Porto Seguro propõe remodelação de calçadas e espaços públicos em Campos Elíseos

transformar vias que privilegiam carros em espaços mais democráticos
O argumento central da Porto Seguro para justificar o projeto de requalificação urbana em Campos Elíseos.
Mark

Por que uma empresa de seguros está propondo remodelar espaços públicos em um bairro inteiro?

Mimi

A Porto Seguro tem propriedades significativas em Campos Elíseos desde 1976 — vinte imóveis espalhados pela região. Quando você tem esse tipo de presença, o entorno afeta diretamente o valor e a atratividade dos seus ativos. Um bairro mais seguro, mais acolhedor, com melhor infraestrutura de pedestres, beneficia toda a região.

Luke

Mas isso é investimento público ou privado? A prefeitura está pagando?

Mimi

Não. A prefeitura deixou claro que todos os custos de projetos, licenciamentos, execução e manutenção ficarão a cargo da empresa selecionada. Isso é importante: a Porto Seguro está bancando tudo.

Mark

E por que a prefeitura aceitaria isso? Qual é o ganho para a cidade?

Mimi

Formalmente, o projeto se encaixa no programa Repensando Espaços Públicos da prefeitura. A ideia é transformar vias que hoje privilegiam carros em espaços mais democráticos, seguros e sustentáveis. Calçadas mais largas, acessibilidade universal, áreas de permanência.

Luke

Mas há um interesse comercial claro aqui. A Porto Seguro quer criar um hub de inovação na alameda Dino Bueno, com usos gastronômico e corporativo. Isso é gentrificação disfarçada de requalificação urbana?

Mimi

É uma questão legítima. A proposta ainda passará por consulta pública virtual e audiência pública. Essas são as oportunidades para a comunidade questionar exatamente isso.

Mark

Qual é o tamanho dessa intervenção?

Mimi

Abrange o entorno de vinte imóveis em cinco ruas e alamedas diferentes. Além disso, há uma praça privada de uso público de 1.943 metros quadrados sendo licenciada separadamente.

Luke

Quando começa?

Mimi

Ainda não há data. A proposta será analisada pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana em 7 de outubro. Depois disso, as consultas públicas. Não há estimativa de custos divulgada.

Mark

E se a prefeitura rejeitar?

Mimi

Tecnicamente, a prefeitura já sinalizou viabilidade nas análises iniciais. Mas a consulta pública pode mudar as coisas. Tudo depende do que a comunidade disser.

  • A região vizinha à antiga cracolândia volta ao centro do debate urbano: a Porto Seguro quer transformar vias dominadas por carros em espaços acolhedores para pedestres, desafiando décadas de lógica viária.
  • O projeto envolve nivelamento de calçadas, acessibilidade universal, mobiliário novo e até uma praça privada de uso público de quase dois mil metros quadrados — uma escala de intervenção incomum para uma empresa privada.
  • A Secretaria Municipal de Urbanismo já emitiu pareceres favoráveis com ressalvas, e a proposta chega à Comissão de Proteção à Paisagem Urbana em 7 de outubro, com consulta e audiência pública ainda por vir.
  • Sem estimativa de custos nem data de início das obras, o projeto permanece promessa aguardando validação coletiva — e uma segunda fase, ligada a um hub de inovação na alameda Dino Bueno, ainda nem foi detalhada.

No coração histórico de São Paulo, onde memórias de abandono e resistência se entrelaçam, uma seguradora com raízes de meio século no bairro Campos Elíseos propõe devolver ao pedestre o que o automóvel foi tomando: calçadas largas, espaços de convivência e uma nova identidade urbana. A Porto Seguro apresentou à Prefeitura o projeto 'Reinvente Campos Elíseos', uma parceria que transforma o entorno de seus vinte imóveis em laboratório de requalificação pública — com olhos em Milão e Barcelona, mas pés fincados numa das regiões mais complexas da cidade. A iniciativa ancora-se num programa municipal já em curso e ainda aguarda o escrutínio público antes de ganhar forma definitiva.

A Porto Seguro apresentou à Prefeitura de São Paulo o projeto 'Reinvente Campos Elíseos', uma proposta de parceria para remodelar calçadas, vias e espaços públicos no entorno dos vinte imóveis que a empresa possui no bairro central — distribuídos pela rua Guaianases e por alamedas como Ribeiro da Silva, Barão de Piracicaba, Dino Bueno e Nothmann. Formalmente entregue à gestão Ricardo Nunes em novembro de 2025, o plano prevê nivelamento de pisos, alargamento de percursos para pedestres, adaptações de acessibilidade universal e instalação de mobiliário urbano como bancos de concreto, jardineiras e lixeiras. Cidades como Milão, Barcelona, Auckland e Santiago foram citadas como referências.

Em paralelo, a empresa avança no licenciamento de uma praça privada de uso público de 1.943 metros quadrados na esquina da avenida Rio Branco com a alameda Ribeiro da Silva, com áreas de estar e espaço para food trucks. A justificativa apresentada à prefeitura defende que o projeto tornará o bairro mais acolhedor, seguro, inclusivo e integrado ao futuro centro administrativo estadual no entorno do parque Princesa Isabel — transformando vias que hoje privilegiam automóveis em espaços apropriados a diferentes públicos.

A prefeitura enquadrou a iniciativa no programa Repensando Espaços Públicos, que já produziu intervenções como o boulevard do Sesc e Itaú Cultural na avenida Paulista. A proposta passará por consulta pública virtual, audiência pública e chamamento aberto a interessados, com todos os custos de projeto, execução e manutenção a cargo da empresa selecionada. Por ora, não há estimativa financeira nem prazo para obras. Uma segunda fase, ainda vaga, conectaria a alameda Dino Bueno a um hub de inovação da Porto Seguro — empresa presente no bairro desde 1976, com sede, teatro, espaço cultural e histórico de investimentos na região.

A Porto Seguro apresentou à Prefeitura de São Paulo uma proposta de parceria para remodelar as calçadas e vias do bairro Campos Elíseos, região central da cidade localizada próximo ao que era conhecida como a antiga cracolândia. O projeto, batizado de "Reinvente Campos Elíseos", foi apresentado formalmente à gestão Ricardo Nunes em novembro de 2025 e busca transformar o espaço público através do alargamento de calçadas para pedestres, redução da velocidade do tráfego de veículos e criação de áreas de permanência e convivência.

A empresa possui vinte imóveis na região — distribuídos pela rua Guaianases e pelas alamedas Ribeiro da Silva, Barão de Piracicaba, Dino Bueno e Nothmann — e propõe intervir no entorno desses edifícios. O planejamento inicial prevê o nivelamento das calçadas e das vias na mesma altura com padronização dos pisos, alargamento de trechos para pedestres, adaptações para acessibilidade universal e instalação de novo mobiliário urbano, incluindo bancos de concreto, jardineiras e lixeiras. A proposta já recebeu pareceres favoráveis das análises iniciais da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, com indicações de ajustes, e será submetida à apreciação da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana em 7 de outubro.

Em paralelo, a Porto Seguro segue com o licenciamento de uma praça privada de uso público em terreno seu na esquina da avenida Rio Branco com a alameda Ribeiro da Silva, projeto apresentado em março. O espaço, atualmente sem uso permanente, terá 1.943 metros quadrados e conterá áreas de estar e food trucks. A empresa citou como referências projetos em Milão, Barcelona, Auckland e Santiago para fundamentar sua abordagem de requalificação urbana.

A justificativa apresentada à prefeitura argumenta que o projeto fará a requalificação de espaços, tornando-os mais acolhedores, seguros e apropriados para diversos usos, além de conferir nova identidade ao bairro — mais potente, diverso, inclusivo, atraente e influente, descrito como um "marco não monumental". A Porto Seguro também destacou que a mudança funcionará como forma de integração desses espaços com o futuro centro administrativo do governo do estado, no entorno do parque Princesa Isabel. O argumento central é transformar vias que atualmente privilegiam automóveis particulares em espaços mais apropriados aos diferentes públicos da cidade, estimulando a apropriação dos espaços públicos por pedestres.

A prefeitura enquadrou a iniciativa no programa Repensando Espaços Públicos, que já contou com outras intervenções similares, como o boulevard implantado pelo Sesc e Itaú Cultural na esquina da rua Leôncio de Carvalho com a avenida Paulista e a remodelação da alameda dos Guaiós no distrito Saúde. A gestão Nunes reforçou que a proposta será submetida a consulta pública virtual e audiência pública para receber contribuições que possam ser incluídas na formatação final. Também informou que haverá chamamento público aberto a interessados e que todos os custos de projetos, licenciamentos, execução e manutenção ficarão a cargo da empresa selecionada. Por enquanto, não há estimativa de custos nem data para o início das obras.

Uma segunda fase do projeto, ainda não detalhada, envolveria a oferta e concentração de usos gastronômico e corporativo na alameda Dino Bueno, conectando-se a um projeto de criação de hub de inovação pela Porto Seguro. A empresa está presente em Campos Elíseos desde 1976, com sede na avenida Rio Branco e rua Guaianases, além de outros prédios e terrenos espalhados pelo entorno, incluindo o Espaço Cultural e o Teatro Porto Seguro. Em 2018, o grupo investiu dois milhões de reais na reforma da então praça Princesa Isabel, com intervenções posteriores realizadas pelo município.

Procura tornar mais apropriadas aos diferentes públicos da cidade vias que atualmente dão preferência aos automóveis particulares, estimulando a apropriação dos espaços públicos por pedestres
— Porto Seguro, na justificativa apresentada à prefeitura
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