Portugal bate recordes históricos em energia eólica e bombagem hidroelétrica

O sistema consegue armazenar energia quando a produção varia
Portugal demonstra capacidade de adaptar-se à variabilidade das renováveis através da bombagem hidroelétrica.
Mark

O que significa exatamente este recorde de bombagem hidroelétrica? Parece um número impressionante, mas não consigo visualizar o que está a acontecer.

Mimi

Imagina que tens água a cair de uma barragem e a gerar eletricidade. A bombagem faz o oposto: usa eletricidade para bombear água de volta para cima da barragem, armazenando-a. Quando precisas de eletricidade mais tarde, deixas cair essa água novamente. É como uma bateria gigante.

Luke

Mas isto só faz sentido se tiveres eletricidade em excesso para bombear. Neste caso, Portugal e Espanha tinham tanta energia eólica e solar que era mais eficiente armazenar do que desperdiçar.

Mark

Então o recorde de 41,7 gigawatts-hora significa que havia muita energia renovável a ser produzida naquele dia?

Mimi

Exatamente. O vento estava forte, havia sol, e o sistema tinha mais energia do que conseguia usar imediatamente. Em vez de desligar turbinas ou exportar, bombou água para os reservatórios.

Luke

Embora seja importante notar que bombear água consome energia — não é um processo 100% eficiente. Mas ainda assim, é melhor do que desperdiçar eletricidade renovável.

Mark

E quanto ao consumo de gás natural que caiu 21%? Isso é permanente ou apenas um padrão sazonal?

Mimi

Os dados mostram uma queda de 66% especificamente na produção de eletricidade a partir de gás. Isso sugere que as renováveis estão a substituir o gás nessa função.

Luke

Mas o consumo de gás no segmento convencional — aquecimento, indústria — cresceu 3%. Portanto, o gás não desapareceu, apenas deixou de ser usado tanto para eletricidade.

Mark

Qual é o significado de Portugal ter o consumo de gás mais baixo desde 2004?

Mimi

Significa que a economia portuguesa consegue funcionar com muito menos gás do que conseguia há 20 anos, apesar de o consumo de eletricidade estar a crescer. É uma desconexão importante.

Luke

Embora seja justo dizer que 2004 foi há muito tempo e a economia mudou. Não é apenas sobre energia renovável — é também sobre eficiência e mudanças na estrutura industrial.

Mark

O que me preocupa é se isto é sustentável. Estes recordes dependem de condições específicas — vento forte, muita chuva para as barragens.

Mimi

Verdade. Mas o padrão ao longo de dez meses mostra que as renováveis abasteceram 72% do consumo. Não é apenas um dia de sorte.

Luke

Ainda assim, a fotovoltaica em outubro teve o seu pior índice de produtibilidade desde 2010. O sistema ainda depende de importações para 19% do consumo. Há volatilidade aqui que não devemos ignorar.

  • O vento de 24 de novembro foi tão persistente que a energia eólica cobriu, sozinha, 86% de toda a eletricidade consumida em Portugal nesse dia — um feito sem precedentes.
  • A bombagem hidroelétrica bateu o seu próprio recorde com uma margem de 24%, revelando que o sistema elétrico nacional já funciona como uma bateria gigante capaz de absorver excedentes renováveis.
  • O consumo de gás natural no setor elétrico desabou 66% face a 2023, atingindo o nível mais baixo desde 2004 — uma compressão que traduz a escala real da substituição em curso.
  • A fotovoltaica registou em outubro o índice de produtibilidade mais baixo desde 2010, lembrando que a transição ainda depende da complementaridade entre tecnologias e da gestão inteligente dos recursos.
  • Com renováveis a cobrirem 72% do consumo acumulado até outubro, Portugal consolida uma matriz energética onde a exceção começa a ser a energia fóssil, não a energia limpa.

No domingo de novembro em que o vento varreu a Península Ibérica com força invulgar, Portugal inscreveu dois novos recordes históricos no seu sistema elétrico: a eólica produziu 110,4 GWh — cobrindo sozinha 86% do consumo nacional nesse dia — e a bombagem hidroelétrica armazenou 41,7 GWh, um salto de 24% acima do máximo anterior. Estes marcos não são apenas números: são sinais de que a transição energética portuguesa deixou de ser uma aspiração e se tornou uma realidade operacional, com as renováveis a responderem por 72% do consumo acumulado nos primeiros dez meses do ano.

No domingo, 24 de novembro, o sistema elétrico português viveu um momento duplo e histórico. A produção eólica atingiu 110,4 GWh — superando em 2,4 GWh o recorde anterior de outubro de 2023 — e representou 86% de todo o consumo nacional nesse dia. Em simultâneo, a bombagem hidroelétrica alcançou 41,7 GWh, 24% acima do máximo anterior registado em maio de 2024. Os dados são da REN, operador da rede nacional.

O recorde de bombagem revela uma lógica de sistema: com tanta energia renovável disponível na Península Ibérica, Portugal aproveitou para bombear água para os reservatórios em volumes sem precedente, funcionando como uma bateria de escala nacional. É a flexibilidade do sistema a mostrar-se à altura da abundância renovável.

Numa perspetiva mais larga, de janeiro a outubro, as renováveis abasteceram 72% do consumo total de eletricidade — hídrica com 30%, eólica com 26%, fotovoltaica com 10% e biomassa com 6%. O gás natural ficou-se pelos 9%, e o consumo desta fonte no setor elétrico caiu 66% face ao mesmo período de 2023, atingindo o nível mais baixo desde 2004.

Octubro trouxe também uma nota de cautela: o índice de produtibilidade fotovoltaica foi de apenas 0,77, o mais baixo para esse mês desde que a REN começou a registar dados em 2010. O lembrete é útil — a transição energética exige complementaridade entre tecnologias, não dependência de uma só.

O conjunto destes dados aponta para uma transformação que já não é promessa: Portugal consegue gerar energia limpa em quantidades recorde, armazená-la e distribuí-la com eficiência crescente, mesmo quando a produção oscila de dia para dia.

No domingo, 24 de novembro, o sistema elétrico português atingiu dois marcos históricos simultâneos. A produção de energia eólica alcançou 110,4 gigawatts-hora, superando em 2,4 gigawatts-hora o recorde anterior estabelecido em outubro de 2023. No mesmo dia, a bombagem hidroelétrica atingiu 41,7 gigawatts-hora, um salto de 24% acima do recorde anterior de 33,7 gigawatts-hora registado em maio de 2024. Os dados provêm da REN — Redes Energéticas Nacionais, o operador da rede nacional.

O vento forte e persistente durante todo aquele domingo foi o catalisador para o recorde eólico. A energia produzida nesse dia representou sozinha 86% de todo o consumo nacional de eletricidade. Quando se olha para o ano em perspetiva, a eólica acumula 27% do consumo nacional até agora, enquanto a energia solar contribui com cerca de 10%.

O recorde de bombagem hidroelétrica revela uma dinâmica diferente. Portugal e Espanha beneficiaram de uma disponibilidade elevada de fontes renováveis na Península Ibérica, o que permitiu ao sistema nacional bombear água para os reservatórios em volumes sem precedentes. Este processo — bombear água para armazená-la e depois libertá-la para gerar eletricidade quando necessário — funciona como uma bateria gigante. O novo recorde demonstra a flexibilidade do sistema elétrico português em absorver e armazenar energia quando a produção renovável é abundante.

Os números acumulados de janeiro a outubro pintam um quadro ainda mais amplo. As energias renováveis abasteceram 72% do consumo total de eletricidade durante este período. A energia hídrica respondeu por 30% do consumo, a eólica por 26%, a fotovoltaica por 10% e a biomassa por 6%. O gás natural forneceu apenas 9%, enquanto os restantes 19% foram importados de outros países.

Este desempenho contrasta com o consumo de gás natural, que caiu 21% em comparação com o mesmo período de 2023. A queda foi particularmente acentuada no segmento de produção de energia elétrica, onde o consumo de gás recuou 66%. Globalmente, o consumo de gás natural até final de outubro representa o nível mais baixo desde 2004. O consumo de eletricidade, por seu lado, cresceu 1,9% em relação ao ano anterior, ou 2,3% quando ajustado para variações de temperatura e dias úteis.

Octubro foi um mês particularmente favorável para as renováveis. A produção renovável abasteceu 68% do consumo, a produção não renovável 10%, e 22% foi energia importada. Os índices de produtibilidade — medidas que comparam a produção real com a média histórica — foram de 1,76 para a energia hídrica e 1,27 para a eólica, ambos acima da média de 1. A fotovoltaica, porém, registou um índice de apenas 0,77, o mais baixo para outubro desde que a REN começou a registar dados em 2010. O consumo de eletricidade em outubro aumentou 3,1% em relação ao ano anterior, ou 1,8% com ajustes sazonais.

Este conjunto de recordes e tendências aponta para uma transformação estrutural do sistema energético português. A capacidade de bater sucessivos recordes em tecnologias renováveis, combinada com a redução dramática do consumo de gás natural, sugere que a transição energética deixou de ser uma promessa futura e tornou-se realidade operacional. O sistema consegue não apenas gerar quantidades recorde de energia limpa, mas também armazená-la e distribuí-la de forma eficiente, mesmo quando a produção varia significativamente de um dia para o outro.

O novo recorde de bombagem hidroelétrica demonstra a capacidade do Sistema Elétrico Nacional de se adaptar à maior disponibilidade de energia renovável na Península Ibérica
— REN — Redes Energéticas Nacionais
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