A uma semana das eleições mais abrangentes do Brasil, oito candidatos a cargos legislativos carregam consigo o peso de investigações criminosas que vão do narcotráfico ao homicídio. A Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro temem que o acesso a territórios dominados por facções e a recursos ilícitos confira a esses candidatos uma vantagem que a democracia não deveria tolerar. Sete deles permanecerão nas cédulas no dia 2 de outubro, enquanto as instituições tentam, ainda que a contrarrelógio, defender a integridade do processo eleitoral.
Polícia brasileira investiga 8 candidatos supostamente ligados ao crime organizado
Acesso direto a territórios controlados por facções criminosas
Como é que a Polícia Federal consegue investigar estes candidatos enquanto eles concorrem às eleições? Não há um conflito de timing aqui?
Sim, há. As investigações estão em curso, mas as eleições não esperam. A maioria destes candidatos continua elegível enquanto os processos correm nos tribunais. É uma lacuna real no sistema.
Mas precisamos ser claros: o que sabemos é que estão sob investigação. Investigação não é condenação. Quantos destes oito foram já condenados em primeira instância?
Alguns têm antecedentes. Sérgio Roberto Egger de Moura foi preso em 2009 e 2011. Tiego Raimundo foi preso. Mas tens razão — investigação é diferente de condenação.
E quanto ao acesso que a Polícia Federal diz que eles têm? Como é que isso funciona na prática durante uma campanha?
A suspeita é que eles podem fazer campanha livremente em áreas controladas por facções, algo que candidatos normais não conseguem fazer. Têm também recursos financeiros que vêm de atividades criminosas.
Mas isso é especulação sobre vantagem. O que é concreto é que alguns deles têm ligações documentadas — advogados de traficantes, irmãos de narcotraficantes, pessoas presas. Essas ligações são factuais.
E Vandro Lopes Gonçalves? Por que é que ele é diferente dos outros?
Porque a sua candidatura foi formalmente contestada e está impedida enquanto aguarda uma decisão da Justiça Federal. Os outros sete conseguem concorrer.
Mesmo assim, a maioria deles está a ser investigada por crimes graves — homicídio, tráfico, organização criminosa. O sistema está a permitir que pessoas com estas acusações concorram a cargos públicos.
Isso não deveria desqualificá-los automaticamente?
Teoricamente, deveria haver mecanismos para isso. Mas o sistema brasileiro parece ter lacunas. Vandro conseguiu ser impedido, mas os outros não.
E é importante notar: não sabemos o resultado destas investigações. Podem levar anos. As eleições são em dias.
Il Polso
- Oito candidatos às eleições de 2 de outubro estão sob investigação por crimes que incluem tráfico de armas, homicídio e liderança de organizações criminosas.
- Autoridades temem que o controlo de territórios por facções e o dinheiro ilícito funcionem como combustível eleitoral invisível, distorcendo a competição democrática.
- Entre os investigados estão um irmão de narcotraficante que faz campanha nas comunidades controladas pela facção, uma advogada suspeita de comprar armas no Paraguai e um ex-secretário de Polícia preso em setembro.
- Apenas um dos oito está impedido de concorrer — o ex-sargento Vandro Lopes Gonçalves, suspeito de ter ordenado o assassínio de um vereador substituto, aguarda decisão judicial sobre recurso.
- Os outros sete permanecem elegíveis, expondo a fragilidade dos mecanismos legais para barrar o crime organizado das estruturas de poder antes que seja tarde demais.
A uma semana das eleições mais abrangentes do Brasil, oito candidatos a cargos legislativos carregam consigo o peso de investigações criminosas que vão do narcotráfico ao homicídio. A Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro temem que o acesso a territórios dominados por facções e a recursos ilícitos confira a esses candidatos uma vantagem que a democracia não deveria tolerar. Sete deles permanecerão nas cédulas no dia 2 de outubro, enquanto as instituições tentam, ainda que a contrarrelógio, defender a integridade do processo eleitoral.
A uma semana das eleições legislativas brasileiras, a Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro deparam-se com um problema que expõe fissuras profundas no sistema político do país: oito candidatos estão sob investigação por ligações ao crime organizado, e as autoridades temem que essas conexões lhes garantam vantagens eleitorais ilegítimas — acesso a territórios controlados por facções e poder económico derivado de atividades ilícitas.
Entre os nomes investigados, Tiego Raimundo dos Santos Silva, do MDB, foi preso por integrar uma quadrilha de traficantes e enfrenta acusações de tráfico de armas, roubo e corrupção. Cristiano Santos Hermógenes, do Partido Liberal, é irmão do narcotraficante Marcinho VP, que teria autorizado a campanha nas comunidades sob seu controlo. Flávia Pinheiro Fróes, do União Brasil, foi advogada de figuras proeminentes do tráfico e é suspeita de ter organizado a compra de mais de cinquenta espingardas no Paraguai, posteriormente usadas em operações criminosas no Rio.
Os outros cinco candidatos apresentam históricos igualmente graves. Sérgio Porto e Sérgio Roberto Egger de Moura enfrentam acusações de liderança de grupos armados; Egger de Moura, preso em 2009 e 2011, é acusado de ter planeado o assassínio de polícias, promotores, juízes e testemunhas. Ricardo Abrao e o ex-secretário de Polícia Civil Allan Turnowski, preso em setembro, são investigados pela ligação ao jogo do bicho. O oitavo, Vandro Lopes Gonçalves, ex-sargento da Polícia Militar, é o único impedido de concorrer — a sua candidatura foi contestada após denúncias de que libertou presos e ordenou o assassínio de um vereador substituto, aguardando decisão judicial.
Nas eleições de 2 de outubro estão em jogo a presidência, os governos dos 27 estados, a Câmara dos Deputados, parte do Senado e as assembleias estaduais. A presença de sete destes candidatos nas cédulas, apesar das investigações em curso, levanta questões fundamentais sobre a capacidade das instituições brasileiras de impedir que o crime organizado se instale no coração do poder democrático.
A uma semana das eleições legislativas brasileiras, a Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro enfrentam um problema que expõe as fraturas profundas do sistema político do país: oito candidatos aos cargos legislativos estão sob investigação por ligações com crime organizado, e as autoridades temem que essas conexões criminosas lhes concedam vantagens eleitorais indevidas.
O cenário é perturbador. Os investigadores suspeitam que estes candidatos chegam à corrida eleitoral com recursos que seus concorrentes não possuem — acesso direto a territórios controlados por facções criminosas e poder económico derivado de atividades ilícitas. Quando as eleições de 2 de outubro chegarem, estes oito nomes estarão nas cédulas, alguns deles enfrentando acusações que vão desde participação em quadrilhas até homicídio.
Entre os candidatos a deputado federal está Tiego Raimundo dos Santos Silva, do Movimento Democrático Brasileiro, preso por integrar uma quadrilha de traficantes, branqueamento de capitais e organização criminosa. As acusações contra ele incluem tráfico ilegal de armas, roubo de carros e corrupção. Cristiano Santos Hermógenes, do Partido Liberal, é irmão de um narcotraficante conhecido como Marcinho VP, que teria recebido autorização da liderança da sua facção para fazer campanha nas comunidades que controla. Flávia Pinheiro Fróes, do União Brasil, trabalhou como advogada de figuras proeminentes do narcotráfico, incluindo o próprio Marcinho VP e um criminoso conhecido como Vida Loca. Ela é suspeita de ter organizado a compra de mais de cinquenta espingardas no Paraguai, armas que posteriormente foram utilizadas em operações criminosas no Rio de Janeiro.
Os outros cinco candidatos sob investigação apresentam históricos igualmente graves. Sérgio Porto, candidato à Câmara dos Deputados pelo Partido Republicano da Ordem Social, e Sérgio Roberto Egger de Moura, que concorre a uma vaga na Assembleia do Rio de Janeiro, enfrentam acusações relacionadas com liderança de grupos armados. Egger de Moura foi preso em 2009 e 2011 e é acusado de ter orquestrado um plano para assassinar polícias, promotores, juízes e testemunhas. Ricardo Abrao, do União Brasil, e Allan Turnowski, ex-secretário de Polícia Civil lançado pelo Partido Liberal e preso no início de setembro, estão a ser investigados pela sua ligação ao jogo do bicho, um jogo ilegal de azar tradicional no Brasil. O oitavo nome é Vandro Lopes Gonçalves, ex-sargento da Polícia Militar, candidato pelo Solidariedade, cuja candidatura foi contestada após denúncias de que teria libertado presos e seria o autor moral do assassínio de um vereador substituto.
Vandro Lopes Gonçalves é o único destes oito que não poderá ser eleito no domingo. Aguarda uma decisão da Justiça Federal de Brasília sobre um recurso que apresentou, e essa decisão pendente o mantém inelegível. Os outros sete, porém, permanecem nas cédulas, apesar das investigações em curso.
As eleições de 2 de outubro são abrangentes. Além da presidência e vice-presidência, estão em jogo os governos dos 27 estados, a renovação completa da Câmara dos Deputados, a renovação parcial do Senado e das assembleias legislativas estaduais. O facto de oito candidatos a cargos legislativos estarem ligados a investigações criminosas desta magnitude levanta questões fundamentais sobre a integridade do processo eleitoral e a capacidade das instituições de impedir que o crime organizado se infiltre nas estruturas de poder.
Citazioni salienti
As autoridades brasileiras suspeitam que estes candidatos possam começar a corrida eleitoral com vantagem por terem acesso livre a áreas controladas por grupos criminosos bem como pelo poder económico relacionado com as suas atividades.— Polícia Federal e Ministério Público do Rio de Janeiro