Em meio ao avanço das tecnologias de vigilância urbana, a Prefeitura de São Paulo optou por um caminho de cautela: as câmeras com inteligência artificial, já ativas nas rodovias que abraçam a metrópole, não serão estendidas às ruas da cidade. A decisão, anunciada pelo secretário de Mobilidade durante um fórum sobre o futuro do transporte, reconhece que nem toda inovação se adapta a todo ambiente — e que a densidade urbana tem suas próprias leis. Antes de qualquer expansão, a administração municipal prefere entender onde e como os acidentes acontecem, mantendo por ora a fiscalização humana como
Por que câmeras com IA não fiscalizam celular ao volante nas ruas de São Paulo
Menor eficácia em espaços fragmentados, maior volume de carros
Por que a Prefeitura descarta as câmeras com IA se elas já estão funcionando nas rodovias?
Porque o ambiente urbano é fundamentalmente diferente. Nas rodovias, você tem trechos longos e contínuos onde a câmera consegue acompanhar um veículo por quilômetros. Na cidade, as ruas são curtas, cheias de cruzamentos, e o volume de carros é muito maior. A tecnologia perde eficácia.
Mas "menor eficácia" é vago. Qual é o número real? Quanto cai o desempenho em ambiente urbano comparado com rodovia?
O secretário não forneceu números específicos. Ele apenas disse que não seria recomendado por enquanto.
Então a Prefeitura está esperando por quê, exatamente?
Eles querem entender primeiro como os acidentes acontecem em cada região de São Paulo. Não faz sentido instalar câmeras em um lugar sem saber qual é o padrão de sinistros ali.
Isso é prudente, mas também é indefinido. "Entender como funcionam os sinistros" pode levar anos. Há um cronograma?
Não há. Miranda deixou claro que é uma análise que precisa acontecer antes de qualquer decisão.
E quanto aos carros modernos que o secretário mencionou? Eles realmente resolvem o problema do celular ao volante?
Muitos têm central multimídia que permite parear o telefone, mas nem todo motorista usa. E nem todo carro na rua é moderno.
Exatamente. Ele está apontando para uma solução tecnológica que depende de adoção voluntária, enquanto a câmera seria obrigatória. São coisas diferentes.
El Pulso
- A tecnologia de IA já multa motoristas nas rodovias paulistas, flagrando uso de celular e ausência de cinto — mas a cidade permanece fora desse alcance por decisão deliberada da Prefeitura.
- O secretário de Mobilidade alertou que ambientes urbanos fragmentados e de alto volume de tráfego reduzem drasticamente a eficácia das câmeras inteligentes, tornando o investimento questionável.
- Mais de 2.300 multas foram aplicadas em apenas um mês na Raposo Tavares, revelando o poder da ferramenta nas rodovias — e, por contraste, o peso da escolha de não replicá-la na cidade.
- A fiscalização nas ruas de São Paulo segue nas mãos de agentes da CET e da Polícia Militar, enquanto a Prefeitura estuda a distribuição de sinistros por região antes de qualquer decisão futura.
- A Ecovias já planeja expandir o sistema para a Rodovia Castelo Branco, sinalizando que a tecnologia avança nas vias concessionadas mesmo enquanto a cidade observa à distância.
Em meio ao avanço das tecnologias de vigilância urbana, a Prefeitura de São Paulo optou por um caminho de cautela: as câmeras com inteligência artificial, já ativas nas rodovias que abraçam a metrópole, não serão estendidas às ruas da cidade. A decisão, anunciada pelo secretário de Mobilidade durante um fórum sobre o futuro do transporte, reconhece que nem toda inovação se adapta a todo ambiente — e que a densidade urbana tem suas próprias leis. Antes de qualquer expansão, a administração municipal prefere entender onde e como os acidentes acontecem, mantendo por ora a fiscalização humana como âncora da segurança viária.
As câmeras com inteligência artificial já operam nas rodovias que cortam São Paulo, registrando motoristas ao celular e sem cinto de segurança. Mas dentro da cidade, a Prefeitura decidiu não adotar essa tecnologia para fiscalizar infrações. O anúncio foi feito por Gilmar Miranda, secretário executivo de Mobilidade e Trânsito, no Summit Futuro da Mobilidade 2026.
Miranda justificou a decisão com um argumento técnico: as câmeras com IA funcionam melhor em trechos longos e contínuos, onde conseguem acompanhar veículos por distâncias maiores. Em ruas urbanas, fragmentadas e congestionadas, a eficácia cai. Segundo ele, a tecnologia é mais adequada para rodovias que conectam cidades como Campinas, Sorocaba e Santos. Antes de qualquer instalação na cidade, seria necessário estudar como os acidentes se distribuem por região — por ora, a fiscalização permanece com agentes da CET e da Polícia Militar.
Nas rodovias, os números já falam por si. Entre agosto e setembro, a concessionária Ecovias aplicou 2.316 multas na Raposo Tavares: 59,84% por falta de cinto — entre condutores e passageiros — e 40,16% por uso de celular ou fones de ouvido, infração classificada como gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH. Vale lembrar que as câmeras não multam sozinhas: a IA detecta a infração, mas um operador humano da Polícia Militar Rodoviária analisa e aprova cada registro antes da autuação.
A Ecovias já confirmou a expansão do sistema para a Rodovia Castelo Branco, sem data definida. Enquanto isso, a Prefeitura mantém sua posição: por enquanto, as ruas da cidade seguem outro ritmo.
As câmeras equipadas com inteligência artificial já estão funcionando nas rodovias que cortam São Paulo, flagrando motoristas ao celular e sem cinto de segurança. Mas dentro da cidade, onde o trânsito é mais denso e as ruas mais curtas, a Prefeitura não pretende usar essa mesma tecnologia para multar infratores. A decisão foi anunciada por Gilmar Miranda, secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito, durante o Summit Futuro da Mobilidade 2026, organizado por Autoesporte e Valor Econômico.
Miranda explicou que as câmeras com IA funcionam melhor em trechos longos e contínuos, onde conseguem acompanhar veículos por distâncias maiores. Em perímetros urbanos, onde o espaço é fragmentado e o volume de carros é intenso, a eficácia cai significativamente. "Nos trechos mais localizados, elas têm menor eficácia justamente por conta do tamanho do espaço e até do volume de veículos", afirmou o secretário. Ele ressaltou que a tecnologia é mais adequada para as rodovias que ligam cidades como Campinas, Sorocaba e Santos — os trajetos estruturantes que formam a megalópole.
Antes de instalar qualquer câmera de monitoramento com IA na cidade, a Prefeitura precisaria estudar como os acidentes ocorrem em cada região de São Paulo. Por enquanto, a fiscalização segue sendo feita por agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pela Polícia Militar. Miranda também mencionou que os automóveis modernos já possuem recursos para reduzir o risco de o motorista usar o celular enquanto dirige — como centrais multimídia que permitem parear o telefone ao veículo, mantendo as mãos livres.
Nas rodovias, porém, a tecnologia já está em operação. O trecho urbano da Rodovia Raposo Tavares, na chegada a São Paulo, e os trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas já contam com essas câmeras. É importante notar que as câmeras não multam sozinhas: a inteligência artificial detecta as infrações e envia os registros para uma central de monitoramento da Polícia Militar Rodoviária, onde um operador humano analisa e aprova antes da multa ser emitida.
Entre 3 de agosto e 3 de setembro, a concessionária Ecovias, responsável pela Raposo Tavares, aplicou 2.316 multas naquele trecho. A maioria — 1.386 ocorrências, ou 59,84% — foi por não usar cinto de segurança. Dessas, 779 eram condutores e 607 eram passageiros. Qualquer um que não esteja com o cinto recebe uma multa de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação. As outras 930 infrações, representando 40,16% do total, envolveram uso de celular ou fones de ouvido — 579 por manuseio do aparelho, 256 por mantê-lo em mãos e 94 por utilizá-lo efetivamente. Essa é uma infração gravíssima: multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH.
A Ecovias já confirmou que vai expandir a fiscalização com IA para a Rodovia Castelo Branco, no trecho urbano que dá acesso a São Paulo, mas ainda não há data para o início dessa operação. Enquanto isso, a Prefeitura mantém sua posição de que, por enquanto, a tecnologia não é a solução para as ruas da cidade.
Citas Notables
Nos trechos mais localizados, elas têm menor eficácia justamente por conta do tamanho do espaço e até do volume de veículos— Gilmar Miranda, secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito
Este tipo de fiscalização é mais eficaz nos trajetos estruturantes que compõem a megalópole — rodovias que interligam Campinas, Sorocaba e Santos— Gilmar Miranda