Em Xangai, diante de 1.400 jovens de 68 países, Portugal escreveu o melhor capítulo da sua história nos campeonatos mundiais das profissões — subindo do 13.º para o 4.º lugar no ranking internacional. O feito, conquistado por dez jovens em áreas que vão da soldadura à robótica, não é apenas desportivo: é um sinal de que a formação profissional portuguesa amadureceu e encontrou o seu lugar no mundo. Setenta e seis anos depois de ter ajudado a fundar o movimento WorldSkills em Madrid, Portugal regressa de Xangai com uma promessa renovada para as gerações que escolhem aprender com as mãos.
Ponte de Lima tem um dos melhores soldadores do mundo no WorldSkills
É o que levo para o resto da vida
Como é que Portugal conseguiu este resultado tão forte quando historicamente não tinha estado entre os melhores?
A resposta está na metodologia. Começaram a investir seriamente em planos de treino específicos para cada profissão, acompanhamento próximo dos formadores e até preparação psicológica. Não é acaso.
Mas espera — o ranking tem em conta a dimensão das seleções, certo? Portanto, o quarto lugar não é necessariamente comparável ao de países com delegações muito maiores.
Verdade. Mas mesmo assim, subir do 13.º para o 4.º é um salto significativo. E temos uma medalha de prata, que é rara.
O que é que torna a medalha de prata em robótica industrial tão surpreendente?
Os próprios concorrentes não esperavam. Tiveram problemas nos primeiros dias, ficaram desanimados, e depois conseguiram recuperar e ficar em segundo.
Mas sabemos porquê? O texto diz que tiveram "problemas" mas não especifica o quê. Pode ter sido um detalhe técnico ou algo maior.
Diogo Pinto mencionou que o nível dos asiáticos era muito alto, muito mecanizado. Talvez tenha sido uma questão de adaptação.
E Marco Malheiro, o soldador de Ponte de Lima — ele já era campeão europeu?
Sim, venceu o campeonato europeu no ano anterior. Portanto, era esperado que tivesse um bom desempenho em Xangai.
Mas o texto não diz se ganhou medalha de ouro, prata ou excelência. Diz apenas que foi "distinguido". Isso é vago.
Recebeu medalha de excelência, não medalha de prata. É um reconhecimento, mas não é o mesmo que estar no pódio.
E qual é a mensagem maior aqui para Portugal?
Que a formação profissional é um caminho valorizado e viável. Estes jovens estão a mostrar que não é preciso ir para a universidade para ter sucesso internacional.
El Pulso
- Uma medalha de prata em robótica industrial chegou como surpresa até para os próprios vencedores, que enfrentaram falhas técnicas nos primeiros dois dias de prova.
- Dez jovens portugueses competiram em sete áreas distintas, acumulando um total de resultados sem precedente na história do país nesta competição.
- Portugal saltou nove posições no ranking mundial, passando do 13.º para o 4.º lugar — uma ascensão que o coordenador nacional descreveu como 'uma grande responsabilidade'.
- Por detrás dos resultados está uma metodologia de preparação aperfeiçoada ao longo de vários campeonatos, com planos de treino individualizados e apoio psicológico.
- Os jovens regressam transformados: para alguns, Xangai foi a primeira grande prova de vida; para outros, a confirmação de que a tecnologia portuguesa pode competir com a asiática.
Em Xangai, diante de 1.400 jovens de 68 países, Portugal escreveu o melhor capítulo da sua história nos campeonatos mundiais das profissões — subindo do 13.º para o 4.º lugar no ranking internacional. O feito, conquistado por dez jovens em áreas que vão da soldadura à robótica, não é apenas desportivo: é um sinal de que a formação profissional portuguesa amadureceu e encontrou o seu lugar no mundo. Setenta e seis anos depois de ter ajudado a fundar o movimento WorldSkills em Madrid, Portugal regressa de Xangai com uma promessa renovada para as gerações que escolhem aprender com as mãos.
Marco Malheiro subiu ao palco do Mercedes-Benz Arena em Xangai para receber o reconhecimento pela sua perícia em soldadura — um momento que coroava uma trajetória que já o havia levado ao topo da Europa. O jovem de Ponte de Lima era apenas um dos dez membros de uma delegação portuguesa que regressava do WorldSkills com resultados inéditos na história do país.
A competição, realizada no distrito de Pudong junto ao rio Huangpu, reuniu cerca de 1.400 jovens de 68 países em disputa por 64 profissões. Durante quatro dias, os participantes testaram as suas competências perante júris internacionais, numa cerimónia de entrega de prémios que durou três horas e alternava subidas ao palco com espetáculos de música e dança com elementos da cultura chinesa.
Loris Sgroj e Diogo Pinto conquistaram medalha de prata em robótica industrial, surpreendendo até a si próprios após problemas técnicos nos primeiros dois dias. Pinto, campeão europeu na mesma área, destacou o nível impressionante dos concorrentes asiáticos, descrevendo-os como 'muito metódicos e mecanizados'. Outros cinco portugueses receberam medalhas de excelência em cabeleireiro, robótica móvel, maquinação CNC, controlo industrial e soldadura.
Diogo Botelho e Simão Alves, distinguidos com o 'Best of Nation' em mecatrónica industrial, confessaram surpresa com os resultados. Para Botelho, de 20 anos, a experiência foi transformadora: 'Nem dá para explicar o que é sentir um campeonato mundial. É o que levo para o resto da vida.' Alves, de 19 anos, ficou impressionado com a escala da automatização chinesa e partiu motivado a 'levar a tecnologia para Portugal'.
Portugal subiu do 13.º para o 4.º lugar no ranking internacional. Gustavo Seia, coordenador da WorldSkills Portugal, descreveu a participação como 'a melhor de Portugal em campeonatos mundiais das profissões' e atribuiu o desempenho a uma metodologia de preparação continuamente aperfeiçoada, com planos de treino individualizados e apoio psicológico. Para Seia, o resultado transmite uma mensagem clara: 'o caminho da formação profissional é muito valorizado e pode ser uma ótima solução' para os jovens portugueses.
Fundador do movimento WorldSkills ao lado de Espanha em 1950, Portugal é o único país presente em todas as edições da competição. Setenta e seis anos depois do primeiro campeonato em Madrid, a delegação regressa de Xangai com uma promessa renovada sobre o valor de aprender com as mãos.
Marco Malheiro subiu ao palco do Mercedes-Benz Arena em Xangai para receber o reconhecimento pela sua perícia em soldadura, consolidando uma trajetória que já o havia colocado no topo da Europa. O jovem de Ponte de Lima, que representava o CENFIN de Arcos de Valdevez, era apenas um dos dez membros da delegação portuguesa que regressava de um campeonato mundial com resultados sem precedentes na história do país.
A competição, realizada em Xangai no distrito de Pudong junto ao rio Huangpu, reuniu cerca de 1.400 jovens de 68 países e regiões em disputa por 64 profissões diferentes. Durante quatro dias, desde soldadura e cabeleireiro até robótica e automação, os participantes testaram as suas competências perante júris internacionais. A cerimónia de entrega de prémios, que se estendeu por três horas no recinto situado na zona da antiga Expo 2010, alternava a subida ao palco dos vencedores com espetáculos de música e dança marcados por elementos da cultura chinesa e efeitos de luz, enquanto as delegações agitavam bandeiras nas bancadas.
O desempenho português ultrapassou todas as expectativas anteriores. Loris Sgroj e Diogo Pinto conquistaram medalha de prata em robótica industrial, um resultado que surpreendeu até aos próprios concorrentes. Diogo Pinto, um jovem de 23 anos natural de Lousada no distrito do Porto e já campeão europeu na mesma área, explicou que problemas técnicos durante os primeiros dois dias de prova tinham reduzido as esperanças da dupla. "Não era definitivamente o resultado que estávamos à espera", confessou. Pinto destacou também o nível impressionante dos concorrentes asiáticos, descrevendo-os como "muito metódicos a trabalhar, muito mecanizados".
Além da medalha de prata, cinco participantes portugueses receberam medalhas de excelência: Leonor Silva em cabeleireiro, Duarte Serra e Daniel Silva em robótica móvel, Dmitry Zhivitsa em maquinação CNC, Nelson Ribeiro em controlo industrial e Marco Malheiro em soldadura. Diogo Botelho e Simão Alves, que competiram em mecatrónica industrial, foram distinguidos com a distinção "Best of Nation", atribuída ao melhor desempenho entre os participantes portugueses. Botelho, um jovem de 20 anos de Torres Vedras que ainda estuda e pretende prosseguir para engenharia de automação e controlo, admitiu surpresa com o resultado: "Não estava à espera, porque durante as provas não tinha corrido muito bem". Para ele, a experiência foi transformadora. "Nem dá para explicar o que é sentir um campeonato mundial. É o que levo para o resto da vida", afirmou.
O seu colega Simão Alves, de 19 anos, atribuiu o sucesso à preparação intensiva ao longo de cerca de três anos para uma prova que reuniu 32 equipas. A passagem por Xangai deixou-lhe também uma impressão profunda da escala e do grau de automatização da China. "Aqui é tudo em grande", observou. "E é tudo automatizado também, até as mais simples coisas". A experiência motivou-o a tentar "levar a tecnologia para Portugal".
No plano geral, Portugal ascendeu do 13.º lugar alcançado no último Mundial em Lyon, França, para o quarto lugar no ranking internacional de desempenho das equipas. Gustavo Seia, coordenador da WorldSkills Portugal integrada no Instituto do Emprego e Formação Profissional, descreveu a participação como "a melhor de Portugal em campeonatos mundiais das profissões". "Fizemos o pleno", afirmou à agência Lusa. Seia reconheceu que este resultado representa "uma grande responsabilidade, porque a partir daqui é mais difícil subir, mas quer dizer também que temos feito um bom trabalho".
O coordenador atribuiu o desempenho a uma metodologia de preparação continuamente aperfeiçoada de campeonato para campeonato. Destacou os planos de treino desenvolvidos para cada profissão, o acompanhamento próximo dos concorrentes pelas entidades de formação e orientadores, e a preparação psicológica para lidar com a pressão da competição. "Em cada campeonato vamos melhorando", afirmou. Para Seia, o resultado reflete o investimento em formação profissional e transmite uma mensagem clara aos jovens portugueses: "o caminho da formação profissional é muito valorizado e pode ser uma ótima solução para a sua vida profissional".
Portugal é, em conjunto com Espanha, membro fundador da organização WorldSkills e o único país que participou em todas as edições da competição. Em 1950, 12 jovens portugueses e 12 espanhóis participaram em Madrid no primeiro Campeonato Internacional das Profissões, iniciativa que esteve na origem do atual movimento. Setenta e seis anos depois, a delegação portuguesa regressava de Xangai com uma mensagem renovada sobre o valor da formação profissional no país.
Citas Notables
Fizemos o pleno. Foi a melhor participação de Portugal em campeonatos mundiais das profissões— Gustavo Seia, coordenador da WorldSkills Portugal
Nem dá para explicar o que é sentir um campeonato mundial. É o que levo para o resto da vida— Diogo Botelho, participante em mecatrónica industrial