Portugal bate recorde de consumo elétrico com 64% de energia renovável

Importações atingem níveis inéditos enquanto renováveis cobrem 64%
Portugal bateu recorde de consumo elétrico, mas a dependência energética externa cresceu significativamente.
Mark

Como é que Portugal conseguiu atingir 64% de energia renovável se ao mesmo tempo as importações bateram recordes?

Mimi

Porque o consumo total cresceu 3,4%, e esse crescimento foi maior do que o crescimento da produção renovável. As renováveis cobrem uma percentagem maior, mas o bolo inteiro ficou mais grande.

Luke

Espera — em setembro, as renováveis caíram para 52%. Isso significa que o crescimento de 3,4% não foi uniforme ao longo dos nove meses?

Mimi

Exatamente. Setembro foi anormalmente quente, o que disparou a procura. As renováveis não conseguiram acompanhar esse pico.

Mark

E o gás natural? Aumentou ou diminuiu?

Mimi

Aumentou 4,5% no setor elétrico, mas diminuiu 1,2% no convencional. No geral, manteve-se estável.

Luke

Mas em setembro caiu 12%. Isso é uma queda real ou apenas um mês atípico?

Mimi

Provavelmente atípico. Setembro teve uma queda de 15% na produção elétrica a gás, o que sugere que as renováveis conseguiram cobrir mais nesse mês específico.

Mark

Então o grande problema é a importação de 22% da energia?

Mimi

É um sinal de que, mesmo com 64% de renováveis, Portugal ainda não consegue ser autossuficiente quando a procura sobe.

Luke

Mas não sabemos se isso é estrutural ou se é apenas porque setembro foi quente. Os dados não dizem se isto é tendência ou anomalia.

Mimi

Verdade. Precisávamos de mais contexto sobre o que esperar nos próximos anos.

  • Setembro de 2026 quebrou recordes de calor e de consumo elétrico em simultâneo, com uma subida de 6,8% face ao mesmo mês do ano anterior, forçando o sistema ao limite.
  • As renováveis, que cobriam 64% da procura no acumulado do ano, colapsaram para 52% em setembro, revelando a fragilidade do sistema perante picos de procura extremos.
  • Para tapar o buraco, Portugal recorreu a importações históricas: 22% do total nos nove meses, e 35% apenas em setembro — números sem precedente registado.
  • O gás natural, que deveria funcionar como almofada de segurança, respondeu por apenas 14% da produção nacional, insuficiente para compensar a quebra das renováveis.
  • O país encontra-se agora num equilíbrio precário: ambição climática elevada, capacidade renovável crescente, mas autonomia energética real a diminuir quando mais é necessária.

Portugal atravessou, nos primeiros nove meses de 2026, uma fronteira que nunca havia cruzado: consumiu 40,5 terawatt-hora de eletricidade, um máximo histórico impulsionado pelo calor invulgar de setembro. O país celebra a maturidade das suas renováveis — que cobriram 64% da procura — mas descobre, ao mesmo tempo, que crescer em consumo sem crescer em produção própria significa depender cada vez mais do exterior. É o paradoxo de uma nação que avança na transição energética e, ainda assim, se vê mais vulnerável quando o clima não coopera.

Portugal consumiu 40,5 terawatt-hora de eletricidade entre janeiro e setembro de 2026, mais do que alguma vez havia registado neste período. O crescimento de 3,4% face ao recorde anterior, estabelecido em 2025, foi em grande parte ditado por setembro, mês em que temperaturas anormalmente elevadas mantiveram sistemas de ar condicionado e refrigeração a trabalhar além do habitual, empurrando o consumo 6,8% acima do mesmo mês do ano anterior.

A face luminosa deste recorde é a das energias renováveis, que asseguraram 64% de toda a procura acumulada. A hídrica liderou com 24%, seguida de perto pela eólica com 23%, enquanto a fotovoltaica contribuiu com 13% e a biomassa com 5%. A produção hídrica funcionou acima da sua média histórica, num sinal de que o investimento de anos em fontes limpas está a dar frutos concretos.

Mas setembro expôs as costuras do sistema. Nesse mês, as renováveis caíram para 52% da procura, o gás natural ficou-se pelos 13% da produção nacional, e as importações dispararam para 35% — um valor sem precedente. No acumulado dos nove meses, 22% da eletricidade consumida veio do exterior, o maior saldo importador alguma vez registado para este período.

No mercado do gás natural, o consumo manteve-se quase estável nos 33,2 terawatt-hora, mas com dinâmicas opostas por dentro: o setor elétrico consumiu mais gás, enquanto a indústria e o aquecimento consumiram menos. Setembro trouxe ainda uma queda acentuada de 12% no consumo mensal de gás.

O retrato final é o de um país que avançou genuinamente na transição energética, mas que ainda não construiu a resiliência necessária para enfrentar sozinho os picos de procura que o clima extremo vai impor com crescente frequência. A questão que fica por responder é como Portugal vai conciliar a sua ambição climática com uma segurança energética que, em momentos críticos, ainda depende das fronteiras.

Portugal ultrapassou um marco histórico nos primeiros nove meses de 2026. O país consumiu 40,5 terawatt-hora de eletricidade entre janeiro e setembro — mais do que jamais havia registado neste período do ano. O crescimento foi de 3,4% comparado com o máximo anterior, estabelecido em 2025. Setembro foi o mês que disparou os números, com uma subida de 6,8% face ao mesmo mês do ano anterior, alimentada por temperaturas anormalmente elevadas que mantiveram ar condicionado e sistemas de refrigeração a trabalhar além do normal.

O lado positivo da história é que energias renováveis cobriram 64% de toda essa procura. A energia hídrica liderou, fornecendo 24% das necessidades do país. A eólica chegou perto, com 23%. A fotovoltaica contribuiu com 13%, e a biomassa com 5%. Estes números refletem um sistema elétrico cada vez mais dependente de fontes limpas — um objetivo que Portugal tem perseguido durante anos. A produção hídrica funcionou acima da sua média histórica, com um índice de produtibilidade de 1,21. A eólica e a solar ficaram ligeiramente abaixo do esperado, com índices de 0,97 e 0,82 respetivamente.

Mas há uma sombra nesta imagem. Para satisfazer toda essa procura, Portugal teve de recorrer a importações de energia em níveis nunca antes vistos. Enquanto as renováveis cobriam 64%, o gás natural respondeu por apenas 14% da produção nacional. Os restantes 22% vieram do exterior — o maior saldo importador registado para qualquer período de nove meses. Em setembro isoladamente, a situação foi ainda mais aguda. As renováveis caíram para 52% da procura, a produção não renovável ficou-se pelos 13%, e as importações subiram para 35%.

No mercado do gás natural, o consumo acumulado manteve-se praticamente estável em 33,2 terawatt-hora, com um crescimento mínimo de 0,5%. Mas esta estabilidade esconde dinâmicas opostas. No setor elétrico, o consumo de gás subiu 4,5%, enquanto no mercado convencional — aquecimento, indústria e outros usos diretos — caiu 1,2%. Setembro trouxe uma queda acentuada de 12% no consumo mensal de gás, resultado de uma descida de 15% na produção de energia elétrica e de 10% no segmento convencional.

O quadro que emerge é o de um país que conseguiu aumentar significativamente a sua capacidade de energia limpa, mas que ao mesmo tempo viu crescer a sua dependência do exterior para equilibrar a procura. As temperaturas extremas de setembro — um sinal potencial de mudanças climáticas — expuseram tanto a força do sistema renovável português como as suas limitações. Quando a procura sobe acima do esperado, o país não consegue satisfazê-la apenas com produção nacional, mesmo com 64% de energia limpa. A questão que fica em aberto é como Portugal vai gerir este equilíbrio precário entre ambição climática e segurança energética nos próximos anos.

Energias renováveis garantiram 64% das necessidades elétricas do país, com energia hídrica a liderar ao cobrir 24% da procura
— REN (comunicado)
Want the full story? Read the original at ECO ↗
Contact Us FAQ