Polícia Civil identifica suspeito de duplo homicídio de mãe e filha em Ceilândia

Duas mulheres mortas: mãe grávida de 4 meses assassinada com 37 facadas e filha de 14 anos estrangulada e morta por arma branca.
Ela foi morta ao defender a filha que tentava proteger
A investigação conclui que Shirlene morreu com 37 facadas ao intervir contra uma tentativa de abuso.
Mark

Por que a polícia acredita que a mãe foi morta defendendo a filha e não em outro contexto?

Mimi

As lesões de defesa no corpo de Shirlene — nas mãos e braços — sugerem que ela lutou. Combinado com o fato de Tauane estar apenas de calcinha quando encontrada, e com o histórico de Jeferson assediar mulheres no córrego, a investigação concluiu que ele tentou algo contra a adolescente e a mãe interviu.

Luke

Mas vocês não têm certeza, certo? Não foi possível coletar material biológico para confirmar violência sexual. O delegado mesmo disse que "só ele poderá dizer" como realmente aconteceu.

Mark

E quanto à fuga dele? Isso não é confissão?

Mimi

Ele saiu da região um dia antes dos corpos serem encontrados, dizendo que ia para a Bahia. Depois ligava para a família chorando e pedindo para rezarem por ele. Sua própria ação de desaparecer naquele momento específico, combinada com o comportamento posterior, sugere culpa.

Luke

Sugere, sim. Mas fuga e comportamento estranho não são prova de crime. São indicadores que, junto com outras evidências, formam um quadro. A testemunha que o viu descendo é o ponto mais sólido.

Mark

Como a polícia conseguiu identificá-lo tão rapidamente?

Mimi

Testemunhas viram Shirlene e Tauane descendo para o córrego. Uma testemunha crucial reparou que Jeferson desceu no mesmo horário porque os cães latiam. Ele era conhecido na região por seu comportamento com mulheres. Tudo isso junto apontou para ele.

Luke

E ele morava lá, certo? Então não era um estranho. Era alguém da comunidade, o que facilitou as testemunhas o identificarem.

  • Shirlene e Tauane saíram para um banho simples num córrego e nunca voltaram — onze dias de silêncio antes que a mata revelasse o que havia sido feito a elas.
  • O laudo apontou 37 facadas no corpo da mãe e sinais de estrangulamento na filha de 14 anos, evidências de uma luta feroz e de uma brutalidade que chocou os investigadores.
  • Uma testemunha percebeu o detalhe decisivo: os cães latiam sempre que alguém descia ao córrego — e Jeferson desceu naquela manhã e não voltou.
  • Um dia antes dos corpos serem encontrados, o suspeito avisou a família que passaria o Natal na Bahia; de lá, ligava chorando e pedindo orações, mas não retornou.
  • A Justiça expediu mandado de prisão por homicídio qualificado, aborto e ocultação de cadáver — Jeferson segue foragido e a polícia pede informações pelo número 197.

Em Ceilândia, o desaparecimento de uma mãe grávida e sua filha adolescente revelou, onze dias depois, um crime de brutalidade rara: dois corpos enterrados às margens de um córrego, marcados pela violência de quem deveria ser apenas um vizinho. A investigação da Polícia Civil traçou o perfil de um suspeito que fugia enquanto chorava ao telefone, pedindo orações — gesto que, para os investigadores, carregava mais confissão do que arrependimento. O caso lembra que a violência contra mulheres muitas vezes começa no espaço cotidiano do lazer e da confiança, e que a coragem de uma mãe pode ser, ao mesmo tempo, sua sentença.

No dia 9 de dezembro, Shirlene Ferreira da Silva, 38 anos e grávida de quatro meses, desceu com a filha Tauane Rebeca, de 14, até o córrego do Sol Nascente, em Ceilândia. Levavam apenas uma sombrinha e uma lancheira com água. Onze dias depois, seus corpos foram encontrados parcialmente enterrados numa área de mata, cobertos por folhas, a cerca de 200 metros da cachoeira.

O laudo do Instituto de Medicina Legal expôs a dimensão do crime: Shirlene foi morta com 37 facadas e apresentava lesões de defesa nas mãos e nos braços. Tauane foi estrangulada e também morreu por arma branca. A adolescente estava parcialmente despida quando encontrada, embora não tenha sido possível confirmar violência sexual por ausência de material biológico.

A investigação da 19ª Delegacia, conduzida pelo delegado-adjunto Thiago Peralva, começou com múltiplas hipóteses — fuga, sequestro, afogamento. Foi o depoimento de testemunhas que mudou o rumo: moradores viram Shirlene e Tauane descendo ao córrego naquela manhã, e uma testemunha crucial relatou que Jeferson Barbosa dos Santos, 26 anos, também desceu no mesmo horário — e não voltou. O detalhe que chamou a atenção foi o latido dos cães da região, que sempre reagiam à presença de alguém descendo até lá.

Jeferson era conhecido no local por se gabar de se dar bem com as mulheres do córrego. Shirlene, ao contrário, era descrita como uma mãe extremamente protetora. Os investigadores concluíram que ele teria tentado abordar Tauane, e que Shirlene morreu ao tentar defendê-la — hipótese reforçada pelas 37 facadas e pelas marcas de luta no corpo da mãe.

Um dia antes de os corpos serem localizados, Jeferson avisou a família que passaria o Natal na Bahia. Não voltou. De lá, ligou diversas vezes para parentes chorando e pedindo orações. Para o delegado Peralva, toda a postura do suspeito após o crime demonstra envolvimento nas mortes. A Justiça do Distrito Federal expediu mandado de prisão por homicídio qualificado, aborto e ocultação de cadáver. Jeferson segue foragido. Informações sobre seu paradeiro podem ser repassadas ao número 197, com sigilo garantido.

No dia 9 de dezembro, Shirlene Ferreira da Silva saiu de casa com a filha Tauane Rebeca para um banho no córrego do Sol Nascente, em Ceilândia. Levavam apenas uma sombrinha e uma lancheira com água. Onze dias depois, os corpos das duas foram encontrados parcialmente enterrados em uma região de mata, cerca de 200 metros da cachoeira, cobertos por folhas. Shirlene tinha 38 anos e estava grávida de quatro meses. Tauane tinha 14.

O laudo do Instituto de Medicina Legal revelou a brutalidade do crime. Shirlene foi morta com 37 facadas, com lesões de defesa nas mãos e braços que sugerem ela tenha lutado. Tauane foi estrangulada e também morreu por arma branca. Quando encontrada, a adolescente estava apenas de calcinha; seu short estava a poucos metros dos corpos. Apesar dessa circunstância, não foi possível coletar material biológico das cavidades sexuais para determinar se houve violência sexual.

A investigação da Polícia Civil da 19ª Delegacia, conduzida pelo delegado-adjunto Thiago Peralva, trabalhou com várias hipóteses nos primeiros dias: fuga, sequestro, afogamento, homicídio e latrocínio. O trabalho minucioso com testemunhas oculares começou a desenhar um quadro diferente. Pessoas que moravam na região relataram ter visto Shirlene e Tauane descendo para o córrego naquela manhã. Mais importante: uma testemunha crucial informou que Jeferson Barbosa dos Santos, 26 anos, também desceu para o mesmo local no mesmo horário. A testemunha só reparou nisso porque os cães da região latiam sempre que alguém descia até lá. Desta vez, Jeferson desceu e não retornou.

A investigação revelou que Jeferson tinha um padrão de comportamento no local. Ele se autodenominava o "cara que se dava bem com as mulheres do córrego" e, segundo depoimentos colhidos, investia em mulheres que desciam até lá. Shirlene, porém, era conhecida como uma mãe extremamente protetora com Tauane, mais do que com seus outros filhos. Testemunhas informais descreveram uma mulher capaz de tudo para defender seus filhos. Com base nesse perfil e nas evidências, os investigadores construíram uma linha de investigação: Jeferson teria tentado "investir" contra a adolescente, e Shirlene teria morrido ao defendê-la. As 37 facadas e as lesões de defesa no corpo da mãe reforçavam essa hipótese.

Um dia antes dos corpos serem localizados, em 19 de dezembro, Jeferson avisou aos familiares que passaria o Natal na Bahia e voltaria em dez dias. Ele não retornou. De lá, ligou diversas vezes para parentes chorando e pedindo para que rezassem por ele. Sua fuga e seu comportamento posterior, segundo o delegado Peralva, demonstravam envolvimento na morte das duas. "Toda a postura dele após o crime demonstra que teve envolvimento na morte delas. Agora, como realmente aconteceu de fato, isso só ele poderá dizer."

A Justiça do Distrito Federal expediu mandado de prisão contra Jeferson. Ele responderá por homicídio qualificado, aborto e ocultação de cadáver. A Polícia Civil pede que qualquer informação sobre seu paradeiro seja comunicada ao número 197, com garantia de sigilo.

Toda a postura dele após o crime demonstra que teve envolvimento na morte delas. Agora, como realmente aconteceu de fato, isso só ele poderá dizer.
— Delegado-adjunto Thiago Peralva, 19ª Delegacia de Polícia
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