Máquinas trabalhavam ininterruptamente, processando bilhões de cálculos por segundo
Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a Polícia Civil desarticulou em meados de junho uma operação silenciosa que convertia eletricidade roubada em moeda digital. Cento e vinte e três máquinas trabalhavam ininterruptamente dentro de um galpão, gerenciadas à distância por responsáveis que jamais precisavam aparecer no local. O caso revela como a economia das criptomoedas pode se entrelaçar com crimes convencionais — o furto de energia elétrica — criando estruturas criminosas sofisticadas que se escondem na paisagem urbana comum.
- Um galpão industrial em Duque de Caxias ocultava 123 máquinas mineradoras operando 24 horas por dia, alimentadas por uma ligação elétrica clandestina que causava prejuízo mensal de até R$ 350 mil à concessionária.
- A operação era gerenciada remotamente por câmeras e sistemas de controle à distância, dispensando presença física e dificultando a identificação dos responsáveis.
- Agentes de quatro unidades policiais diferentes convergiram para o local após trabalho de inteligência, apreendendo equipamentos, transformadores, disjuntores e documentos que apontam para uma estrutura organizada.
- O prejuízo total estimado chega a R$ 885 mil, somando o valor dos equipamentos apreendidos, o roubo de energia e o impacto geral — mas o número pode crescer após as perícias.
- As investigações seguem abertas para rastrear todos os envolvidos e verificar se organizações criminosas estão por trás da operação, enquanto uma empresa de plásticos vizinha também foi flagrada com ligação clandestina.
Um galpão em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, funcionava como uma fábrica silenciosa de bitcoin. Dentro dele, 123 equipamentos Antminer S19 processavam cálculos criptográficos ininterruptamente, sustentados por uma ligação elétrica clandestina que operava sete dias por semana. A Polícia Civil desarticulou a operação em meados de junho, apreendendo não só os computadores, mas toda a infraestrutura de suporte — transformadores, exaustores industriais e disjuntores de alta potência.
O que tornava o esquema criminoso era sua fonte de energia: o roubo causava prejuízo estimado entre R$ 250 mil e R$ 350 mil por mês à concessionária. Para evitar presença física constante, os operadores instalaram câmeras e sistemas de monitoramento remoto, tornando a estrutura quase invisível do lado de fora.
A ação reuniu agentes de quatro unidades — a 59ª e 60ª DPs, a 66ª DP e o Serviço Reservado do 15º BPM — após diligências de inteligência. No local, foram encontrados documentos e identidades civis que sugerem uma gestão organizada por pessoas identificáveis.
Os números expõem a escala do negócio: os equipamentos valem entre R$ 400 mil e R$ 650 mil, e a operação poderia gerar entre R$ 50 mil e R$ 70 mil mensais em criptomoedas. O dano total foi estimado em R$ 885 mil, valor sujeito a revisão após as perícias. Durante a mesma operação, uma empresa de fabricação de plásticos próxima também foi flagrada com ligação clandestina, indicando que o problema não era isolado. As investigações continuam para apurar a participação de organizações criminosas e revelar a extensão real do esquema.
Um galpão em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, funcionava como fábrica silenciosa de bitcoin. Dentro dele, 123 máquinas especializadas — equipamentos Antminer S19 95T — trabalhavam ininterruptamente, processando bilhões de cálculos por segundo na tentativa de resolver problemas criptográficos e ganhar recompensas em moeda digital. A Polícia Civil desarticulou a operação no meio de junho, apreendendo não apenas os computadores, mas também transformadores, exaustores industriais, disjuntores de alta potência e toda a infraestrutura que mantinha a mineração funcionando.
O que tornava a operação criminosa não era apenas a mineração em si, mas como ela era alimentada. Os investigadores descobriram que a estrutura consumia energia elétrica de forma completamente irregular — uma ligação clandestina que funcionava 24 horas por dia, sete dias por semana. Esse roubo de energia causava prejuízo estimado entre R$ 250 mil e R$ 350 mil por mês à concessionária. Os responsáveis pela operação haviam montado um sistema sofisticado de monitoramento remoto, com câmeras e controle à distância, permitindo que a mineração funcionasse sem necessidade de presença física constante no local.
A ação envolveu agentes de múltiplas delegacias — a 59ª DP de Duque de Caxias, a 60ª DP de Campos Elíseos, a 66ª DP de Piabetá e o Serviço Reservado do 15º BPM — após trabalho de inteligência e diligências de campo. Durante as buscas, os policiais encontraram documentos e identidades civis que, segundo os investigadores, estavam relacionados à operação do empreendimento. O achado sugeria uma estrutura organizada, com pessoas identificáveis envolvidas na gestão da atividade.
Os números revelam a escala do negócio criminoso. Os 123 equipamentos apreendidos têm valor de mercado estimado entre R$ 400 mil e R$ 650 mil. Conforme levantamento preliminar da polícia, a estrutura poderia gerar faturamento bruto mensal entre R$ 50 mil e R$ 70 mil, dependendo das flutuações do mercado de criptomoedas. Quando somados os prejuízos — o valor dos equipamentos, o roubo de energia mensal e o impacto geral da operação — a Polícia Civil estimou o dano total em cerca de R$ 885 mil. Esse valor, porém, poderá ser revisto após a conclusão das perícias técnicas e análises patrimoniais.
Durante a mesma operação, os agentes identificaram ainda uma empresa do setor de fabricação de plásticos que também utilizava uma ligação clandestina para abastecer suas atividades, sugerindo que o roubo de energia não era isolado naquela região. As investigações continuam em aberto para identificar todos os envolvidos na mineração de bitcoin e apurar se há participação de organizações criminosas na exploração da atividade e nas fraudes relacionadas ao fornecimento de energia elétrica. O caso expõe uma vulnerabilidade crescente: a facilidade com que operações criminosas sofisticadas podem se instalar em estruturas urbanas, alimentadas por roubo de serviços essenciais e gerenciadas remotamente, deixando poucos rastros visíveis.
Notable Quotes
A estrutura operava de forma remota, com sistema de monitoramento por câmeras e controle à distância— Polícia Civil
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e apurar se há participação de organizações criminosas na exploração da atividade— Polícia Civil
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que uma operação de mineração de bitcoin precisaria de tanto equipamento especializado? Não dá para fazer isso em casa?
Dá, mas em pequena escala. Esses Antminers são máquinas de alto desempenho que custam caro e consomem muita energia. Para ganhar dinheiro real, você precisa de centenas delas trabalhando juntas. Um galpão dedicado faz sentido do ponto de vista criminoso — centraliza tudo, facilita o monitoramento remoto.
E por que o roubo de energia? Não seria mais fácil pagar a conta?
Pagando, a margem de lucro desaparece. Esses equipamentos consomem uma quantidade absurda de eletricidade — o prejuízo mensal à concessionária era de R$ 250 mil a R$ 350 mil. Se tivessem pago, não haveria lucro. O crime só funciona porque roubam a energia.
Como a polícia descobriu o lugar?
Trabalho de inteligência e diligências de campo. Provavelmente começou com denúncias, análise de padrões de consumo anormal, ou investigações sobre furto de energia que levaram até lá. Não sabemos os detalhes, mas foi coordenado — envolveu quatro unidades policiais diferentes.
Os documentos que encontraram — isso significa que sabem quem estava por trás?
Significa que há pistas. Identidades civis, documentos — sugerem que não era uma operação totalmente anônima. Mas as investigações continuam para identificar todos os envolvidos e saber se havia organização criminosa por trás.
E aquela empresa de plásticos que também roubava energia?
Mostra que não era um caso isolado. Provavelmente havia uma rede de operações clandestinas naquela região, todas alimentadas por ligações ilegais. A polícia encontrou uma enquanto procurava pela outra.