Polícia investiga 'ranking' sexual com fotos de alunas de universidade em SP

Alunas universitárias tiveram suas imagens expostas sem consentimento e foram submetidas a assédio sexual e objetificação em ranking depreciativo.
Fotos extraídas sem permissão, avaliadas com termos sexuais em grupo privado
Como um ranking de alunas universitárias se tornou um caso criminal em Presidente Prudente.
Mark

Como é que fotos de pessoas acabam em um grupo de mensagens privado sem que elas saibam?

Mimi

Alguém as tirou de redes sociais públicas ou semi-públicas — Instagram, Facebook, perfis que talvez tivessem privacidade limitada. Depois as compartilhou em um grupo fechado de aplicativo de mensagens, onde havia outras pessoas dispostas a participar dessa avaliação.

Mark

E as pessoas que fizeram isso sabiam que era errado?

Mimi

Os comentários sugerem que sim. Um deles disse "Tirei as lésbicas e as gordas", como se estivesse fazendo uma seleção. Outro discordou de algumas escolhas. Havia uma lógica ali, uma intenção de classificar e julgar. Não parecia acidental.

Mark

Por que isso virou um caso de polícia?

Mimi

Porque é assédio sexual. As mulheres não consentiram com a circulação das fotos, não consentiram com os comentários, não consentiram em ser avaliadas dessa forma. Quando você tira a imagem de alguém sem permissão e a usa para objetificá-la sexualmente, você está cometendo um crime.

Mark

A universidade pode fazer algo além do que a polícia faz?

Mimi

Pode. A Unoeste abriu uma apuração interna para identificar quem fez isso e aplicar punições disciplinares — suspensão, expulsão, dependendo do que encontrar. A polícia investiga o crime; a universidade investiga a violação de suas próprias regras.

Mark

E as mulheres que tiveram as fotos compartilhadas? O que acontece com elas?

Mimi

A universidade disse que está as acolhendo, mas o dano já está feito. Suas imagens estão em circulação. Elas sabem que foram alvo disso. Isso não desaparece só porque a polícia faz uma investigação.

  • Fotos de alunas foram coletadas de redes sociais sem permissão e usadas para montar um ranking sexual em grupo privado de mensagens, com comentários que as reduziam a objetos de avaliação.
  • A circulação do conteúdo provocou um protesto noturno em frente ao Campus II da Unoeste, reunindo estudantes e ativistas que exigiram responsabilização pública.
  • O caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher na sexta-feira, 21 de agosto, dando início a uma investigação formal ainda em estágio inicial, sem indiciados até o momento.
  • A universidade emitiu nota de repúdio, abriu apuração interna e pediu que o conteúdo não fosse redistribuído — mas o dano às vítimas já estava em curso.
  • O coletivo 'A Frente pela Vida das Mulheres' conectou o episódio a ideologias misóginas estruturadas, alertando que se trata de um padrão, não de um incidente isolado.

Em Presidente Prudente, o que circulava em silêncio num grupo fechado de mensagens tornou-se, em poucos dias, um caso criminal e um protesto coletivo: estudantes universitárias tiveram suas imagens retiradas de redes sociais sem consentimento e submetidas a um ranking sexual depreciativo, organizado por homens que as avaliavam com termos obscenos. A Polícia Civil abriu investigação formal, e a Universidade do Oeste Paulista iniciou apuração interna, enquanto ativistas nomearam o episódio pelo que entendem ser sua raiz mais profunda — não um desvio individual, mas uma expressão organizada de misoginia. O caso coloca em evidência uma tensão antiga: a distância entre a presença pública das mulheres no espaço digital e a proteção real de sua dignidade nesse mesmo espaço.

Na noite de quinta-feira, estudantes e ativistas se reuniram em frente ao Campus II da Universidade do Oeste Paulista, em Presidente Prudente, para protestar contra um ranking que classificava alunas da instituição com termos sexuais e depreciativos. As fotos das mulheres haviam sido extraídas de redes sociais sem autorização e compartilhadas em um grupo fechado de mensagens, onde participantes as avaliavam com palavras como "deliciosíssima" e "comível". Um dos integrantes escreveu que havia excluído do ranking "as lésbicas e as gordas".

O caso chegou à Delegacia de Defesa da Mulher na sexta-feira, 21 de agosto. A polícia abriu investigação formal, colhendo depoimentos e preservando o conteúdo digital como prova. Nenhum suspeito havia sido indiciado até aquele momento. A Unoeste divulgou nota repudiando o ocorrido, anunciou apuração interna prioritária para identificar os autores e pediu que o material não fosse redistribuído, de modo a não ampliar o dano às vítimas.

O coletivo "A Frente pela Vida das Mulheres" enquadrou o episódio como misoginia estruturada, associando-o a ideologias que reduzem corpos femininos a objetos de transação. Para os ativistas, não se tratava de um deslize isolado, mas de uma manifestação de um padrão mais amplo de desprezo organizado. As estudantes afetadas permaneciam em posição vulnerável: suas imagens continuavam em circulação, seus rostos associados a comentários obscenos. O desfecho do caso dependeria do avanço da investigação e das responsabilidades que seriam atribuídas aos autores.

Na quinta-feira à noite, estudantes e ativistas se reuniram em frente ao Campus II da Universidade do Oeste Paulista, em Presidente Prudente, para protestar contra algo que havia circulado nos últimos dias: um ranking que classificava alunas da instituição usando termos sexuais e depreciativos. As fotos das mulheres haviam sido extraídas de redes sociais sem permissão e compartilhadas em um grupo fechado de mensagens, onde dezenas de homens as avaliavam com palavras como "deliciosíssima", "comível" e "arrebentaria". Um dos participantes escreveu: "Tirei as lésbicas e as gordas". Outro respondeu: "Tem umas aí que eu discordo".

O caso chegou à Delegacia de Defesa da Mulher na sexta-feira, 21 de agosto. A polícia abriu uma investigação formal, ainda em estágio inicial, colhendo depoimentos e preservando o conteúdo digital do grupo de mensagens como prova. Até aquele momento, ninguém havia sido indiciado. O que começou como um exercício privado de objetificação havia se tornado um caso criminal, e a universidade se viu obrigada a responder publicamente.

A Universidade do Oeste Paulista divulgou uma nota oficial repudiando o ocorrido e anunciando uma apuração interna prioritária para identificar os autores e aplicar punições disciplinares conforme seu regimento. A instituição afirmou estar acolhendo as estudantes envolvidas e pediu que o conteúdo não fosse compartilhado para evitar ampliar o dano às vítimas. Mas o dano já havia sido feito: mulheres que frequentavam a universidade, que usavam redes sociais como qualquer outra pessoa, tiveram suas imagens capturadas, redistribuídas e submetidas a uma avaliação sexual organizada.

O coletivo "A Frente pela Vida das Mulheres" enquadrou o episódio como um ato de misoginia estruturada, conectando-o a ideologias como a "red pill" e ao conceito de "Valor Sexual de Mercado", que reduz corpos femininos a objetos de transação. Não se tratava, na visão dos ativistas, de um deslize isolado de alguns homens, mas de uma manifestação de um padrão mais amplo de desprezo organizado.

A investigação prosseguia em seus primeiros passos quando a notícia se tornou pública. A polícia civil continuava recolhendo depoimentos e documentando as provas digitais. A universidade prosseguia com sua apuração interna. As estudantes afetadas permaneciam em uma posição vulnerável: suas imagens estavam em circulação, seus nomes e rostos associados a um ranking que as havia reduzido a classificações numéricas e comentários obscenos. O que viria a seguir dependeria de como a investigação avançaria e de quais responsabilidades seriam atribuídas aos autores.

A Unoeste repudia qualquer forma de exposição, assédio, constrangimento ou desrespeito à dignidade
— Universidade do Oeste Paulista, em nota oficial
Tirei as lésbicas e as gordas
— Participante do grupo de mensagens
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei G1 ↗
Kontakt FAQ