Na manhã de 1º de novembro de 2022, após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro, apoiadores seus bloquearam dezenas de rodovias pelo Brasil, interrompendo o fluxo de pessoas e mercadorias. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, assinou decisão autorizando as polícias militares estaduais a agir — lembrando ao país que a ordem pública, em democracias, não pode ser reféns de recusas individuais ao resultado das urnas. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, entre bombas de gás e negociações, o Estado foi retomando, palmo a palmo, o espaço comum que pertence a todos.
Polícias estaduais iniciam desobstrução de rodovias após ordem do STF
Bombas de gás lacrimogêneo dispersaram o grupo quando a negociação falhou
Por que o ministro Moraes precisou intervir? As polícias estaduais não tinham autoridade para agir sozinhas?
Tecnicamente tinham, mas havia dúvida sobre a extensão dessa autoridade em rodovias federais. A decisão do STF deixou claro que elas podiam atuar em qualquer via, federal ou não, sem depender de coordenação prévia com a PRF.
Mas a PRF já estava lá desde o início. O que mudou realmente foi a permissão para usar força?
Sim. Antes, havia hesitação. Depois da decisão, a Brigada Militar usou gás lacrimogêneo na BR-116. Ficou mais direto.
E funcionou? Os bloqueios acabaram?
Parcialmente. No Rio Grande do Sul caíram de 42 para 17 em um dia. Em Santa Catarina, 14 pontos foram desmobilizados. Mas em alguns lugares os manifestantes voltavam.
Espera — voltavam? Então não era desobstrução permanente?
Não. Fiamoncini da PRF disse que em alguns pontos, quando saíam, os manifestantes fechavam de novo. Era um ciclo.
E a multa de dez mil reais em Santa Catarina, ajudou?
Segundo a PRF, sim. Convenceu alguns a se retirarem. Mas não foi universal.
Há números sobre quantas pessoas foram atingidas pelo gás? Ou feridos?
A reportagem não menciona isso. Só que a tropa de choque usou bombas de gás lacrimogêneo na BR-116.
E a população? Como reagiu?
Com medo. Houve corrida aos postos de gasolina em Porto Alegre. Alguns já não tinham combustível ou limitavam a quantidade.
Der Puls
- Dezenas de rodovias bloqueadas por manifestantes bolsonaristas ameaçavam o abastecimento de combustíveis e alimentos em estados do Sul do Brasil.
- Em Porto Alegre, o medo de desabastecimento já havia provocado corrida aos postos de gasolina, com alguns estabelecimentos racionando ou esgotando o estoque.
- A Brigada Militar usou gás lacrimogêneo na BR-116, perto de Novo Hamburgo, para dispersar manifestantes que resistiram às negociações da Polícia Rodoviária Federal.
- Em Santa Catarina, uma decisão judicial noturna impôs multa de R$ 10 mil por manifestante, acelerando a desmobilização de 14 pontos de bloqueio desde a noite de segunda-feira.
- O bloqueio mais crítico, em Palhoça, na Grande Florianópolis, estava previsto para ser liberado ainda na manhã de terça-feira, mas a tensão entre negociação e confronto persistia nas operações.
Na manhã de 1º de novembro de 2022, após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro, apoiadores seus bloquearam dezenas de rodovias pelo Brasil, interrompendo o fluxo de pessoas e mercadorias. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, assinou decisão autorizando as polícias militares estaduais a agir — lembrando ao país que a ordem pública, em democracias, não pode ser reféns de recusas individuais ao resultado das urnas. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, entre bombas de gás e negociações, o Estado foi retomando, palmo a palmo, o espaço comum que pertence a todos.
Na manhã de 1º de novembro, as polícias militares estaduais receberam luz verde do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para desobstruir as rodovias tomadas por manifestantes bolsonaristas inconformados com o resultado das eleições. A decisão foi imediatamente colocada em prática no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
No Rio Grande do Sul, o número de rodovias bloqueadas havia caído de 42, na segunda-feira, para 17 na manhã de terça — mas a tensão permanecia. Na BR-116, próximo a Novo Hamburgo, a negociação falhou e a tropa de choque da Brigada Militar precisou usar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Em outros pontos, a desobstrução foi mais pacífica. Enquanto isso, em Porto Alegre, filas se formavam nos postos de gasolina: o medo do desabastecimento já era real, com alguns estabelecimentos limitando ou encerrando as vendas de combustível.
Em Santa Catarina, a resposta foi ainda mais célere. Na madrugada, a juíza Luciana Pelisser Gottardi Trentini autorizou o uso das forças de segurança para liberar as rodovias estaduais, estabelecendo multa de R$ 10 mil para cada manifestante que descumprisse a ordem. A medida, solicitada pela Procuradoria-Geral do Estado, surtiu efeito: 14 pontos de bloqueio foram desmobilizados. O chefe de comunicação da PRF catarinense reconheceu que a multa ajudava a convencer os participantes a se retirar, embora alguns voltassem a fechar as estradas logo depois. O bloqueio em Palhoça, um dos mais críticos, era esperado para ser liberado ainda pela manhã.
Na terça-feira, 1º de novembro, as polícias militares estaduais receberam autorização para agir. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, havia assinado uma decisão permitindo que as corporações estaduais desobstruíssem as rodovias bloqueadas por manifestantes bolsonaristas — uma ação que começou imediatamente em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
No Rio Grande do Sul, a situação era crítica. Na segunda-feira, 42 rodovias estavam obstruídas. Quando a decisão de Moraes chegou, o número havia caído para 17, mas a manhã ainda era tensa. Na BR-116 próximo a Novo Hamburgo, na zona metropolitana de Porto Alegre, a Polícia Rodoviária Federal havia tentado negociar com os manifestantes. Quando a resistência se manteve, a tropa de choque da Brigada Militar entrou em ação, disparando bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo. Às dez da manhã, policiais escoltavam as laterais da rodovia para impedir novos bloqueios, embora o trecho ainda apresentasse lentidão por causa dos detritos deixados pelos manifestantes. Em muitos outros pontos, a desobstrução acontecia de forma mais pacífica, com negociações entre a PRF e os manifestantes que concordavam em liberar as estradas. O governo do Rio Grande do Sul havia instalado um gabinete de crise na noite anterior para coordenar a resposta.
O impacto na população já era visível. Em Porto Alegre, o medo de desabastecimento e de alta nos preços dos combustíveis havia provocado uma corrida aos postos de gasolina desde segunda-feira. Alguns estabelecimentos já não tinham combustível disponível ou estavam limitando a quantidade vendida por abastecimento.
Em Santa Catarina, a ação foi ainda mais rápida. Na madrugada de terça-feira, a juíza Luciana Pelisser Gottardi Trentini, do plantão judiciário, havia publicado uma decisão autorizando o uso das forças de segurança para desbloquear as rodovias estaduais. O documento estabelecia uma multa de dez mil reais para cada manifestante que descumprisse a ordem e autorizava o poder público a adotar todas as medidas necessárias para garantir a segurança de pedestres, motoristas, passageiros e dos próprios participantes do movimento, inclusive com o emprego da força. A decisão havia sido solicitada pela Procuradoria-Geral do Estado ainda na noite de segunda-feira.
A estratégia funcionou. Desde que as primeiras ordens de desbloqueio foram expedidas, na noite de segunda-feira, a PRF de Santa Catarina havia desmobilizado 14 pontos de manifestação. Adriano Fiamoncini, chefe de comunicação da PRF catarinense, explicou que a multa estava ajudando a convencer os participantes a se retirarem, embora em alguns locais os manifestantes voltassem e fechassem as rodovias novamente, exigindo que a polícia retornasse. Um dos bloqueios mais críticos, localizado em Palhoça na Grande Florianópolis, era esperado ser liberado ainda na manhã de terça-feira.
A decisão de Moraes havia sido clara em sua fundamentação: as polícias militares dos estados possuem plenas atribuições constitucionais e legais para atuar contra esses ilícitos, independentemente do local onde ocorram — seja em espaços públicos ou em rodovias federais, estaduais ou municipais. Com essa autorização, o processo de desobstrução acelerou, embora a tensão entre negociação e confronto permanecesse presente nas operações.
Bemerkenswerte Zitate
As polícias militares dos estados possuem plenas atribuições constitucionais e legais para atuar em face desses ilícitos, independentemente do lugar em que ocorram— Ministro Alexandre de Moraes, STF
Esta multa pecuniária está ajudando a convencer os participantes a se desmobilizar. Em alguns pontos, quando saímos, os manifestantes voltam e fecham de novo— Adriano Fiamoncini, chefe de comunicação da PRF de Santa Catarina