. A resposta governamental foi descrita como uma das mais violentas da história moderna do país, e agravou-se após a ofensiva conjunta dos EUA e de Israel em fevereiro de 2026, momento a partir do qual as execuções aumentaram de forma significativa.
A declaração dos 32 países é uma tentativa de pressão coordenada, mas a sua eficácia é incerta. O regime iraniano tem ignorado apelos semelhantes ao longo das décadas. O que permanece em aberto é tanto o destino das pessoas ainda detidas como a questão mais ampla: se o Irão escolherá respeitar normas internacionais de direitos humanos ou continuará a usar a execução como ferramenta de controlo político.
Trinta e dois países, entre eles Portugal e a União Europeia como bloco, apresentaram uma condenação formal esta semana contra as execuções de manifestantes no Irão, exigindo que o regime de Teerão abandone imediatamente o recurso à pena de morte e respeite o direito fundamental à liberdade de expressão. A declaração conjunta, divulgada hoje, é uma resposta direta a uma onda de execuções que se intensificou desde o final de 2025, quando começaram os primeiros enforcamentos ligados aos protestos que varreram o país.
O documento assinado pelos 32 signatários — que incluem Canadá, Austrália, Reino Unido, França, Alemanha, Espanha e praticamente todos os membros da União Europeia — é claro na sua linguagem: usar a pena capital para sufocar a dissidência, intimidar comunidades e punir pessoas pelo exercício dos seus direitos humanos é indefensável. Os países signatários insistem que o povo iraniano deve poder exercer liberdade de expressão e reunião pacífica sem medo de represálias mortais. Pedem ainda a libertação imediata de todas as pessoas detidas arbitrariamente e instam Teerão a ouvir a voz do seu povo, que exige mudança.
Os números por trás desta condenação internacional são perturbadores. A Organização das Nações Unidas manifestou alarme na semana passada perante o aumento das execuções, confirmando que pelo menos 56 pessoas foram mortas por alegados motivos de segurança nacional desde que os primeiros enforcamentos relacionados com protestos foram registados no final de 2025 e continuaram nas primeiras semanas de 2026. Mas estes números oficiais mascaram uma realidade muito mais sombria. O governo iraniano reconheceu mais de 3.000 mortes durante a repressão dos protestos, atribuindo a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel. Organizações não-governamentais baseadas no estrangeiro, porém, afirmam que o número real de mortos é muito superior — muitos milhares.
Os protestos que desencadearam esta repressão começaram como uma reação ao custo de vida, transformando-se rapidamente no maior desafio ao regime desde a Revolução Islâmica de 1979. A intensidade da resposta governamental — descrita como uma das mais violentas da história moderna do país — coincidiu com a escalada regional. No dia 28 de fevereiro, uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica marcou um ponto de viragem. Desde então, as execuções aumentaram significativamente, com muitos dos condenados à morte tendo sido julgados especificamente pela sua participação nos protestos contra o custo de vida.
A declaração dos 32 países representa uma tentativa coordenada de pressão internacional sobre Teerão, mas a sua eficácia permanece incerta. O regime iraniano tem historicamente ignorado apelos semelhantes de organismos internacionais e coligações de países ocidentais. O que está em jogo é tanto a vida de pessoas detidas quanto a questão mais ampla de se o Irão respeitará normas internacionais de direitos humanos ou continuará a usar a execução como ferramenta de controlo político.
Citas Notables
O povo do Irão deve ser livre de exercer o seu direito à liberdade de expressão e de reunião pacífica sem receio— Declaração conjunta dos 32 países signatários
O recurso à pena capital para silenciar a dissidência, intimidar as comunidades e punir pessoas que exercem os seus direitos humanos nunca pode ser justificado— Declaração conjunta dos 32 países signatários