Flavio Leandro Cáceres Quintana e Charles Daniel Almada Gauto foram presos em Salto del Guairá, cidade na fronteira entre Paraguai e Mato Grosso do Sul. Os ladrões removeram equipamentos de rastreamento da maioria das caixas, mas peritos conseguiram rastrear sinais que levaram a locais de transferência de mercadorias.
Polícia paraguaia prende dois suspeitos de roubo milionário de celulares
Deixar alguns sinais ativos foram esses segundos que os entregaram
Por que um roubo no Paraguai importa tanto para quem está em Mato Grosso do Sul?
Porque Salto del Guairá fica a 15 quilômetros da fronteira. Quando algo é roubado lá, o destino quase sempre é o Brasil. A mercadoria desaparece em horas.
Os ladrões sabiam que havia GPS nas caixas?
Sabiam. Removeram os rastreadores da maioria delas. Mas deixaram alguns ligados — talvez por pressa, talvez por erro. Foram esses segundos de sinal que os entregaram.
E a carga? Recuperaram os celulares?
Não. Oito caixas de smartphones de última geração simplesmente desapareceram. Isso sugere que havia alguém esperando do outro lado, pronto para receber e distribuir.
Dois homens presos, mas a rede continua?
Exatamente. Flavio era o executor, Charles cuidava da logística. Mas quem recebeu a mercadoria no Brasil? Quem a distribuiu? Essas perguntas ainda estão em aberto.
Por que Salto del Guairá é tão importante para o crime?
É o segundo maior centro comercial da fronteira. Tem infraestrutura, tem movimento, tem gente passando o tempo todo. É fácil desaparecer ali.
Le Pouls
- Carga avaliada em R$ 2,5 milhões (500 mil dólares) roubada em 16 de agosto
- Flavio Leandro Cáceres Quintana, 30 anos, e Charles Daniel Almada Gauto, 29 anos, presos em Salto del Guairá
- Rastreador GPS em caixas levou polícia a ponto de transferência em San Blas, 33 km de distância
- Carga de 8 caixas com smartphones de última geração não foi recuperada
Flavio Leandro Cáceres Quintana e Charles Daniel Almada Gauto foram presos em Salto del Guairá, cidade na fronteira entre Paraguai e Mato Grosso do Sul. Os ladrões removeram equipamentos de rastreamento da maioria das caixas, mas peritos conseguiram rastrear sinais que levaram a locais de transferência de mercadorias.
Dois homens foram presos no Paraguai após roubarem carga de celulares avaliada em R$ 2,5 milhões. Sistema de GPS nas caixas foi determinante para a identificação e prisão dos suspeitos.
Na madrugada de domingo, 16 de agosto, uma carga de celulares desapareceu de um depósito em Salto del Guairá, no Paraguai. Oito caixas repletas de smartphones de última geração — avaliadas em meio milhão de dólares, ou aproximadamente 2,5 milhões de reais — saíram da transportadora no Bairro San Miguel e nunca chegaram ao destino. O que os ladrões não sabiam, ou talvez soubessem e subestimassem, era que cada caixa carregava um rastreador GPS.
A Polícia Nacional paraguaia usou esse detalhe técnico como fio condutor. Enquanto os suspeitos removeram os equipamentos de rastreamento da maioria das caixas, alguns sinais permaneceram ativos o suficiente para revelar o padrão do roubo. Os peritos seguiram esses rastros até o Bairro San Blas, em La Paloma Del Espíritu Santo, a 33 quilômetros de Salto del Guairá — um ponto de transferência onde as mercadorias foram colocadas em outros veículos para atravessar a fronteira rumo ao Brasil.
Flavio Leandro Cáceres Quintana, 30 anos, foi identificado como um dos autores materiais do crime. Documentos e placas de veículos encontrados no endereço em San Blas o ligavam diretamente à operação. Quando os investigadores o localizaram nos arredores de Salto del Guairá, ele foi preso. Pouco depois, um Voyage preto com placa brasileira — um dos carros usados na ação — foi encontrado queimado e abandonado em uma estrada de terra na zona rural.
A prisão de Flavio abriu caminho para a segunda captura. Charles Daniel Almada Gauto, 29 anos, foi identificado nas imagens das câmeras de segurança do depósito. Ele teria sido responsável pela logística do bando, coordenando a movimentação das caixas e o escoamento da carga. Gauto foi preso na mesma cidade onde o roubo ocorreu.
Salto del Guairá, localizada a apenas 15 quilômetros de Mundo Novo, em Mato Grosso do Sul, é a segunda maior cidade comercial da linha internacional entre os dois países, perdendo apenas para Pedro Juan Caballero. É exatamente esse tipo de localização que a torna um ponto estratégico para operações de contrabando e roubo transfronteiriço. A proximidade com o Brasil, a infraestrutura comercial e a porosidade da fronteira criam as condições perfeitas para que mercadorias roubadas desapareçam rapidamente.
Apesar das prisões, a carga de celulares não foi recuperada. Os investigadores paraguaios não divulgaram quantos aparelhos estavam nas oito caixas, apenas que eram dispositivos de última geração — o tipo de produto que encontra mercado rápido em redes de revenda ilegal. O fato de a mercadoria ter desaparecido sugere que a operação envolvia mais do que dois homens: havia uma rede logística pronta para receber, armazenar e distribuir os produtos roubados assim que cruzassem a fronteira.
O rastreamento por GPS, ferramenta de segurança cada vez mais comum em cargas de alto valor, provou ser decisivo. Mas também revelou algo mais amplo: a sofisticação crescente das operações criminosas na região. Os ladrões sabiam que o sistema existia e tentaram neutralizá-lo. Que conseguissem remover a maioria dos rastreadores mostra que tinham conhecimento técnico e acesso a informações sobre como as cargas eram protegidas. Apenas a incompletude de sua ação — deixar alguns sinais ativos — permitiu que a polícia os alcançasse.
Citations marquantes
Os investigadores chegaram aos suspeitos através do sistema de rastreamento por GPS instalado nas caixas— Polícia Nacional do Paraguai