Suíça vota domingo sobre limite populacional de 10 milhões

A imigração descontrolada está fazendo com que a Suíça não seja mais a Suíça
Nils Fiechter, político local que apoia o limite populacional, resume o argumento central dos proponentes da medida.

No domingo, a Suíça enfrenta uma questão que nenhuma democracia moderna ousou responder com um voto: pode um país fixar um teto para sua própria população? O referendo sobre o limite de 10 milhões de habitantes revela uma tensão antiga entre o desejo de preservar um modo de vida e a consciência de que a prosperidade raramente se constrói em isolamento. Numa nação onde quase um em cada quatro residentes nasceu no exterior, a pergunta não é apenas sobre números — é sobre quem a Suíça acredita ser.

  • A população suíça cresceu 25% em duas décadas, e eleitores relatam trens lotados, aluguéis inacessíveis e serviços de saúde sob pressão — uma ansiedade concreta que alimenta o apelo da medida.
  • O governo, sindicatos e líderes empresariais alertam que aprovar o limite forçaria o fim do acordo de livre circulação com a UE, isolando a Suíça no momento geopolítico mais instável das últimas décadas.
  • Dentro do próprio parlamento cantonal de Berna, dois jovens políticos — um filho de mãe canadense a favor, uma filha de imigrantes turcos contra — encarnam a divisão que o país inteiro terá de resolver nas urnas.
  • Metade dos trabalhadores de hotéis suíços e grande parte dos profissionais de saúde são imigrantes; a comunidade empresarial avisa que um limite populacional esvaziaria setores inteiros da economia.
  • Com 52% contra e 45% a favor nas pesquisas mais recentes, o resultado permanece aberto — e pode redefinir tanto a política migratória quanto o lugar da Suíça na Europa.

No domingo, os suíços decidem se o país deve ter um teto fixo de 10 milhões de habitantes — uma pergunta sem precedente em qualquer democracia moderna. O Partido Popular Suíço apresenta a medida como uma "iniciativa de sustentabilidade", resposta ao crescimento populacional que levou o país de 7,3 para 9,1 milhões de pessoas desde 2002. O governo e a oposição a chamam de "iniciativa do caos".

As preocupações dos eleitores são tangíveis: habitação cara, transporte sobrecarregado, custos de saúde crescentes. Mas quem é responsável divide o país. Nils Fiechter, 29 anos, do Partido Popular Suíço, acredita que a imigração descontrolada fez a Suíça "deixar de ser a Suíça" — embora ele próprio tenha dupla cidadania por herança materna canadense. Helin Genis, 31 anos, social-democrata filha de imigrantes turcos, rejeita essa lógica: "Não são os migrantes que determinam os níveis de aluguel", diz ela. Para Genis, ver os problemas pelas lentes da migração "não leva a soluções, mas à divisão".

O mecanismo da proposta é o que mais assusta o mundo dos negócios. Se a população atingir 9,5 milhões — já próximo da realidade —, o governo seria obrigado a agir, possivelmente cortando asilo e reunificação familiar. Ao chegar a 10 milhões, a Suíça teria de rescindir acordos internacionais, incluindo a livre circulação com a União Europeia. Rudolf Minsch, da Economiesuisse, alerta para os danos às relações com o principal parceiro comercial do país. Metade dos trabalhadores de hotéis e grande parte dos profissionais de saúde são imigrantes — setores que seriam diretamente afetados.

O medo do isolamento paira sobre o debate. A Suíça já enfrenta tarifas americanas de 39% sobre seus produtos e busca cooperação em segurança com vizinhos europeus. Jon Pult, parlamentar social-democrata, diz temer que o país fique "sozinho neste mundo instável e perigoso". As pesquisas mostram 52% contra e 45% a favor, com muitos indecisos. A resposta de amanhã dirá se a Suíça acredita que pode proteger seu modo de vida fechando as portas — ou se reconhece que sua prosperidade sempre dependeu de permanecer aberta.

No domingo, os suíços irão às urnas para responder uma pergunta que nenhuma democracia moderna enfrentou com seriedade: é possível colocar um teto fixo no número de pessoas que vivem em um país? A votação de amanhã sobre um limite populacional de 10 milhões expõe uma divisão profunda sobre imigração em uma nação que sempre se viu como estável, próspera e acima das guerras políticas que afligem seus vizinhos.

O Partido Popular Suíço, de direita, apresenta a medida como uma "iniciativa de sustentabilidade" — uma forma de aliviar a pressão sobre habitação, transporte público, escolas e serviços de saúde. Mas o governo, sindicatos, líderes empresariais e partidos de oposição a chamam de "iniciativa do caos", argumentando que ela prejudicaria hospitais e hotéis de funcionários essenciais e isolaria a Suíça em um momento geopolítico perigoso. O sistema suíço de democracia direta torna isso possível: qualquer grupo que reúna 100 mil assinaturas pode forçar uma votação nacional sobre qualquer tema.

Os números explicam parte da ansiedade. A população suíça cresceu de 7,3 milhões em 2002 para 9,1 milhões hoje — um aumento de 25% em duas décadas. Quase um em cada quatro residentes nasceu no exterior. Muitos eleitores reclamam de trens superlotados, apartamentos cada vez mais caros e custos de saúde em alta. Essas preocupações são reais, mas a questão de quem é responsável por elas divide o país.

Nils Fiechter, um político local de 29 anos que representa o Partido Popular Suíço no parlamento do cantão de Berna, acredita que a resposta é simples: a imigração descontrolada. "Perdemos o controle", diz ele. "A imigração descontrolada está fazendo com que a Suíça não seja mais a Suíça." Ele aponta para escassez de moradias, trânsito congestionado, escolas sobrecarregadas e serviços sociais sob pressão como consequências diretas da chegada de imigrantes. Fiechter é filho de uma mãe canadense e tem dupla cidadania — um detalhe que ilustra a complexidade do debate.

Helin Genis, uma política social-democrata de 31 anos também eleita em Berna, rejeita essa lógica como bode expiatório. Seus pais vieram da Turquia. "Não são os migrantes que determinam os níveis de aluguel", diz ela à BBC. "Não são os migrantes que aumentam os prêmios de seguro saúde. Nem são os migrantes que tomam decisões políticas sobre habitação, infraestrutura ou investimento social." Para ela, ver os problemas "pelas lentes da migração não leva a soluções, mas à divisão".

O mecanismo prático do limite é vago o suficiente para assustar muita gente. A proposta ordena que o governo tome medidas quando a população atingir 9,5 milhões — o que já está próximo. Essas medidas poderiam incluir reduzir drasticamente o número de pessoas que recebem asilo e acabar com direitos de reunificação familiar para trabalhadores estrangeiros. Se o limite de 10 milhões fosse alcançado, a Suíça teria que rescindir acordos internacionais, incluindo o tratado de livre circulação de pessoas com a União Europeia. Nenhum outro país tentou algo assim, embora a China tenha experimentado com seu limite de filho único agora abandonado.

Essa perspectiva aterroriza a comunidade empresarial suíça. Rudolf Minsch, economista-chefe da Economiesuisse, avisa que a aprovação da medida poderia resultar em "desafios em nossas relações com a União Europeia". A UE há muito tempo deixa claro que países fora do bloco não podem simplesmente escolher as vantagens do mercado único enquanto rejeitam compromissos como a livre circulação. "A UE ainda é, de longe, o parceiro comercial mais importante para a Suíça", explica Minsch. Metade de todos os que trabalham nos hotéis suíços são imigrantes. Hospitais e casas de repouso também dependem de mão de obra estrangeira. Limitar a imigração significaria limpar esses setores.

O medo do isolamento é talvez o argumento mais poderoso contra a medida. Jon Pult, membro do parlamento pelos social-democratas, diz que seu maior medo é que a Suíça fique "sozinha neste mundo instável e perigoso". A Suíça está gastando mais em defesa, planejando cooperação em segurança mais próxima com vizinhos europeus, e já foi atingida por tarifas americanas de 39% sobre seus produtos — um acordo para reduzi-las para 15% ainda não foi finalizado. Fiechter descarta isso como alarmismo, dizendo estar "certo de que a UE não permitirá que isso aconteça". Mas para muitos eleitores, a perspectiva de isolamento pode ser decisiva.

As pesquisas mais recentes indicam uma votação extremamente acirrada. Cinquenta e dois por cento dizem que votarão contra a medida, mas 45% apoiam e um número significativo ainda está indeciso. A Suíça responderá amanhã se acredita que pode proteger seu modo de vida fechando as portas — ou se acredita que sua prosperidade depende de permanecer aberta.

Não são os migrantes que determinam os níveis de aluguel. Não são os migrantes que aumentam os prêmios de seguro saúde. Nem são os migrantes que tomam decisões políticas sobre habitação, infraestrutura ou investimento social.
— Helin Genis, política social-democrata de Berna
Se a moção for aprovada, a Suíça poderá enfrentar desafios em nossas relações com a União Europeia.
— Rudolf Minsch, economista-chefe da Economiesuisse
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a Suíça está votando sobre algo que nenhum outro país tentou?

Model

Porque o sistema suíço de democracia direta permite que qualquer grupo reúna 100 mil assinaturas e force uma votação nacional. Não há filtro de viabilidade. Se as pessoas estão assustadas com mudança, elas podem colocar a questão nas urnas.

Inventor

Mas as pessoas estão realmente assustadas com imigração, ou com algo mais?

Model

Ambas as coisas. Os apartamentos estão caros, os trens estão cheios, os serviços de saúde estão sob pressão. Tudo isso é verdade. A questão é se a imigração é a causa ou apenas um bode expiatório conveniente para problemas que têm raízes mais profundas — decisões políticas sobre habitação, investimento em infraestrutura, como financiar uma população envelhecida.

Inventor

E se a Suíça votar a favor? O que acontece?

Model

Tecnicamente, o governo teria que rescindir acordos com a União Europeia, incluindo o tratado de livre circulação. Mas a UE não permitiria isso sem consequências. A Suíça perderia acesso ao mercado único, seus produtos enfrentariam tarifas, e ela ficaria isolada em um momento em que a Europa está se unindo por razões de segurança.

Inventor

Então por que alguém votaria a favor?

Model

Porque acreditam que a Suíça mudou demais, muito rápido. A população cresceu 25% em duas décadas. Para algumas pessoas, isso não é sustentável — não importa o custo econômico de dizer não à Europa.

Inventor

Quem está mais dividido — os políticos ou os eleitores?

Model

Os eleitores. Os políticos, empresas e sindicatos estão quase todos contra. Mas os eleitores estão genuinamente divididos. As pesquisas mostram 52% contra, 45% a favor, e muita gente ainda indecisa. É uma votação que poderia ir para qualquer lado.

Inventor

E se passar?

Model

A Suíça teria que escolher entre seu modo de vida atual — que depende de trabalhadores imigrantes e de relações comerciais com a Europa — e uma visão de si mesma como um país que pode controlar seu próprio destino fechando as portas. Não há volta atrás fácil.

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